sábado, 7 de dezembro de 2019

1969-04-00 - A Ilha dos Escravos - Movimento Estudantil

Tamanho - 65x42 cm

A Ilha dos Escravos foi uma peça de teatro levada a palco pelo TEUC da Universidade de Coimbra.
Estava em representação quando a crise académica de 1969 foi despoletada.
Tendo marcada uma digressão pelo país nos meses de Junho e Julho foi proibida pelo regime entre outros motivos pelo receio de que a representação servisse para divulgar a luta dos estudantes.
O encenador Luís de Lima foi detido pela PIDE e enviado para o Brasil.
Impresso na Lito Coimbra, teve uma edição de 500 exemplares.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

1969-04-18 - ESTA NOITE FOI PRESO O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA - Movimento Estudantil


ESTA NOITE FOI PRESO O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA. 
A POLÍCIA SOLTOU CÃES CONTRA OS ESTUDANTES: ALGUNS FERIDOS. 

INFORMA-TE

A DIRECÇÃO GERAL DA A.A.C.

1969-04-18 - O PRESIDENTE DA A.A.C. ESTÁ PRESO - Movimento Estudantil

O PRESIDENTE DA A.A.C. ESTÁ PRESO

1 - Ontem, na cerimónia do edifício da Faculdade de Ciências, o Presidente da Associação Académica de Coimbra pediu autorização às autoridades presentes para usar da palavra em nome dos estudantes. Nada lhe foi respondido, pelo que os estudantes aguardaram ordeiramente a vez de ser concedida a palavra ao seu representante.
Mas a cerimónia terminou abruptamente, e a sala foi abandonada pelas entidades oficiais.
Os estudantes ocuparam então a sala deixada vazia, fazendo ouvir a sua voz através do Presidente e outro elemento da Direcção Geral da A.A.C., dum representante da Junta de Delegados de Ciências, e da Comissão Nacional dos Estudantes Portugueses.
2 - Às 2 da manhã de hoje, quando deixava as instalações Académica, o Presidente da Associação Académica foi preso por 7 indivíduos da Polícia Internacional e de Defesa do Estado.

1969-04-19 - O Conselho das Repúblicas Acusa

O Conselho das Repúblicas Acusa

I - RETROSPECTIVA
Os últimos acontecimentos surgidos em torno da inauguração do edifício das Matemáticas vieram assinalar de modo expressivo o pendor anti-académico há muito assumido pela Reitor da Universidade.
Se atentarmos nos anos lectivos de 63/64 e 64/65 verificamos que desde então as autoridades universitárias se vêm expressando em termos acentuadamente opressivos para com a AAC. Em 64/65 todos os pretextos foram invocados ou fabricados para provocaram a expulsão dos dirigentes e mais tarde colocar uma CA à frente da própria Associação Académica. A humilhação constante com que se procurava atingir os estudantes foi assistida por uma repressão sem reservas. A suprema vergonha académica - a Comissão Administrativa - foi pois obra acarinhada deste Reitor. De Julho de 65 a Fevereiro de 69 a vida académica encontrou-se fundamentalmente castrada.

1969-04-20 - AOS ESTUDANTES DE LISBOA - Movimento Estudantil

AOS ESTUDANTES DE LISBOA

1. Desenvolve-se a luta reivindicativa dos trabalhadores.
Com Marcelo Caetano na chefia do novo governo, os problemas fundamentais do povo português continuam por solucionar. Prossegue, no essencial, a política salazarista de exploração, de terror, de guerra colonial. O véu da demagogia liberalizante não consegue esconder a verdadeira face da ditadura fascista.
As vagas promessas de aumento de salários para os trabalhadores são acompanhadas de exigências de aumento de produtividade, isto é, de uma maior exploração das classes trabalhadoras. Qualquer reivindicação salarial dos trabalhadores encontra pela frente a PIDE, a GNR, a PSP a LP, como nos tempos de Salazar. As reivindicações das liberdades fundamentais responde o governo com a habitual repressão. O tão apregoado "clima de sã convivência entre os portugueses" é reservado “aos bons cidadãos” linguagem fascista que significa aqueles que estejam dispostos a trair as aspirações democráticas do nosso povo, a alinhar ao lado dos fascistas, exploradores, dos vendilhões da Pátria.

1969-04-21 - INFORMAÇÃO - DIRECÇÃO GERAL AAC

INFORMAÇÃO
DIRECÇÃO-GERAL DA AAC

I - A INAUGURAÇÃO DO EDIFÍCIO DAS MATEMÁTICAS
 A 16 de Abril a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra tornava público à Academia, através de um comunicado, o seu desejo expresso de usar da palavra em nome dos estudantes de Coimbra, no acto inaugural das novas instalações da Faculdade de Ciências. Dizia-se nessa comunicação:
"Queremos tão só o diálogo aberto e livre que o mesmo é dizer, reivindicamos o legítimo direito de a voz dos estudantes se fazer ouvir em toda a parte em que se decida da vida da Universidade".
Nesse mesmo dia, a Junta de Delegados de Ciências, em comunicado próprio, exprimiu idêntica aspiração, reivindicando a presença, nessa mesma cerimónia, dum representante dos alunos daquela Faculdade e convidando simultaneamente todos os estudantes a comparecerem na sessão inaugural.

1969-04-23 - Queima das Fitas

No actual momento Académico, a Comissão Central da Queima das Fitas da Universidade de Coimbra considera inoportuna a realização do Festival de Jazz nos dias 25 e 26 de Abril, cancelando essa realização.

Entretanto, o trabalho de todas as Comissões continua a processar-se com vista à realização da Queima das Fitas de 9 a 14 de Maio.


Coimbra, 23 de Abril de 1969
A COMISSÃO CENTRAL DA QUEIMA DAS FITAS

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