sábado, 11 de agosto de 2018

1978-08-11 - CIRCULAR Nº 3 - UDP

CIRCULAR Nº 3

CAMARADAS
Hoje mais do que nunca é preciso que todos os antifascistas unam os seus esforços no sentido de erguer uma barreira ao avanço das forças mais reaccionárias, que tentam a todo o custo roubar-nos aquilo que tão duramente conquistamos após o 25 de Abril.
É preciso que na nossa empresa saibamos dar resposta ao avanço da direita que já se vai fazendo sentir de várias formas.

Perante a situação política actual e no seguimento das últimas posições assumidas pelo Conselho Nacional o Secretariado da UDP do núcleo dos TLP elaborou uma Proposta de Unidade a apresentar a várias forças políticas e a trabalhadores que independentemente de pertencerem ou não a partidos, são reconhecidos no seio dos trabalhadores pelas suas posições progressistas.
Esta Plataforma tem como objectivo construir a unidade dos trabalhadores progressistas, das forças políticas antifascistas, para podermos travar o passo direita e avançarmos na defesa das nossas conquistas.
Para discutirmos essa Plataforma o Secretariado do núcleo convoca todos os aderentes e simpatizantes para uma reunião do Secretariado alargada que se realiza no dia 18/8 (6ª Feira), PELAS 18,30, NA Rua BERNARDO LIMA (Sede Central)

A Ordem de Trabalhos é a seguinte:
1 - DISCUSSÃO da PLATAFORMA de UNIDADE
a) Situação Politica
b) ACT, CT, Actividade Sindical
c) Organização

O Secretº do núcleo da UDP dos TLP
Lisboa,11/8/78

COMPARECE!

UNIR A ESQUERDA EM DEFESA DAS CONQUISTAS DE ABRIL NA LUTA POR MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA
Proposta de unidade a apresentar aos camaradas do MES, UEDS, BASE-FUT, PCP(R), JOC e trabalhadores independentes de vanguarda reconhecidos no seio dos trabalhadores pelas suas posições progressistas.

A SITUAÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL
O AVANÇO DAS FORCAS DE DIREITA E AS TAREFAS DO MOVIMENTO POPULAR
O secretariado da UDP na empresa, faz sua a posição assumida pelo Conselho Nacional que a seguir se transcreve:
LUTAR POR ELEIÇÕES GERAIS ANTECIPADAS
1. Defrontamo-nos com uma vasta manobra reaccionária
O CN considera que a actual crise política desencadeada pelo CDS, às ordens do imperialismo e do grande capital, se insere numa vasta ofensiva reaccionária no aspecto económico, político e militar que tem como objectivo não só a destruição das Conquistas de Abril, e em particular da Reforma Agrária, mas também o cerceamento das liberdades, a destruição da Constituição e a imposição de um governo da direita reaccionária.
Eanes que quer dizer a última palavra na solução da crise, pretende um governo que dê todas as garantias aos grandes capitalistas e monopólios de recuperar todo o seu poderio, que garanta a rápida entrada de Portugal para o Mercado Comum fazendo aumentar o peso do imperialismo americano e alemão e que sirva ao capitalismo internacional de plataforma giratória para as ex-colónias portuguesas e para a África.
2. Dar a palavra ao povo na resolução da crise
A posição da direcção do PS opondo-se à chantagem da direita e do CDS foi um facto que só será positivo se mantiver a oposição a formação de um governo mais reaccionário exigindo a convocação de eleições gerais antecipadas, única forma de fazer face às manobras do CDS, do PPD e de Eanes para imporem um governo da sua confiança.
A UDP considera que face a esta grave ameaça às forças populares, os trabalhadores socialistas e comunistas, a classe operária, os camponeses e o povo trabalhador não se podem quedar na expectativa nem confiar nas palavras de Soares que foi responsável pela vinda do CDS para o governo.
A UDP denuncia as manobras dos dirigentes do PCP que, preferindo as negociatas com o PS e Eanes, criando a expectativa no povo tentando sabotar a sua participação activa na resolução da crise.
As forças de direita movimentam-se febrilmente numa guerra de corredores em que têm imenso poder. Se as forças populares, antifascistas e patrióticas se quedarem na expectativa, nenhuma solução favorável ao povo será possível.
É nesse sentido, e para impedir que se deposite nas mãos de Eanes, o responsável pelo regresso de Tomaz, a solução da crise, que a UDP pugna pela realização de eleições gerais antecipadas e que o povo faça essa a sua exigência mais urgente perante a ameaça dos governos de extrema-direita.
3. Eleições gerais são a solução favorável aos trabalhadores
Ao defender a realização no mais curto espaço de tempo de eleições antecipadas, a UDP tem em conta a necessidade de fazer face às manobras que pretendem, através da intervenção presidencial, impor um governo reaccionário. Hoje só a realização de eleições gerais chamando o povo a intervir na crise política pode fazer face às manobras para impor um governo que na prática negue a Constituição e prepare a destruição das liberdades. O governo que terá de vigorar até à realização das eleições deverá passar pela Assembleia da República e a UDP sustenta que ele terá de suspender a aplicação das leis reaccionárias e ser constituído por personalidades antifascistas de confiança do povo. Defende ainda a UDP que a Assembleia da República não deverá ser entretanto dissolvida e só deverá ser encerrada nas vésperas das eleições.
4. A UNIDADE DOS TRABALHADORES NA JORNADA DE LUTA NACIONAL
O reforço do movimento popular na defesa das conquistas de Abril é a chave da resposta dos trabalhadores à ofensiva da direita. As lutas nas Minas da Panasqueira, na Marinha Mercante, na Hotelaria e em muitas empresas, assim como o movimento democrático dos camponeses e de outros sectores mostram que a força do movimento popular pode multiplicar-se e intensificar-se e derrotar as manobras do patronato e da reacção.
5. A UNIDADE ANTIFASCISTA É TAREFA URGENTE
A unidade dos trabalhadores e dos antifascistas, a unidade das forças antifascistas e patrióticas e o suporte da resistência popular a ofensiva da direita.
A UDP reafirma a sua proposta de luta e unidade em 4 pontos - a defesa das liberdades e da Constituição, a defesa da Reforma Agrária e dos direitos dos camponeses, a defesa das condições de vida dos trabalhadores e a salvaguarda da independência nacional.
Face à gravidade da actuação, a UDP apela a todos os democratas e antifascistas, ao PCP(R), à UEDS e ao MES, e a outras organizações e correntes antifascistas, aos militantes, simpatizantes e eleitores do PS e do PCP, a todos os antifascistas e patriota, que se unam e lutem contra os que querem destruir 25 de Abril e para erguer uma perspectiva de "alternativa ao governo.

Lisboa, 30 de Julho 1978

A SITUAÇÃO NOS TLP
A ofensiva burguesa-imperialista, faz-se neste momento sentir através da aplicação da Reestruturação, visando por um lado maximizar os lucros à custa dos utentes e duma maior exploração dos trabalhadores, aplicar una política anti-nacional de investimentos financeiros e tecnológicos favoráveis ao imperialismo, criar as bases de um sistema repressivo visando a curto e médio prazo o ataque à organização dos trabalhadores a nível sindical e político.
A actividade dos organismos dos trabalhadores tem-se caracterizado ou pela nítida colaboração com a administração (caso da CT) ou por uma passividade desmobilizadora, caso da Direcção do Sindicato dos Telefonistas que embrenhada no burocratismo não dá a mínima resposta nem a Reestruturação, nem a ordens de serviço que atacam os direitos dos trabalhadores, nem faz a mínima mobilização destes contra a ofensiva da direita a nível geral.
Há ainda a salientar a acção dos dirigentes do PCP na empresa, que indo inclusivamente contra os sentimentos de unidade dos seus militantes, através de manobras anti-democráticas, sabotaram recentemente uma tentativa unitária de exigir eleições para a CT.
A curto prazo grandes tarefas cabem aos revolucionários na nossa empresa, como a luta pelo ACT, as eleições para a CT, o trabalho a desenvolver pela verticalização sindical.
A vitória dos trabalhadores vai estar dependente da capacidade de intervenção das forças e trabalhadores de esquerda, da sua capacidade em elaborar alternativas de encontro aos anseios das largas massas de trabalhadores, da sua capacidade em definir os objectivos que consigam a unidade da esquerda.
Neste sentido, camaradas, o sec. da UDP na empresa propõe-vos que avancemos para uma plataforma, que eliminando aquilo que nos possa dividir, reforçando os pontos comuns que nos unem, possibilite a nossa acção conjunta na luta por melhores condições de vida em defesa das Conquistas de Abril, contra o avanço da direita na nossa empresa.
Assim, propomos que seja constituída de imediato uma Comissão Organizadora de um ENCONTRO a realizar em fins de Setembro, onde sejam discutidas e aprovadas resoluções sobre os seguintes pontos:
1. PLATAFORMA GERAM PARA A UNIDADE DA ESQUERDA NOS TLP
2. ACÇÃO IMEDIATA
a) Eleições para a CT
b) ACT
c) Actividade sindical

Propomos que o ENCONTRO seja subordinado a palavra de ordem:
UNIR OS TRABALHADORES
DEFENDER O 25 de ABRIL
LUTAR POR UMA VIDA MELHOR

O Secretariado da UDP nos TLP
Lisboa, 10 de Agosto de 1978



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