quinta-feira, 2 de agosto de 2018

1973-08-00 - EM FRENTE NA LUTA CAMARADAS! - Comités Operários


EM FRENTE NA LUTA CAMARADAS!

FAÇAMOS DA EXPLORAÇÃO DE QUE SOMOS VITIMAS UMA ARMA DE COMBATE!

AOS OPERÁRIOS E OPERÁRIAS DA FLORESCENTE:
A exploração que nós operários da "Florescente” somos vítimas acentua-se diariamente.
O patrãoesse reles lacaio enviado pela camarilha marcelista, explora-nos cada vez mais, lança-nos na fome e na miséria e pretende gozar-nos ainda por cima.
Foi o que aconteceu aquando do recebimento dos salários no mês transacto em que esse biltre nos veio lançar areia para os olhos dando aumento de "meia dúzia” de escudos a alguns, muito poucos, operários e fazendo promessas de possíveis aumentos a outros caso no mês seguinte viessem a merecer o aumento.

O que significa afinal para esse canalha a palavra - merecer - senão um aumento do nosso ritmo de trabalho e um consequente aumento do seu capitel nos bancos em que deposita o dinheiro que nos roubo para seu proveito 8 sustento?!
O que significa para esse canalha a palavra - merecer - senão uma tentativa de nos manter cordeiramente na ordem, sem nos revoltarmos contra a tirania patronal, de forma que os senhores do capital nos explorem cada vez mais e de forma, que esses senhores continuem da pança cheia a viver à custa do nosso suor e sangue?!
Camaradas: este é o primeiro ponto em que devem incidir as nossas imediatas reivindicações: o aumento GERAL de salários, que satisfaça as nossas necessidades actuais face ao aumento do custo de vida.
Vejamos outro caso concreto da exploração perpetuada pelos lacaios da burguesia na nossa fábrica.
Foi o exemplo do recente envio por parte dos esbirros da burguesia de operárias para os tornos da secção a Quente.
Este é mais um pérfido exemplo dos muitos que fazem parte do arsenal repressivo e explorador criado pela burguesia-colonial-fascista. Agora lançada contra as nossas camaradas operárias com a promessa de aumento salarial.
Vendo os factos superficialmente, parece-nos que na realidade houve um aumento de salários para essas camaradas operárias. Mas, se analisarmos mais a fundo a questão tiramos outra conclusão. O suborno feito às camaradas operárias pelo esbirro que na nossa fábrica representa a burguesia colonial-fascista não é mais que uma reles forma de aumentar a exploração e miséria da nossa classe. Pois esse cão tinhoso ao por essas camaradas nos fornos da secção a Quente não veio mais senão aumentar os seus fabulosos lucros, visto pagar a essas operárias um salário inferior ao pago aos operários que anteriormente desempenhavam o mesmo trabalho.
O que esse reles lacaio veio aumentar não foi o salário das nossas camaradas. O que ele veio fazer foi sim lançar sobre elas o espectro da repressão, da humilhação, da doença e da miséria, isto sim, é o que a burguesia aumenta sobre nós diariamente e em particular e mais desenfreadamente sobre a mulher.
Vejamos se foi ou não isso o que se passou.
As camaradas tinham sido lançadas ao trabalho árduo dos fornos viram-se forçadas a abandonar o seu local face às más condições e ao elevado ritmo de produção que delas exigiam.
E que fez esse bandido depois que essas camaradas se viram forçadas a abandonar o se local de trabalho?
Lançou-as pura e simplesmente no desemprego, ou seja atirou-as para a miséria depois de as utilizar como meio e instrumento para aumento dos seus já fabulosos lucros.
CAMARADAS:
Façamos da igualdade salário para a MULHER a nossa segunda reivindicação.
Lutemos ombro a ombro com as nossas camaradas operárias e acabemos com a desenfreada exploração e humilhação que a burguesia lança mais nitidamente sobre a mulher operária,
A questão do prolongamento da jornadas de trabalho é outro ardil habilmente utilizado pela burguesia para manter a sua condição de classe exploradora que neste caso se materializa pela manutenção de uma prolongada jornada de trabalho que significa de imediato uma maior produção e consequentemente mais lucros para o patrão e uma maior exploração para o operário.
CAMARADAS:
Façamos pois da REDUÇÃO DAS HORAS DE TRABALHO, DAS 8 HORAS DE TRABALHO, DA SEMANA DAS 40 HORAS, a nossa terceira reivindicação e lutemos duro para a conseguimos.
CAMARADAS:
As três reivindicações a que neste momento nos propomos estão em jogo.
Elas não são apenas para ser lidas e abandonadas a um canto do nosso cérebro como se nada representassem para nós porque no fundo é isso que a classe burguesa pretende e é por isso que ela vem lançando sobre nós uma forte repressão ideológica que nos priva em parte da discussão dos nossos problemas levando-nos para campos que nada tem a ver com a nossa condição de classe explorada.
Digamos não a esses ardis habilmente preparados pela burguesia. Discutamos amplamente o comunicado lançado pelo nosso Comité Operário e analisemos as reivindicações por ele lançadas, pela discussão no local de trabalho até chegarmos a formas concretas de luta a empregar.
Um outro aspecto que não devemos descurar é a posição que os revisionistas do P”C”P-C”D”E certamente vão tomar face à agitação da nossa fábrica. Esses oportunistas vão certamente como é costume pretender levar o problema para a via pacífica, tal como pretende os seus aliados da camarilha marcelista
Repudiamos e desmascaremos pois essa canalha de traidores que certamente nos irão propor negociações com a burguesia.
A essa tentativa dos revisionistas do P”C”P-C”D”E respondamos bem alto que entre exploradores e explorados, entre a classe burguesa e a classe operária não há conciliação possível. Respondamos-lhes que a única forma da classe operaria resolver os seus problemas é no ardor da luta e não nas negociações em gabinetes de ar condicionado. Respondamos-lhes que a única maneira da classe operária satisfazer as suas necessidades económicas e políticas é pela luta revolucionária, pelo derrube da burguesia e pela instauração da ditadura do proletariado.
CAMARADAS:
O COMITÉ OPERÁRIO é uma arma apontada ao peito da burguesia colonial-fascista. Ele é o órgão coordenador das nossas reivindicações, que ora se situam no plano económico mas que rapidamente se elevarão ao nível politico.
ORGANIZEMO-NOS pois em torno do nosso COMITÉ de forma a podermos conduzir até ao fim a luta pela satisfação destas três reivindicações e a assentarmos cada vez mais demolidores golpes na burguesia e a materializarmos as necessidades históricas como classe explorada na sociedade capitalista.
CONTRA OS SALÁRIOS DE FOME! POR AUMENTO GERAL DE SALÁRIOS!
SALÁRIO IGUAL PARA AS OPERÁRIAS!
PELA REDUÇÃO DAS HORAS DE TRABALHO! PELAS 40 HORAS SEMANAIS!
A FÁBRICA É NOSSA! OCUPEMOS A FÁBRICA!
MORTE AO REVISIONISMO!
CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!

COMITÉ OPERÁRIO DA FLORESCENTE
Agosto de 1973



Sem comentários:

Enviar um comentário