quarta-feira, 25 de julho de 2018

1978-07-25 - O MEC REALIZA A SELECÇÃO MASSIVA! A COORDENADORA NAC. ABRIU-LHE O CAMINHO! - Movimento Estudantil



PELO INGRESSO NA UNIVERSIDADE

DECLARAÇÃO DA COMISSÃO DE CANDIDATOS DAS COLECTIVIDADES: COOP. KARL MARX E COOP. A PADARIA DO POVO

O MEC REALIZA A SELECÇÃO MASSIVA! A COORDENADORA NAC. ABRIU-LHE O CAMINHO!

Aos candidatos a Universidade.

1 - Estão a decorrer, de 24 a 28 de Julho, as segundas provas do ano propedêutico. Tendo-se apenas realizado algumas provas, elas demonstram já o que dissemos acerca do carácter selectivo dos exames e do propedêutico (como o recente caso do exame de Alemão). Importa pois, tirarmos as lições da luta que estamos a travar, e ver a razão porque os estudantes do Porto e Covilhã recusaram o pagamento da 2ª propina e no geral os estudantes opunham-se ao propedêutico, se estão a realizar estas segundas provas, o que mostra uma derrota temporária da luta.

Foi quando as 1ªs provas se estavam a realizar, que a nossa Comissão alertou os estudantes para o carácter do ano propedêutico e para a selecção que se pretendia fazer abater sobre nós. Também nessa altura se manifestaram duas posições: uma defendida por nós que dizia que o ano propedêutico apenas pretendia impedir o nosso acesso à Universidade e era a continuação do famigerado Serviço "Cívico", e como tal, a única saída era a organização dos candidatos para lutar contra tais medidas; e outra, da autodenominada CDEPAL, que defendia abertamente o ano propedêutico, que "os exames não tinham o carácter selectivo que se esperava" e que "até tinham sido fáceis", que "nem tinha havido muitos chumbos"; ou seja: uma posição contra e outra a favor do propedêutico.
As notas que saíram também provaram o que dissemos, pois secundo o quadro recolhido, o número de chumbos foi de 17,5% e houve 41% de negativas. Estes números diferem dos divulgados pela maioria da imprensa, porque aqui quem pretende iludir os estudantes sobre o que se está a passar, não está para meias medidas: faz as contas como se cada estudante reprovado tivesse chumbado às 5 cadeiras. O facto do grande número de negativas prova a preparação das reprovações em massa para este exame. Não foi só o de alemão, têm sido no essencial todos. A demagogia de “notas mais altas superam as mais baixas" cai assim por terra. O paleio do MEC e da CDEPAL de que podemos fazer as outras cadeiras, não esconde o que se nos prepara: a selecção da maioria dos estudantes.
Tal política para o ensino, de formação de um restrito número de fiéis quadros técnicos, está relacionada com a solução da classe dominante para a crise, de venda e submissão da nossa pátria ao imperialismo (com o acordo celebrado com o FMI) com o aumento da fome e da miséria e a deterioração da vida dos trabalhadores, com o seu lançamento para o desemprego, aumentando os ritmos de trabalho aos que restarem. Daí que a política do ministro Cardia para o ensino (que não é mais do que a continuação da reforma de Veiga Simão e Vasco Gonçalves) seja um reflexo da resolução da crise à custa dos trabalhadores, e assim se tente impedir que os filhos dos trabalhadores entrem na Universidade, de modo a que esta continue a ser uma pequena elite. De acordo com tal solução, está a fantasmagórica "Coordenadora Nacional", ao defender a selecção.
2 - Foi a denominada "Coordenadora Nacional" quem abriu o caminho à selecção, e a responsável da derrota temporária que significam estes exames.
Quando a nossa Comissão convocava os estudantes para se organizarem em grupos de estudo e crítica do Propedêutico como forma de nos organizarmos contra ele, essa estrutura vendida apareceu com uma jornada da luta que não se realizou, não para realizar Plenários e apelar à organização dos estudantes, mas para propor "formas de luta" como cantos livres, jogos, ao mesmo tempo que iam aprovando um caderno reivindicativo (que não divulgaram) em que se propunha a manutenção do ano propedêutico, e mais tarde, a realização das segundas provas de exame.
Claro esta, que os "bons rapazes" da "Coordenadora Nacional" já sabiam que o MEC realizá-los-ia com todo o gosto, e até agradecendo a sua colaboração na inefável tarefa de lançar os estudantes no desemprego. A selecção que se está a realizar é pois uma das suas reivindicações.
Há várias maneiras de se estar de acordo com a política do MEC, e uma delas, é fazê-lo encapotadamente. Não foi sob a direcção das estruturas vendidas agrupadas nessa Comissão, que se disse em Lisboa que não se podia lutar contra o propedêutico e que se devia defende-lo? No Porto que se devia recuar da justa posição de recusar o pagamento das propinas até saber as notas do 1º exame e que propuseram a realização das provas que irão chumbar a maioria dos candidatos, de modo a que nem seja necessário aplicar o nº clausus?
Devemos então confiar em quem se infiltra no nosso seio e nas nossas lutas para as levar à derrota, ou devemos bani-los do nosso seio, e aplicar um programa que mobilize os candidatos para alcançar a vitória na luta pelo Ingresso na Universidade, sob a direcção de quem sempre defendeu esse programa?
3 - Aquilo que está em jogo, é o futuro da Juventude Estudantil. Ou a sua submissão à política da burguesia, e consequentemente o desemprego massivo da juventude de modo a que a Universidade seja uma pequena elite de quadros técnicos fieis aplicadores da solução da crise à custa dos trabalhadores, ou a luta contra essa política, pelo Ingresso na Universidade e por uma Escola Nova.
Sem dúvida que jamais poderemos aplicar esta segunda alternativa sob a direcção de quem vende a nossa luta ao MEC e nos encaminha para a derrota. Somente sob a direcção que aponte o caminho da luta, isenta do oportunismo, que integre a nossa luta na que o povo trava sob a direcção do proletariado contra o acordo com o FMI e pela solução dos trabalhadores para a crise, poderemos obter vitórias.
Os resultados destes exames irão provar a justeza da nossa posição. Os estudantes candidatos devem reflectir sobre este facto, e concluir que a nossa principal tarefa é varrer a traição e o oportunismo e aplicar um programa de luta. Dai que a organização dos candidatos em torno das colectividades populares para a discussão deste problema assuma grande importância.
A luta não será derrotada, se seguirmos este caminho, exigirmos a anulação dos exames e o Ingresso na Universidade de todos os candidatos inscritos no propedêutico.
Foi esta a via a seguida há três anos pelos candidatos, o que significou a vitória e o Ingresso. É esta a via que devemos seguir e que aponta a nossa Comissão, luta essa que jamais sairá vitoriosa, sem banirmos do nosso seio quem aplica, abertamente ou não, a política da burguesia para o ensino

ABAIXO AS COMISSÕES TRAIDORAS!
MORTE AO OPORTUNISMO!
VIVA A JUSTA LUTA DOS CANDIDATOS PELO INGRESSO NA UNIVERSIDADE!
PELO INGRESSO DE TODOS OS CANDIDATOS!

Lisboa, 25 de Julho de 1978
A Comissão de Candidatos das colectividades:
Cooperativa Popular Livreira Karl Marx
Cooperativa A Padaria do Povo


Sem comentários:

Enviar um comentário