segunda-feira, 23 de julho de 2018

1978-07-23 - TOMÁS PARA A PRISÃO - OUT


TOMÁS PARA A PRISÃO

O FASCISMO NÃO PASSARÁ
ABRIL TRIUNFARÁ

TOMÁS REGRESSA
O ACTUAL PODER CONDENA E TENTA SEPULTAR O 25 DE ABRIL!

Américo Tomás regressou, aceitando assim, o convite feito por Eanes.
Embora saibamos que tal convite não foi mais do que uma cedência à chantagem de tubarões da colónia portuguesa no Brasil, que ameaçavam, caso esta humilhante condição não fosse aceite, pôr centenas de milhares de portugueses nas ruas a vaiar o PR, não podemos deixar de vir alertar os trabalhadores e os antifascistas para a gravidade de mais esta afronta feita aos soldados do 25 de Abril, aos trabalhadores e aos mártires da ditadura fascista, em Portugal e nas ex-colónias.
Na realidade, quando já tão pouco resta do que conquistámos, depois de termos assistido à farsa do julgamento dos pides e dos bombistas e à sua libertação, aos despedimentos, às desocupações de casas e de terras, à recuperação capitalista com o regresso às anteriores e brutais formas de exploração, o que pode significar o regresso de Tomás?
Depois de termos assistido à reconstrução do aparelho repressivo da burguesia, ao assassínio e prisão de antifascistas, à escalada da imprensa fascista, à perseguição de homens do 25 de Abril, em suma, à condenação sistemática de tudo o que de libertador e revolucionário aquele Movimento significou, depois de tudo isto, dir-se-ia que não será o regresso de um velho caquético e imbecil que irá modificar substancialmente a situação.
Nós pensamos, ao contrário, que o regresso de Tomás, último presidente do regime salazarista, representa, por parte do actual poder, a tentativa de sepultar definitivamente o 25 de Abril e pensamos que os trabalhadores devem dar uma resposta enérgica a esta afronta.
A direita fascista avança, Kaulza e os outros oficiais reaccionários continuam a conspirar, Sá Carneiro recupera o poder e a iniciativa no PSD. A Cap continua a atacar, forçando o CDS a lançar um ultimato ao PS e ao PR. O PS continua a sua tarefa de solícito guarda-portão do capitalismo, abrindo-lhe portas que com tantos sacrifícios fechámos, pondo passadeiras ao regresso da reacção e do fascismo.
Enquanto isto, o reformismo continua a ceder, a conciliar, fiel à táctica de não hostilizar demasiado a fera, dentro da velha prática legalista, eleitoralista e subserviente face aos poderes constituídos. O exemplo do PC argentino face à ditadura terrorista de Videla é bem demonstrativo de onde podem conduzir essa táctica e essa prática: ao mesmo tempo que milhares de revolucionários são assassinados, presos ou “desaparecem”, o PC argentino continua na legalidade, afirmando dirigentes seus que o regime não é fascista e que Videla pertence à ala esquerda da Junta Militar.
É no quadro desta situação que o regresso de Tomás assume as proporções de uma verdadeira consagração dos caminhos anticonstitucionais e antidemocráticos a que o Poder quer conduzir o nossos País. Por isso entendemos ser importante que esse regresso constitua uma chamada à luta para todos os trabalhadores com consciência de classe e para todos os antifascistas consequentes.
Transformemos o regresso de Tomás numa jornada de luta pelas conquistas do 25 de Abril, contra a burguesia e o imperialismo, pela construção do Socialismo.

Exijamos: TOMÁS PARA A PRISÃO!

O FASCISMO NÃO PASSARÁ! ABRIL TRIUNFARÁ!

23 Julho 1978
ORGANIZAÇÃO UNITÁRIA DE TRABALHADORES

SERVIÇOS CENTRAIS - Rua Braamcamp, 52-9° Dto. - Lisboa - Tel. 53 04 98



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