quinta-feira, 19 de julho de 2018

1978-07-19 - Bandeira Vermelha Nº 131 - PCP(R)

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EDITORIAL
O movimento popular tem a sua palavra a dizer

Não é fatal um governo mais à direita
O comunicado do Comité Executivo que publicamos neste número do "Bandeira Vermelha" deve ser discutido sem demora em todos os organismos do Partido, para o lançamento de acções práticas de massas que actuem na decisão da actual crise governativa.
Não é fatal termos um governo mais à direita. Esta é a ideia central do comunicado do CE que todo o nosso Partido deve agarrar. Arrancar a solução da crise, das traficâncias de corredor para as ruas, para as empresas, para o movimento popular - é este o objectivo que deve guiar os militantes e organismos do Partido na situação actual.
Isso consegue-se pela multiplicação de acções unidas das massas em torno dos objectivos que integram a plataforma em 5 pontos proposta pelo nosso Comité Central: lutas reivindicativas mais amplas e mais enérgicas, de que são exemplos brilhantes a vitoriosa greve dos mineiros da Panasqueira e a greve em curso da Marinha Mercante; sessões de esclarecimento e mobilização popular contra um novo governo mais a direita; acções unitárias contra o regresso do fascista Tomás; protestos contra as manobras militares da NATO; recusa à entrega de mais terras da Reforma Agrária aos latifundiários; acções de desmascaramento das forças reaccionárias e fascistas; etc., etc.
A urgência de uma jornada de luta nacional, de um dia de greve geral nacional, como primeiro passo para os trabalhadores lançarem na balança das forças políticas o peso da sua vontade, deve ser agitada vigorosamente por todos os membros do nosso Partido nas empresas, nas comissões sindicais, em todas as assembleias de massas. É ou não mais necessária do que nunca uma jornada de luta nacional para pôr um travão à direita? E ou não possível a curto prazo? Quem se opõe à sua realização? Porquê? - estas são as questões que devemos agitar - para engrossar rapidamente o movimento.
O comunicado do CE indica também com clareza a exigência política que deve animar todas estas acções: a solução não está em remodelar o governo como quer o CDS nem em conservá-lo como está, nem em recorrer ao presidencialismo. E necessário antecipar as eleições gerais, levar o povo a pronunciar-se de forma terminante contra o avanço da direita, contra os partidos do 25 de Novembro, contra os partidos do imperialismo, do patronato, da repressão e da crise.
Tem o nosso Partido forças para imprimir este novo rumo aos acontecimentos? Sim, tem. O campo de acção que se oferece aos organismos do Partido é neste momento dos mais vastos. As forças que podem ser mobilizadas são praticamente inesgotáveis. É preciso que todos o compreendam.
Há condições para unir na acção todas as forças da verdadeira esquerda, da UDP ao MES, UEDS, personalidades antifascistas, etc. Há condições para chamar a acções comuns a massa dos aderentes do PS, indignados pelas cedências degradantes da cúpula soarista. Há condições para chamar a acções comuns os membros do PC que não aceitam ficar de braços cruzados como quer Cunhal, que verificam o vazio da sua plataforma de negociações com aliados inexistentes na cúpula do PS, no PPD e CDS, e já nada esperam de Eanes a não ser atitudes reaccionárias. Há condições para chamar a acções comuns grandes massas sem partido que vêem neste momento de modo mais agudo os perigos da inacção e da desmobilização.
O nosso Partido pode pôr em movimento todas estas forças. Porquê? Porque o PCP(R) é actualmente o único partido que oferece uma alternativa clara de acção de massas para responder à situação. Tudo depende dos militantes e organismos do Partido se aperceberem desta realidade e darem provas de audácia, iniciativa e flexibilidade na aplicação do caminho de luta indicado pelo Manifesto do Comité Central e pelo comunicado do Comité Executivo.


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