terça-feira, 17 de julho de 2018

1978-07-17 - RESPOSTA FIRME À CHANTAGEM DO CDS! - PCP(R)


RESPOSTA FIRME À CHANTAGEM DO CDS!

COMUNICADO DO COMITÉ EXECUTIVO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

1. As forças de direita estão de novo empenhadas numa ofensiva contra as conquistas dos trabalhadores. Levantam exigências que favorecem os interesses dos capitalistas, dos agrários, dos imperialistas e de toda a reacção. Por intermédio do CDS pressionam para impor no governo uma política ainda mais direitista e antipopular. Mesmo as tímidas reformas com que o PS pretendia dar ar de esquerda à sua política são torpedeadas e boicotadas.
As reuniões do solar Mateus, as declarações de chefes eclesiásticos, as acções da CAP e da CIP, as chantagens do PPD e do CDS são iniciativas conjugadas da reacção. O general Eanes adopta um silêncio calculado mas não tardará a mostrar-se como é: uma reserva da direita.
2. A direcção do PS assume a atitude de sempre. Põe a capa sobre o CDS, nega que haja chantagem da parte deste, busca artificialmente separar a ofensiva da direita das exigências do CDS, finge que está disposta a resistir às pressões e prepara-se na realidade para ceder, como sempre tem feito. É uma atitude que já não engana ninguém.
A direcção do PS, argumentando que não discute os lugares de ministros, prepara-se pelo menos para alterar a política dos ministérios que o CDS põe em causa, no sentido exigido pela direita. Fracassa por completo a tentativa do PS se afirmar com posições independentes da direita.
Os sectores antifascistas, os militantes honrados do PS não podem tolerar mais esta cedência vergonhosa. Apelamos a todos eles no sentido de se oporem firmemente às manobras que Soares operara e rejeitarem a chantagem do CDS.
3. A direcção do PCP, por seu lado, tem procurado disfarçar o perigo que representa esta nova ofensiva da direita. Espalha ilusões sobre a consolidação da democracia, encobre o facto de as liberdades serem constantemente atacadas, procura esconder a sua criminosa política de cedências que permitiu a entrega aos agrários de muitos milhares de hectares de terras da reforma agrária e que remete o movimento sindical à passividade. Diante do perigo de um governo mais à direita não o combate frontalmente e limita-se a apoiar o que já existe inventando-lhe "aspectos positivos".
A direcção do PCP procura minorar a gravidade da situação e das pressões reaccionárias para poder justificar diante da opinião pública a completa ausência de medidas firmes da sua parte que façam frente à direita e à política do governo.
Os militantes revolucionários do PCP não podem aceitar esta política de capitulação. Apelamos a todos eles que recusem as propostas de Cunhal de aliança com a direita e se empenhem na unidade das forças de esquerda e na defesa das conquistas de Abril.
4. O PCP(R) considera que não é fatal termos um governo mais à direita. As avançadas da reacção e o grau de cedências consentidas pelo PS e pelo PC dependem da capacidade de resposta que o movimento popular demonstrar.
A atitude a tomar perante o actual governo não é de apoiá-lo, nem de inventar-lhe acções positivas, nem de tentar corrigir-lhe a orientação. A política da coligação PS-CDS mostrou sobejamente ser dirigida contra as conquistas populares, contra a vontade dos trabalhadores e dos antifascistas. Mostrou total incapacidade para solucionar os problemas do país. As dívidas ao estrangeiro continuam a aumentar e a carestia não pára de crescer. É uma política desastrosa para o país, contra a qual é preciso mobilizar os trabalhadores e o povo.
5. De acordo com tudo isto, o PCP(R) renova as suas propostas políticas:
A burguesia, a direita e o imperialismo jogam com a divisão das forças de esquerda, para aplicarem a sua política reaccionária. Apelamos a todas as forças verdadeiramente antifascistas e revolucionárias para que unamos esforços na defesa firme das conquistas de Abril, recusando as cedências e a capitulação. Propomos às forças de esquerda uma plataforma de unidade e de acção baseada em 5 pontos:
1. Defesa das grandes conquistas de Abril
2. Defesa das liberdades
3. Luta pela melhoria das condições de vida das massas operárias, camponesas e dos trabalhadores em geral
4. Defesa da unidade sindical em torno da CGTP e luta pela sua democratização
5. Defesa da independência nacional
A direita quer um governo mais reaccionário para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. Apelamos a todos os trabalhadores, a todos os sindicalistas que exijam aos seus órgãos de classe e ao secretariado da CGTP a concretização de uma jornada de luta nacional, de uma greve geral nacional para pôr termo à política do governo e impedir nova viragem à direita.
As forças burguesas no poder querem continuar a fazer as suas combinatas de governo e a prosseguir a política de recuperação capitalista escudadas no argumento de que o povo lhes deu carta branca nas eleições. Apelamos a todo o povo que levante a exigência de eleições gerais antecipadas, por uma verdadeira alternativa antifascista e patriótica, contra a actual política de direita que quer destruir o 25 de Abril e contraria a vontade popular.
Estas são as propostas que o PCP(R) apresenta aos trabalhadores e às forças de esquerda, confiante de que através da luta e da unidade conseguiremos travar a ofensiva da reacção.


Lisboa, 17 de Julho de 1978
O Comité Executivo do Comité Central do Partido Comunista Português (Reconstruído)


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