sábado, 14 de julho de 2018

1978-07-14 - A propósito da reunião do Secretariado Nacional do P.S. - PC(ml)P



Comissão de Imprensa do Comité Central do P.C.(m-l)P.

Comunicado de Imprensa
-  A propósito da reunião do Secretariado Nacional do P.S.

O PS COLHE OS FRUTOS DA SUA POLÍTICA DE "CONCERTAÇÃO" COM A DIREITA E O P"C"
PS DEVE PASSAR À OPOSIÇÃO PARA APLICAR UMA POLÍTICA DE ESQUERDA ANTI-FASCISTA E ANTI-SOCIAL-FASCISTA

A realização, neste fim de semana, da reunião do Secretariado Nacional do PS para analisar a proposta do Conselho Nacional do CDS motivou a publicação da seguinte nota de imprensa, expressando a posição do Partido Comunista (marxista-leninista) Português, que recorda, por manter toda a sua actualidade, a proposta feita ao Partido Socialista, no ano passado, aquando da crise do I Governo Constitucional e a formação do II Governo, de coligação PS/CDS.

-   O PC(m-l)P considera que, novamente, se atravessa um momento para o PS mudar de rumo. Para o PS romper com a sua política de "concertação" com a direita radicional e o social-fascismo cunhalista procurando manter um Governo de direita a todo o custo. Para o PS passar a sua política impopular (inclusive nos tão falados MAP e MEC) e fascizante e não realizar quaisquer concessões nem ao CDS, nem ao PSD, nem ao P"C", opinião que inclusive é compartilhada por militantes do PS.
-   A alternativa de esquerda ao actual Governo de direita PS/CDS, no quadro da actual composição da Assembleia da República só pode ser uma, dado nenhuma coligação maioritária favorável aos interesses dos trabalhadores ser possível - o PS deve denunciar o acordo com o CDS e pôr o Governo à disposição do Presidente da República; o PS deve passar à Oposição para na luta de massas e na Assembleia da República (e face às eventuais consequências da demissão do II Governo) assumir uma política de defesa das Conquistas Populares de Abril contra os seus piores inimigos da direita tradicional e da pseudo-esquerda pró-soviética,
-  O caminho de cedências da tão propalada "habilidade negocial" de Mário Soares é a própria sentença de liquidação política, a prazo, do PS e do seu isolamento crescente face às massas trabalhadoras, em particular aos seus sectores mais avançados. Manter a tão apregoada política de "concertação” é manter o PS apertado entre duas tenazes. De um lado o CDS, principal partido da direita tradicional e da burguesia monopolista privada; do outro o P"C" e a sua correia de transmissão no Secretariado da CGTP, consolidando posições no seio da burguesia burocrática e procurando ganhá-las na pequena e média burguesia privada, aliciando o PS para a "unidade anti-fascista" e tendo por detrás a URSS, a superpotência mais agressiva actualmente.
-  A actual proposta ultimato do CDS é mais um exemplo da política dos "pequenos passos", Mário Soares apelou à "compreensão mútua" dos problemas dos dois partidos. O leader do CDS, em resposta, mostrou-se disposto à "troca de cedências": enquanto o CDS modera naquilo que exige, para futuro, o PS cede mais um pouco para além do que já cedeu até agora. Enfim, o PS recua mais umas passadas, enquanto o CDS avança mais algumas na escalada da recuperação das posições que a direita tradicional e a burguesia monopolista privada perderam com o 25 de Abril. As declarações ainda hoje divulgadas pela imprensa, proferidas por Ribeiro e Castro e Rui Oliveira do CDS são claras quanto às manobras de pressão daquele partido e quanto aos seus objectivos. Para completar, o CDS procura pressionar o Presidente da República a "aconselhar" Soares a ceder. E, finalmente, as cedências do PS, em vez de saciarem o apetite do "parceiro", encorajam-no a aumentar as exigências em próxima oportunidade, valendo-se da disposição conciliatória de Soares de não denunciar o acordo até 1980.
São estas considerações que o PC(m-l)P reafirma nesta ocasião para reflexão dos militantes do PS verdadeiramente devotados à causa da defesa dos interesses dos trabalhadores, das liberdades democráticas e da independência nacional. Dos que saberão tirar as lições dos custos da política das "colheradas de óleo de fígado de bacalhau" em relação à direita tradicional, bem como da experiência de 1975, do que se perfila por detrás da "unidade" com o partido pró-soviético, sobre a qual alguns dirigentes do PS fazerem passar uma esponja para manter o brilho do seu atestado "anti-fascista" junto do povo trabalhador - que cada vez mais se manifesta não estar disposto a suportar os custos políticos e sociais da política impopular e fascizante do PS nos I e II Governos.
O PC(m-l)P mantém a sua proposta de unidade na base e na acção em relação a todos os trabalhadores:
Contra a miséria e o desemprego;
Contra os governos de direita;
Contra o social-fascismo, o fascismo e o separatismo;
Contra o social-imperialismo e o imperialismo;
para a edificação de uma corrente no movimento popular, independente da direcção política dos partidos burgueses, autónoma da direcção sindical maioritária do P"C", que:
obrigue os ricos a pagar a crise;
faça fracassar os planos anti-democráticos do social-fascismo, da  direita tradicional e do fascismo;
organize a resistência activa à política dos governos de direita.
defenda a independência nacional face às pressões, ingerências e vexames do imperialismo estrangeiro, em particular das duas superpotências, URSS e Estados Unidos.

Pão, Paz, Terra, Liberdade, Independência Nacional e Socialismo

Lisboa, 14 de Julho de 1978
A Comissão de Imprensa do C.C. do PC(m-l)P




Sem comentários:

Enviar um comentário