sábado, 14 de julho de 2018

1978-07-14 - NÃO AO REGRESSO DE SPÍNOLA! - LCI


NÃO AO REGRESSO DE SPÍNOLA!

De dia para dia aumentam os rumores sobre a possibilidade do regresso de Spínola a Portugal. Os jornais, a rádio e TV anunciam em grandes títulos que "Spínola vai voltar". Pelo mesmo diapasão afinam a imprensa reaccionária e as agências de notícias: do mundo inteiro, em especial as da ditadura fascista do Geisel no Brasil.
Desde que o presidente da República eleito, Ramalho Eanes, se confessou “amigo” de Spínola, todos os partidos e a imprensa reaccionária e os pasquins fascistas como a "Rua", "Rossio", "Pátria" a "Liberdade", têm vindo a desencadear uma campanha desenfreada pelo regresso daquele que encabeçou o golpe reaccionário de 11 de Março, bem assim como os seus companheiros de estrada tais como Alpoim Galvão, Rapazote e outros.
O homem que a unidade e a mobilização dos trabalhadoras forçou a fugir do país no 11 de Março e faz fracassar um dos primeiros ataques em forma da reacção aos direitos as conquistas principais das massas depois do 25 de Abril, quer voltar.
Aquele que comandou e comanda os bandos fascistas e terroristas do ELP-MDLP cujos atentados assassinaram já dezenas da trabalhadores e Anti-Fascista ou tiveram como alvo as organizações sindicais e políticas dos trabalhadores, esse homem quer voltar.
Aquele que, com a ajuda dos caciques locais e dos fascistas notórios, tem procurado instaurar um clima de medo e de terror nas várias regiões do país com vista a enfraquecer e a desmobilizar as lutas a as reivindicações das massas exploradas e oprimidas das cidades a dos campos, esse homem quer voltar.

Quem quer o regresso de Spínola e cia? 
Serão os trabalhadores das cidades, os assalariados agrícolas e os camponeses pobres que barraram o caminho e derrotarem as investidas da “Santa-Aliança" da Spínola e Champalimaud, Mello, Brito, etc. que tinham como objectivo reinstaurar a ferro e fogo sua autoridade nas empresas nas ruas, atacar o controle operário, a reforma agrária e as liberdades democrática"?
Serão as organizações e os partidos operários que viram, sem excepção, os seus militantes assassinados ou as sedes destruídas e incendiadas, ou os seus comícios e manifestações atacadas e boicotadas pelos bandos fascistas do ELP-MDLP, aliados à CAP à CIP, ao PPD e ao CDS?
Não camaradas.
Quem quer o regresso de Spínola são aqueles que sempre choraram a sua partida e ansiaram pelo seu regresso, são as organizações e os partidos burgueses, o patronato nacional e internacional, a hierarquia militarista, fascista a reaccionária.
Depois da feita a experiência-piloto do regresso do fascista Sanches Osório (preso e solto oito dias depois...) e que hoje dirige impunemente o pasquim fascista "Liberdade", as forças burguesas preparam-se para impor o regresso do seu ex-chefe.
E por mais certidões de óbito que Eanes procure passar à figura de Spínola, afirmando que ele é "politicamente um homem morto”, o certo é que, camaradas, Spínola está para a reacção tal como um corpo está para a sua imagem reflectida num espelho.
Com o seu regresso as forças reaccionárias ganharão mais força e confiança para prosseguirem os seus ataques aos trabalhadores e às suas organizações sindicais e politicas, para intensificarem a sua ofensiva que o 25 de Novembro iniciou, que a eleição de Eanes consolidou e que as medidas anti-operárias e anti-populares do VI Governo e do próximo facilitarão.
A tentativa de fazer regressar Spínola é pois o prolongamento lógico da ofensiva que os capitalistas, o VI Governo e os chamados "conselheiros da revolução" têm vindo a desencadear contra os trabalhadores e no seguimento da qual se ataca o poder de compra massas aumentando os preços dos produtos essenciais, reinstaurar a autoridade patronal nas empresas eliminando o controle operário e pondo em causa as comissões de trabalhadoras, atacar a reforma agrária a as liberdades democráticas e transformar o exército e os trabalhadoras fardados em instrumentos de repressão sobre as lutas e os direitos económicos, sociais, sindicais e políticos dos trabalhadores.
Protegidas pelo seu “amigo” Eanes, pela justiça burguesa nos tribunais burgueses que irão julgar (se julgarem...) mais um "crime de delito comum” (igual com certeza ao do Sanches Osório), as forças da direita preparam-se para impor paulatinamente, sorrateiramente, o regresso de Spínola e sem que esta verdadeira provocação ao conjunto do Movimento Operário passe sem qualquer resposta! E nem o próximo "governo PS sozinho”, obrigado como está a ficar debaixo das pernas do presidente burguês a amarrado à nova maioria eleitoral das eleições presidenciais", poderá levantar um dedo que seja contra esta provocação da burguesia, por mais "socialistas” que sejam as suas intenções.
Para derrotar mais esta, provocação burguesa, para impedir o regresso de Spínola e para travar o passo à ofensiva capitalista, só a mobilização unitária dos trabalhadores o pode conseguir!
Prova-o o facto de Spínola ter sido obrigado a saltar de país para país sob a pressão das mobilizações da massas na França, na Suíça, na Alemanha que forçaram os governos burgueses desses países a considerar Spínola como "indesejado”.

Spínola não pode voltar!
E da mesma maneira que todos nós trabalhadores militantes operários e intelectuais anti-fascistas, independentemente do partido a que pertencemos, conseguimos derrotar Spínola e os planos da burguesia no 28 de Setembro e no 11 de Março, também agora na unidade o na luta podemos vibrar um golpe nos ataques e na escalada da burguesia. Nas empresas, nas fábricas, nas oficinas e nos escritórios, nas herdades e nas cooperativas agrícolas, é preciso erguer um forte movimento de protesto e de repúdio contra esta provocação reaccionária, denunciando-a e preparando e organizando desde já, a partir das CTs e dos sindicatos, e resposta unitária e massiva dos trabalhadores!
Nenhum partido, nenhuma organização que se reclama dos trabalhadores e do socialismo pode manter-se no silêncio, pode alhear-se desta provocação dirigida contra todos os trabalhadores.
À unidade dos partidos da burguesia para impor o regresso de Spínola devem os partidos operários opor a sua unidade para impedir o regresso da Spínola, nas empresas e nos bairros, na Assembleia da Republica e nas ruas! Que os deputados dos partidos operários na Assembleia da República, do PS, do PC a da UDP, impeçam por todos os meios ao seu alcance, o regresso de Spínola!

SPÍNOLA NÃO ENTRA CÁ! A REACÇÃO NÃO PASSARÁ!
CONTRA O REGRESSO DE SPÍNOLA E PARA TRAVAR O PASSO À OFENSIVA CAPITALISTA - UNIDADE E LUTA DOS TRABALHADORES!

Comité Executivo da Liga Comunista Internacionalista
14/7/78




Sem comentários:

Enviar um comentário