sexta-feira, 13 de julho de 2018

1978-07-13 - FIRMES NA LUTA! CONTRA A TRAIÇÃO! - Movimento Estudantil


COMUNICADO DE 13/7/78
POR UMA ESCOLA DEMOCRÁTICA E POPULAR

FIRMES NA LUTA!
CONTRA A TRAIÇÃO!

(COMUNICADO SOBRE A ULTIMA RGA)
A RGA da passada 5ª feira, 6 do corrente, foi unânime no repudio das medidas em preparação ao nível, do Conselho Pedagógico, bem como no protesto face à reintegração dos fascistas saneados e ao Numerus Clausus de 300 novos estudantes em 1978/79.
Porém, essa unanimidade dos estudantes, manifestação duma verdadeira vontade de lutar contra as medidas de elitização do ISE, que lhe advém da consciência clara das consequências que elas vão ter sobre si, não se concretizaram na aprovação dum caderno reivindicativo e em formas de luta que permitam aos estudantes obter uma vitória nesta luta que, quanto a nós vai rebentar e ter o seu desfecho decisivo no próximo ano lectivo, logo no seu início.

De salientar, desde já, o facto de a disposição da dir. AE para levar a luta para a frente, estar na razão inversa da quantidade de  tempo que vão levar a publicar as decisões da RGA.
Mas esse atraso na publicação não nos deve preocupar na medida em que tal proposta é o supra-sumo da demagogia e encerra nas suas entrelinhas o gérmen da traição e da derrota dos estudantes, caso não seja esmagada e combatida.
As razoes porque dizemos isto vão a seguir:
I. Partindo do princípio de que "... é impossível; sem enormes prejuízos, para o normal funcionamento da escola, fazer prevalecer administrativamente medidas contra a vontade estudantil . "(7º Considerando) (Sub. nossos) a dir. AE não aponta o repúdio total das medidas, tais como os 7 anos, mas sim propõe "Recusar a passagem do curso nocturno de 5 para 7 anos, de toda e qualquer medida que atinja os trabalhadores-estudantes sem auscultação prévia destes e da escola.” (Ponto 2.º) da proposta).
O que, trocado por miúdos, significa que a dir. AE aceita o aumento para 7º anos se tal medida não for administrativa (pretendê-la-á facultativa? - mas não teria ela o mesmo significado e não acarretaria um divisionismo ainda maior?) e desde que ela seja tomada com a auscultação, prévia destes e da escola." Como, desde a RGA, a dir. AE se considera monopolista da representatividade dos estudantes (coisa que os estudantes não Consideram!) está clara que a tal auscultação se dirigirá a suas eminências...
II. A proposta não recusa qualquer tipo de faltas, mas apenas o regresso ao regime de faltas eliminatórias." (ponto 2.a). Pudera se a UE"C” tem defendido, desde 1975, a sua existência e tem sido zelosa cumpridora de tão "disciplinante” medida! Para os outros... não para eles!
III. A proposta não recusa o Numerus Clausus de 300. Diz apenas que "... o CC e o CD não enviem ao MEC qualquer proposta de Numerus Clausus."(ponto 2.b) Sucede que a acta nº 9 de 19/6 da Reunião do CD ”... recomenda que se insista com o MEC no sentido de apenas entrarem 300 novos alunos”. Estranho ISE, este! Se não fosse o atentado à física que cometeríamos, diríamos que o ISE está no mundo da anti-matérias nas outras escolas O MEC exige o N. Clausus, no ISE, o CD exige ao MEC..! Mas apesar desta posição reaccionária e escandalosa, a proposta longe de atacar e repudiar a proposta do CD, fica-se apenas por exigir que este não de qualquer indicação ao MEC...
IV. A proposta fica por um vago repúdio da reentrada em funções dos fascistas saneados. Escamoteia que eles já estão reintegrados há muito tempo (desde 1977) e ignora, embora a dir. AE não o desconheça, o facto de tais trastes há muito terem recebido os seus ordenados, (ver ponto 2.e)
V. É aprovada a marginalização total das CC na preparação do próximo ano lectivo. Segundo a proposta da RGA devem ser constituídas ”... Comissões de Planeamento por anos e cursos que programem as matérias, ritmos de estudo e avaliação no tempo." Tais Comissões deveriam ser paritárias professores-alunos mas ”... enquanto as aulas se não iniciarem a dir. AE deverá representar os estudantes...” (pontos 3. a), b) e c); como tais comissões só fazem sentido antes das aulas começarem as Comissões vão ser dos professores e da dir. AE que, pelas afinidades políticas entre uns e outros começam a deixar antever o que de lá vai sair: testes, faltas, professores incompetentes, etc., etc.
VI. FORMAS DE LUTA. Nenhumas, diríamos. A não ser que o facto de o Portas ir falar com o Pereira de Moura e com o Sousa Ferreira se chame forma de luta a partir da RGA. Pois que para além de a dir. AE ir falar com os órgãos de gestão a outra forma de acção ira a realização de uma AR (que per sinal já estava convocada desde o dia 5/7) que não se realizou por falta de quórum, provocada exactamente por aqueles que votaram em tal proposta (do MES não esteve ninguém e da UEC e UDP muito poucos.)

ESTE CURIOSO MUNDO EM QUE VIVEMOS
1. Numa moção apresentada (e aprovada) contra o FMI e a absolvição do fascista Tomas, na RGA, a direcção AE absteve-se! Exigências da política da plataforma de "unidade nacional”...
2.  Os nossos temores confirmam-se! A UDP e o MES entraram de férias... Na RGA ninguém deu por eles, e os que lá estavam agarraram-se às fraldas da mãe, a UE"C”...
3. O MEC exigiu o pagamento dos ordenados em atraso do fascista Proença. O CD longe de repudiar em termos enérgicos tal provocação, limitou-se a limpar a água do capote, remetendo o processo, para a DGES...





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