terça-feira, 10 de julho de 2018

1978-07-10 - PELA UNIDADE CONTRA A DIVISÃO! - UDP



PELA UNIDADE CONTRA A DIVISÃO!
POR UMA CT DE UNIDADE ANTIFASCISTA

Camaradas, Companheiros e Amigos
Qualquer trabalhador antifascista e democrata que lutou pelo 25 de Abril ou que acreditou e apoiou com a sua acção os seus ideais libertadores e a necessária mudança que o Povo trabalhador conseguiu através da luta, após essa data, verifica que todas as grandes conquistas de Abril estão sob o ataque feroz das forças da direita e também sob a cumplicidade daqueles que através da conciliação lhes abrem o caminho.
A acção do governo PS/CDS, tal como a UDP e outras forças antifascistas previram, na altura da sua formação, caracteriza-se por uma subjugação completa ao imperialismo através das imposições do FMI.

O custo de vida aumenta assustadoramente. A reforma agrária sofre novos ataques. Os camponeses vêm a sua miséria aumentar à custa do enriquecimento dos grandes intermediários. As liberdades são atacadas. Os responsáveis máximos da rede bombista são escandalosamente absolvidos. As forças mais reaccionárias, reunidas em tomo de Kaulza e Sá Carneiro, unem-se no ataque à Constituição exigindo a destituição do C.R. e preparam-se para fazer voltar o nosso País à miséria e à repressão do 24 de Abril.
Perante esta grave situação que o nosso País atravessa só a unidade de todos os antifascistas, democratas e patriotas poderá fazer face à ameaça do fascismo, impedir que a miséria se instale nos lares dos trabalhadores.
É por essa unidade antifascista que a UDP luta sem sectarismos, certa de que todos os trabalhadores identificados com o 25 de Abril, independentemente do partido a que pertençam ou mesmo sem partido, sentem e querem realizar.

POR UMA CT DE UNIDADE ANTIFASCISTA
Todos nós sabemos que o “revolucionarismo” dos actuais membros da CT veio perdendo folgo e hoje praticamente limitam-se a fazer comunicados muitos deles de carácter abertamente reaccionário. Mas é após o 25 de Novembro que a sua prática, contrária ao 25 de Abril. Vem a tornar-se mais clara aos olhos dos trabalhadores. Após a sua tomada de posição face à manifestação do movimento sindical, realizada em 19 de Nov. de 1977, comparando-a a uma manifestação fascista, inicia-se o movimento de contestação à CT.
Numa reunião aberta a todos os trabalhadores e amplamente convocada é eleito um Grupo, Dinamizador composto por vários antifascistas, entre eles elementos da UDP, do PCP e camaradas independentes. Este grupo inicia a sua actividade recolhendo um abaixo assinado exigindo à CT a realização de um Plenário. Esse abaixo assinado, que recolheu centenas de assinaturas, foi entregue a CT no dia 27 de Junho de 1978 não tomando esta até agora qualquer posição.
Após várias reuniões do Grupo Dinamizador foi decidido que no plenário se apresentaria uma lista para uma CT Provisória que teria um mandato de 3 meses ao fim do qual realizaria eleições por listas e voto secreto.
Foi na discussão da constituição da CT Provisória que se levantaram divergências que levaram ao abandono do processo dos elementos do PCP.
Para a formação da CT Provisória propuseram os elementos do PCP que o seu número, fosse de 10 elementos, 5 do PCP e 5 da UDP. Face a esta proposta defendemos que não deveria haver hegemonia partidária (estávamos de acordo que houvesse um nº igual de elementos para as duas forças politicas) mas teriam que participar trabalhadores independentes ou de outras forças políticas.
Como não houve acordo dentro do Grupo Dinamizador, face a estas duas posições, foi aí decidido marcar uma reunião alargada a todos os trabalhadores onde se aprovaria a proposta mais correcta. Face a isto os elementos do PCP foram peremptórios em afirmar que se a reunião alargada não aprovasse a sua proposta saíam do processo, dizendo ainda que se quisessem apareceriam em peso e aprovavam o que entendessem.
Realizou-se a reunião alargada e os elementos do PCP que estavam no Grupo Dinamizador não apareceram para defender a sua proposta. Nesta reunião, foi aprovada a proposta que defendia a participação de trabalhadores independentes e que não houvesse hegemonia partidária. Foram igualmente eleitos para reforçar o (GD) mais alguns camaradas, 2 independentes e 2 do PCP. Posteriormente estes 2 camaradas do PCP viriam a afastar-se do processo cumprindo directivas dos seus dirigentes.
O processo tem-se alargado com a inclusão de mais camaradas independentes e na proposta do Grupo Dinamizador não irão estar em maioria os elementos da UDP, constituindo-se assim uma lista verdadeiramente unitária.
Camaradas, companheiros e Amigos
Estamos perante a possibilidade de no próximo plenário, para destituir a actual CT, aparecerem duas listas para a CT Provisória, dizendo-se de esquerda.
Estamos pois perante a possibilidade de os trabalhadores antifascistas aparecerem divididos facilitando-se assim o caminho à direita.
É pois tempo de vermos quem devemos de apoiar, quem defende a unidade e quem quer a divisão dos antifascistas.
Uma questão que deve ficar bem clara é que tudo continuaria da melhor forma se os elementos do PCP que estavam em princípio no Grupo Dinamizador, tivessem aparecido na reunião alargada dispostos a aceitar a democracia dos trabalhadores. Em vez disso preferiram o velho processo de cada partido apresentar a sua própria lista o que na prática tem, em muitos casos, dado a vitória à direita.
Não podemos permitir que a divisão se concretize. O grande objectivo de unir todos os trabalhadores de esquerda, independentemente da sua opção partidária, é não só possível como necessário e urgente.
A última palavra cabe a todos os militantes e simpatizantes dos partidos que falando em unidade, na prática, manifestam um sectarismo doentio que poderá trazer consequências graves para a unidade aos trabalhadores.
Pela parte da UDP reafirmamos o nosso desejo de unidade com todos os trabalhadores que estão dispostos a defender consequentemente as conquistas do 25 de Abril, por um País de progresso, de Liberdade e de bem estar para o Povo.

TODOS AO PLENÁRIO!

Lisboa, 10 de Julho de 1978
O Secretariado do núcleo da UDP dos TLP



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