sábado, 7 de julho de 2018

1978-07-07 - DECLARAÇÃO DAS ESTRUTURAS REPRESENTATIVAS DOS ESTUDANTES DO ENS. SEC. DE LISBOA: - Movimento Estudantil



DECLARAÇÃO DAS ESTRUTURAS REPRESENTATIVAS DOS ESTUDANTES DO ENS. SEC. DE LISBOA:
- DAE E.I. Af. Domingues
- DAE E.I. Luísa de Gusmão
- DAEE.T. Cacem
- DATE E. D. Maria I
- DATE E. S. V.F. Xira
- DAE E.P. Alverca

À JUVENTUDE ESTUDANTIL DO ENSINO SECUNDÁRIO:
O MEC LANÇOU OS EXAMES AS DIRECÇÕES VENDIDAS FORAM A TROPA DE CHOQUE!

Se na altura em que os estudantes do ensino secundário, se encontram submetidos a um dos mais pesados sistemas de selecção, cuja finalidade encontra resposta na política do governo para o ensino, de fazer pagar a crise à custa dos trabalhadores e dos seus filhos, e do qual sistema, o Cardia é apenas um fiel interlocutor, tal como o foram o ministro fascista Veiga Simão ou os ministros do governo de Vasco Gonçalves, se os estudantes, dizíamos, não retirarem as lições de quase dois períodos de luta, eles jamais vão compreender porque e que toda a sua combatividade não impediu que uma extrema selecção se estivesse agora a operar, nomeadamente em disciplinas como matemática na Escola Técnica de Alverca, ou Teoria Geral de Máquinas na Escola Industrial Machado de Castro, nos cursos complementares, onde a média de chumbos andou na ordem dos 90%, e jamais vão poder levar alguma das suas lutas à vitória.
As Estruturas Representativas dos Estudantes do Ensino Secundário, que logo em meados do segundo período, denunciavam o carácter selectivo e anti-estudantil dos decretos que instituíam os exames obrigatórios no 9º ano unificado e aboliam as dispensas nos cursos complementares, e chamavam os estudantes a lutar contra essas medidas, e a organizar-se em torno dos seus órgãos próprios, como sejam as Associações de estudantes, ou as comissões de luta então formadas, onde esses primeiros, eram órgãos vendidos ao MEC, não podem deixar de imputar às direcções associativas, que constantemente batiam palmas à política do Cardia, e no fim de contas a sua também, a principal responsabilidade por os estudantes verem agora, toda a confiança que tinham na vitória e os seus anseios a uma entrada na Universidade ou à continuação dos seus estudos, substituída Dela desilusão e pela amarga realidade dos chumbos em massa.
Foram as estruturas vendidas que hoje fazem parte da fantasmagórica coordenadora nacional, cuja principal característica foi a de ter deixado de existir no dia em que nasceu, precisamente porque os estudantes não lhe deram qualquer aval para se manter, que logo que a luta despontou diziam que os decretos eram pedagógicos, e mais tarde, mudando de cana mas não de intenções, vieram a lançar um abaixo assinado, cujo principal objectivo, era o de pretender transferir a combatividade dos estudantes para a esferográfica, e deixá-los assim desarmados e entregues aos desígnios do MEC.
Essas estruturas, sob pretexto de que a luta dos estudantes, deveria ser conduzida com abaixo-assinados e negociatas palacianas, opuseram-se a que os estudantes se organizassem e reforçassem os seus órgãos próprios, condição essencial para que a luta se pudesse manter e desenvolver, e depois de terem transformado a luta dos estudantes em combates dispersos, sem uma orientação unificada e completamente à deriva, convocam uma "jornada de luta", que outra coisa não poderia ser, que uma pesada derrota para o movimento estudantil, o materializar da desilusão entre os estudantes e a abertura de todo o campo ao MEC, para poder levar por diante os seus objectivos.
Findo isto, cumprida a tarefa que é sempre atribuída aos vendidos, essas estruturas sentem que já não tem mais nada a fazer, e convocam um encontro das suas hostes, para dizer que a luta acabou, já não há condições para lutar, o que o mesmo é dizer; já cumprimos a tarefa que o Cardia nos deu, podemos ir descansar.
E como qualquer espécie canina, depois de fazer o que o dono lhes manda, também quer o seu osso, essas estruturas vão-se comprazer da traição que fizeram aos estudantes, e dos seus serviços a bem da nação, convocando acampamentos, enquanto nas escolas os estudantes chumbam. Mas até isso fazem a mando do governo, ou não fizesse parte dos planos dos organismos do governo para a juventude, a difusão deste tipo de actividades. — “Unidos na luta, unidos no lazer" — tal é o lema que se poderia atribuir ao coro constituído pelo ministério de Cardia e aos seus lacaios.
O caminho que as Estruturas Representativas dos Estudantes do Ensino Secundário apontam, é completamente diferente o caminho da luta, mas a convicção de que essas lutas não podem sair vitoriosas sem que os estudantes se libertem dos seus inimigos internos, dos mais fiéis aplicadores da política do MEC, e substituam essas direcções associativas vendidas, por órgãos que sejam a expressão da sua própria vontade.

VIVA A JUSTA LUTA DA JUVENTUDE ESTUDANTIL.
DESTITUAMOS AS DIREÇÕES TRAIDORAS!

Lisboa, 7 de Julho de 1978



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