sexta-feira, 6 de julho de 2018

1978-07-06 - Unidade Popular Nº 167 - PCP(ml)


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O encontro Eanes-Neto: um grave erro da diplomacia portuguesa

O encontro Eanes-Ne­to suscitou indignação em diversos sectores democráticos nacionais. Esse sentimento de repúdio não foi veiculado pelas direcções dos partidos democráticos burgueses mas esteve presente em muitos dos militantes e aderentes desses partidos.
Pela nossa parte, não estamos convencidos de que, pe­lo facto de ter promovido este encontro, a diplomacia portuguesa e o Presidente Eanes se tenham de repente tornado pró-russos e pró-cubanos. Este gesto inscreve-se numa tática mais geral das forças anti-sociais-imperialistas ocidentais em relação a Angola. Pensam essas forças que, aproximando-se do «governo» de Angola, e dando-lhe um certo apoio político, poderão afastá-lo do social-imperialismo russo.

Não condenamos em absoluto a tática da aproximação a determinado país que está sob o domínio do social-imperialismo no sentido de tentar diversificar as suas relações internacionais, agudizar as suas contradições com os russos e assim subtraí-lo à influência do Kre­mlin. Esta tática é justa nomeadamente em relação a diversos países do Terceiro Mundo que o social-imperialismo tenta dominar mas cujos governos não se resignam a ser meros fantoches e procuram fugir à bota brejnevista.
O que nos parece também é que esta não é hoje a tática justa em relação ao «governo» de Angola. E isto por duas razões.
A dependência, o enfeudamento, a fidelidade da camarilha Neto ao Kremlin é tão evidente e de tais proporções que não julgamos que Neto deva ser elogiado por tentativas (onde estão elas?) de se subtrair à influência do social-imperialismo mas antes criticado pelas provas quotidianas que dá da sua subserviência face aos russos.
O apoio à camarilha Neto é hoje um insulto e uma traição às forças patrióticas angolanas que, organizadas, lutam de armas na mão contra o ocupante russo-cubano.
Por tudo isto, cremos que hoje a única posição justa e eficaz para combater o social-imperialismo russo em Angola e servir os interesses do povo angolano é denunciar o enfeudamento do governo-fantoche de Luanda e apoiar energicamente a luta das forças patrióticas angolanas contra a opressão estrangeira.

Elogios que não foram retribuídos
Um outro aspecto do encontro Eanes-Neto foi a atitude do Presidente português para com o fantoche pró-russo de Luanda.
No discurso que lhe dirigiu, Eanes classificou Neto como «um poeta de sensibilidade» e até identificado «com a própria personalidade da nação angolana». Se a política geral do «governo» de Neto é mais que suficiente para provar o contrário, divulgamos um exemplo revelador passado na própria cimeira: Neto deslocou-se num avião em que a tripulação era russa, o pessoal de bordo russo e cubano. Um indivíduo rodeado de russos pode alguma vez identificar-se com a nação angolana?
Mesmo que a tática da diplomacia portuguesa ao promover o encontro fosse correcta, estamos certos de que as exigências protocolares não iam tão longe Tanto mais que Neto não retribuiu os elogios quando, por sua vez, se dirigiu a Eanes...
Humilhar o País, não! Perante fantoches, muito menos!






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