sexta-feira, 6 de julho de 2018

1978-07-06 - UDP INFORMAÇÃO Nº ESPECIAL - UDP



UDP INFORMAÇÃO Nº ESPECIAL
N° 16 - 6 DE JULHO DE 1978

CONSELHO NACIONAL PROPÕE UNIDADE ÀS FORCAS ANTIFASCISTAS
• POR UM TRAVÃO À DESASTROSA POLÍTICA DO GOVERNO PS/CDS
• PROPOSTA A REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES GERAIS ANTECIPADAS
• COMISSÃO PERMANENTE MANDATADA PARA CONTACTOS COM PARTIDOS E CORRENTES ANTIFASCISTAS
• INICIATIVAS CONCRETAS DE UNIDADE NA BASE
Dia 2 de Julho, em Lisboa, o Conselho Nacional da UDP esteve reunido em sessão plenária e aprovou importantes resoluções. A mesa que dirigiu os trabalhos — composta pelos camaradas António Coelho, Raul, Armando Norte, José Vasconcelos e Acácio Barreiros — começou por pôr à aprovação algumas propostas organizativas. Seguidamente o Conselho Nacional estudou uma resolução política elaborada pelos camaradas Acácio Barreiros e Mariano Castro e ouviu uma intervenção explicitativa das propostas da Comissão Permanente feita pelo camarada Nuno Crato. O documento político foi depois aprovado por unanimidade. Finalmente, após deliberar pela cooptação do camarada Eduardo Veloso, o CN ouviu uma exposição do camarada Filipe Faria sobre os problemas dos emigrantes e aprovou uma proposta para o desenvolvimento do trabalho político na emigração.

ESTE GOVERNO ARRASTA OS TRABALHADORES PARA A MISÉRIA E A BANCARROTA
A acção do governo PS/CDS está-se traduzindo pelo cumprimento fiel das exigências da direita. O nível de vida dos trabalhadores não pára de descer. Os preços aumentam continuamente e o desemprego atinge números alarmantes. A reforma agrária sofre novos ataques com a intensificação da entrega de reservas aos latifundiários. Os camponeses, esmagados pelos intermediários, pelos impostos e pelos senhorios ricos, vêem aumentar a miséria. As consequências dos acordos com o FMI estão já a dar os seus frutos: pequenas e médias empresas vão à falência arrastando milhares de trabalhadores para o desemprego. O país está cada vez mais hipotecado ao estrangeiro e a bancarrota aproxima-se.
Ao mesmo tempo, a polícia cresce de arrogância, espanca e assassina antifascistas. As liberdades são atacadas. A direita, congregada em torno de Kaúlza e Sá Carneiro procede a novas investidas. Os presidencialistas e os militaristas fazem mais exigências como o mostrou o discurso de Jaime Neves nos comandos.
Para fazer face à ameaça fascista, para impedir a miséria dos trabalhadores, para salvar o país da bancarrota é necessário pôr urgentemente fim à acção deste governo!

NA RESISTÊNCIA POPULAR E ANTIFASCISTA ESTA SENDO ABERTA UMA ALTERNATIVA DEMOCRÁTICA
Os trabalhadores não têm cessado de lutar e resistir a esta política antipopular e antinacional. Desde a formação do governo PS/CDS mais de um milhão de trabalhadores esteve em greve. A grande jornada do 1º de Maio, a jornada de luta da Madeira, as grandes manifestações contra a alta do custo de vida, as greves dos operários da construção civil, dos professores, da Função Pública e de outros sectores e empresas são a prova clara dessa resistência.
 Ao mesmo tempo, uma corrente unitária, popular e antifascista tem-se vindo a afirmar em acções de profunda repercussão política. O Tribunal Cívico Humberto Delgado, a luta contra o regresso do fascista Tomás, a unidade revelada no funeral do José Jorge mostram que é possível e necessário criar um bloco antifascista e patriótico que — tendo como centro, não a conciliação e adaptação ao avanço da direita praticadas pelo PCP, mas a defesa popular das conquistas de Abril — abra uma alternativa ao país.

ELEIÇÕES GERAIS ANTECIPADAS PARA ABRIR NOVAS PERSPECTIVAS
Eleições gerais antecipadas representam uma saída constitucional que abrirá novas perspectivas para levar adiante a exigência popular de uma nova política. Lutando por eleições gerais antecipadas, lutaremos contra o governo PS/CDS e por conquistar um novo governo que defenda as conquistas de Abril.
Nenhuma saída favorável é possível no quadro do actual parlamento. As formações políticas burguesas actuam contra a vontade popular e é em vão que invocam a legitimidade do voto que traíram. A formação do primeiro e do segundo governo mostraram que a maioria que domina S. Bento é uma maioria da direita contrária à vontade popular.

COMISSÃO PERMANENTE MANDATADA PARA INICIAR CONTACTOS COM O MES, A UEDS, O PCP(R) E TODAS AS FORÇAS ANTIFASCISTAS
As recentes propostas da UEDS, do MES, do PCP(R) e da UDP são propostas de unidade que assentam na mobilização popular e não na conciliação.
Às diversas organizações políticas antifascistas, aos militantes e eleitores do PS e do PCP, aos católicos progressistas, às correntes democráticas, às personalidades antifascistas a UDP apresenta os seus quatro pontos de luta: A defesa das liberdades e da Constituição; a defesa das condições de vida da classe operária e dos trabalhadores; a defesa da reforma agrária e dos direitos dos camponeses; a defesa da independência nacional.
O Conselho Nacional mandata a Comissão Permanente para iniciar desde já contactos com todas estas organizações, com todas as correntes e personalidades antifascistas para debater em comum as propostas de unidade.

INCENTIVAR OS ESFORÇOS DE UNIDADE NA BASE
A tarefa decisiva é a unidade na base e na acção com todas as organizações antifascistas, com os militantes, simpatizantes e eleitores do PS e PCP, com todos os trabalhadores democratas. O Conselho Nacional decidiu incentivar todos os esforços de discussão, aproximação e unidade na base, em acções concretas, nas lutas nas empresas e locais de trabalho.
As acções unitárias, reuniões, sessões conjuntas, declarações comuns, o debate na base sobre as batalhas a travar contra o fascismo e a acção governativa, são as armas principais da unidade popular antifascista.

UM ÊXITO O ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES
Com cerca de 750 professores, entre os quais elementos da UEDS, do MES, do CEC e muitos professores sem partido, o Encontro Nacional realizado no último fim de semana em Lisboa constituiu um importante passo em frente na definição de uma alternativa de luta por uma escola de Abril.
Acácio Barreiros, intervindo no final do Encontro, salientaria o exemplo de unidade nele demonstrado. A unidade antifascista seria também aliás a tónica das intervenções da UEDS, do MES e do CEC.

UM ANO SOBRE O ASSASSINATO DE LUÍS CARACOL
Dia 13 de Julho, faz um ano que Luís Caracol foi assassinado pela Polícia de Intervenção quando se encontrava em Santa Clara apoiando a exigência de libertação de Rui Gomes.
A UDP apoia a romagem ao cemitério de Mafra e as realizações unitárias que nesta data irão ter lugar e apela a todos os seus activistas para nelas se integrarem honrando o camarada assassinado e manifestando o repúdio popular pelos crimes da PSP e do fascismo.

REUNIÃO SECTOR MADEIRAS
Dia 7, às 21 horas na sede de Lisboa na Rua Bernardo Lima, terá lugar uma reunião para análise dos problemas do sector e definição de perspectivas. Esta reunião é aberta a todos os membros da UDP e a todos os trabalhadores deste ramo de produção.

DESENVOLVER A ACÇÃO DA UDP ENTRE OS EMIGRANTES
O Conselho Nacional atribuiu a todas as Comissões Distritais a tarefa de organizarem, no período do verão em que os emigrantes vêm a Portugal, uma série de sessões sobre os problemas da emigração.
Em todas as sedes distritais deverão ser organizadas quinzenalmente sessões especiais. Deverão também ter lugar sessões de esclarecimento para o mesmo efeito. Na agitação e nos comícios um especial destaque deve ser dado aos problemas dos trabalhadores que se viram forçados a abandonar a pátria. Caberá também às Distritais a tarefa de recolher contactos com camaradas e simpatizantes da emigração que deverão depois ser entregues ao Conselho Nacional.
Entretanto, a Distrital de Viseu da UDP informou que deu já o seu apoio ao Dia do Emigrante promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do distrito.

A BATALHA ORGANIZATIVA CENTRADA NAS ESTRUTURAS DISTRITAIS E LOCAIS NÃO SE REALIZARÁ A CONFERÊNCIA NACIONAL
O Conselho Nacional, analisando as tarefas políticas e organizativas que hoje se colocam, salientou:
- a urgência de todos os activistas se empenharem desde já na acção prática com vistas a tornarem realidade as novas propostas de unidade antifascista;
- a importância de centrar a batalha organizativa nas conferências distritais e nas estruturas distritais, concelhias e de zona.
Por estas razões não se via que a Conferência pudesse dar um avanço significativo do ponto de vista político e organizativo que merecesse a sua convocação, o Conselho Nacional decidiu pois desconvocá-la, marcar uma reunião ampliada para debater os problemas organizativos e dar toda a atenção à batalha organizativa na base. O prazo para a realização das conferências distritais, que deverão ser alvo de esforços cuidados, ficou prolongado até 30 de Setembro.

"UDP INFORMAÇÃO" QUINZENAL
A Folha Informativa da UDP passará a sair quinzenalmente. O próximo número sairá pois na quarta-feira dia 19 de Julho. A sua tiragem irá temporariamente diminuir devido à época do ano e a dificuldades económicas.
O Gabinete de Imprensa continua a solicitar a todas as Distritais e estruturas da UDP o envio regular de informações sobre comícios e outras realizações da UDP de forma a estes poderem ser anunciados no "UDP — Informação".






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