domingo, 29 de julho de 2018

1975-07-00 - Contra a política de exploração e guerra dos capitalistas e do seu estado! - Toupeira Vermelha


Contra a política de exploração e guerra dos capitalistas e do seu estado!
Pelo apoio às lutas dos operários e trabalhadores da TAP!
Operários trabalhadores e estudantes um só combate!

Camaradas:
Em Portugal a luta contra a intensificação da exploração, os despedimentos colectivos e o agravamento das condições de vida da classe operária e das massas trabalhadoras, contra o prosseguimento da guerra colonial-imperialista, contra a militarização e a rentabilização capitalista do ensino alarga-se e aprofunda-se:

— das lutas recentes dos estivadores do Douro e Leixões, dos operários da Gefa, Gometna, Simões, Messa, Babcok-Wilcox, Gialco, Abelheira, Brás & Brás, Transul, dos operários agrícolas de Alpiarça, as lutas dos trabalhadores dos CTT de Lisboa, dos operários e trabalhadores da Carris, das Aguas e Saneamento e do Gás e Electricidade do Porto, às lutas dos Bancários de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Guimarães; das acções armadas contra o aparelho militar colonialista da burguesia, às lutas anti-colonialistas dos estudantes de Lisboa, Porto e Coimbra; das recentes lutas dos estudantes do Porto contra a realização do Festival dos Coros Fascistas e contra a repressão que a seguir sdesencadeou, às lutas dos estudantes de Lisboa contra o assassinato de RIBEIRO DOS SANTOS; das lutas contra a introdução dos “vigilantes“ que culminaram nas poderosas manifestações da Graça e Sete-Rios, às presentes lutas dos estudantes do Técnico pelo boicote aos exames;
Todas estas manifestações de luta assinalam um ascenso da combatividade dos operários, das massas trabalhadoras e dos estudantes CONTRA A POLÍTICA DE EXPLORAÇÃO E GUERRA da ditadura fascista do Capital.
Por outro lado, o governo vê-se a braços com o agravamento da sua situação militar na Guiné, Angola e Moçambique, acompanhada dum crescendo da SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL com a luta armada do proletariado e das massas trabalhadoras das colónias.
A sua resposta a todas estas lutas tem consistido, por seu turno, numa escalada do violência repressiva contra os operários, trabalhadores e estudantes, numa intensificação da sua política de genocídio contra as massas trabalhadoras das colónias, num reforço permanente do seu dispositivo de repressão, militar e policial, das suas milícias fascistas (Legião, Congresso dos Combatentes, etc.), na sua tentativa de arregimentação da juventude, mas também em tentativas de neutralizar as lutas revolucionárias através de promessas de “progresso em paz", de "eleições livres para deputados", de "reformas e projectos de desenvolvimento", etc., etc....
Contudo, sectores cada vez mais crescentes da juventude operária e estudantil, tem vindo não só a desmascarar na prática, através da experiência das suas lutas, as manobras demagógicas do governo fascista, mas também a compreender o verdadeiro carácter de classe desse governo. Isto é, que o Estado fascista é um instrumento ao serviço dos patrões, ao serviço da sua política de exploração e guerra, ao serviço da perpetuação da sua dominação de classe. Por isso também, sectores cada vez mais crescentes de trabalhadores e estudantes compreendem a necessidade do combater essa política do poder capitalista, através dos únicos meios que permitam fazer recuar a repressão estatal e patronal.
— que se traduzam por vitórias materiais e um avanço decisivo na luta da classe operária e das massas trabalhadoras;
— que desagreguem o aparelho militar de agressão colonialista em Angola, Guiné-Cabo Verde e Moçambique;
— que, numa palavra assegurem decisivos passos em frente para o derrubamento do poder capitalista e colonialista - e assegurem a vitória do proletariado e das massas trabalhadoras de Portugal e das colónias: A VIA DA LUTA REVOLUCIONARIA ANTI-CAPITALISTA!

Viva a luta dos operários e trabalhadores da TAP
Nos últimos dias, a luta contra a exploração capitalista em Portugal assumiu formas e proporções, que representam um decisivo passo em frente no ascenso da combatividade do proletariado português, lia passada 4ª feira dia 11, na sequência da proibição de uma reunião dos operários e trabalhadores da TAP na “Voz do Operário” para informações sobre o acordo colectivo de trabalho, a polícia carregou sobre os camaradas ali concentrados, que, apesar disso, se dirigiram em manifestação para o Aeroporto. No dia seguinte, a luta prosseguiu nas oficinas do Aeroporto, os operários e trabalhadores recusaram-se a enviar uma Relegação isolada para parlamentar com a Administração. Os esbirros armados do capital atacam uma vez mais, mas deparam com a resistência firme dos operários e trabalhadores que socorrendo-se dos instrumentos ao seu alcance, fazem decisivamente frente às arremetidas da polícia, que dispara rajadas de metralhadora que viriam a ferir gravemente vários camaradas. GREVE nas oficinas, PARALISAÇÕES “CERA” em solidariedade, do restante pessoal do aeroporto, EXIGÊNCIA VITORIOSA-DA RETIRADA DA POLÍCIA. No dia seguinte, 13 de Julho, novas concentrações, seguidas por novo ataque das forças repressivas. Os operários organizam de novo a sua AUTO-DEFESA e impedem deste modo a entrada da polícia. A luta prossegue e alarga-se ao Aeroporto de Pedras Rubras e outros sectores de trabalhadores, manifestam-lhe o seu apoio.
Desta luta, tanto mais importante quanto se desenrola num sector ligado à exploração colonial e ao apoio logístico ao exército colonialista, fazem-se sentir os ecos entre os estudantes do Lisboa que imediatamente organizam um meeting de solidariedade. Mas não basta enviar moções verbais de apoio, denunciar os crimes da ditadura e cruzar os braços. E necessário que os estudantes de Lisboa e do todo o país, é necessário que os operários e as massas trabalhadoras portuguesas apoiem activamente, por todas as formas ao seu alcance de luta dos operários e trabalhadores da TAP. É necessário que o carácter exemplar das suas lutas, que o seu recurso a NOVAS FORMAS DE LUTA quando é patente e visível o fracasso dos trabalhadores fazerem os seus interesses através de A.C.T. com os patrões, que as suas MANIFESTAÇÕES, que as suas GREVES e PARALISAÇÕES, que a ORGANIZAÇÃO DA SUA AUTO-DEFESA, sejam dadas a conhecer a todos os sectores da população trabalhadora, e que o seu exemplo frutifique, que a LUTA SEJA ALARGADA A outras frentes, e que o combate dos camaradas da TAP não fique isolado o possa resistir eficazmente à repressão fascista!

APOIEMOS A LUTA DOS OPERÁRIOS E TRABALHADORES DA TAP
Cabe-nos pois, camaradas, passar das intenções aos actos, da solidariedade verbal ao apoio directo efectivo, aos operários e trabalhadores da TAP.

- REALIZEMOS ASSEMBLEIAS DE APOIO AOS OPERÁRIOS E TRABALHADORES DA TAP!
- EXIJAMOS A LIBERTAÇÃO DE TODOS OS CAMARADAS OPERÁRIOS PRESOS!
- ORGANIZEMOS PIQUETES DE MEMORAÇÃO À POPULAÇÃO DAS LUTAS DOS CAMARADAS DA TAP!
- ORGANIZEMOS CAIXAS DE APOIO AOS CAMARADAS EM LUTA!
- INCORPOREMO-NOS EM TODAS AS MANIFESTAÇÕES DE PROTESTO CONTRA A REPRESSÃO DO ESTADO DOS CAPITALISTA!
- CONTRA A POLÍTICA DE EXPLORAÇÃO E GUERRA DOS CAPITALISTAS E DO SEU ESTADO!
- OPERÁRIOS, TRABALHADORES E ESTUDANTES UM SÓ COMBATE!

JULHO 1973
TOUPEIRA VERMELHA




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