terça-feira, 17 de julho de 2018

1973-07-17 - VINGUEMOS OS CAMARADAS DA TAP ASSASSINADOS! - FEML


VINGUEMOS OS CAMARADAS DA TAP ASSASSINADOS!

TODOS À RUA! PRAÇA DO CHILE, 5ª FEIRA. DIA 19, ÀS 19.30 H
No decurso de 2 dias apenas os povos de todo o mundo, os povos das colónias e o povo português, são postos perante mais dois actos criminosos de banditismo perpetrados pela burguesia colonial-imperialista, pelo governo colonial-fascista e seus sequazes.
Em todas as partes do globo, na imprensa, na rádio, na televisão, se fez eco do cobarde e bárbaro massacre de 400 elementos moçambicanos, homens, mulheres e crianças da povoação (moçambicana) de Wiriamu, levado a cabo por hordas assassinas do exército colonial-fascista português.

A população heróica de Wiriamu queria a libertação da sua Pátria, queria o fim do regime de escravização e guerra colonial-imperialista. Tal como o povo inteiro de Moçambique ela construirá, com suor e sangue, com trabalho e luta árdua, uma sociedade nova, fraterna e livre.
O exército colonial-fascista, tenebroso braço dos exploradores coloniais-imperialistas, quer o regime de exploração colonial, a guerra imperialista, a humilhação, a morte e o massacre sobre o povo de Moçambique, sobre os povos das colónias. Por isso massacra cobardemente as mulheres e homens heróicos de Wiriamu.
No dia 11 de Julho, os povos de todo o mundo e o povo português são postos ao corrente deste hediondo e miserável massacre.
Um dia depois, no dia 12 de Julho, no Aeroporto de Lisboa, cerca das 15 horas, já não nas pátrias distantes dos povos oprimidos das colónias mas na nossa própria pátria, é perpetrado mais um outro nojento e cobarde crime. Bandos da polícia fascista, às ordens do mesmo governo que massacra diariamente os povos das colónias, às ordens do mesmo governo que massacrou a população heróica de Wiriamu, no dia 12 de Julho, no Aeroporto de Lisboa, por cerca das 15 horas, bandos de assassinos da polícia fascista investem sobre uma multidão de 3000 operários e disparam cobarde e criminosamente sobre eles, à queima roupa. Várias dezenas de operários tombam, alguns assassinados.
No dia 12 de Julho, exactamente nove meses após o assassinato, pela Pide e seus agentes revisionistas, do nosso heróico camarada Ribeiro dos Santos, nós somos alertados por novos crimes perpetrados pelos mesmos carrascos. Nesse dia sangrento, 3000 operários da TAP manifestavam-se diante do edifício da administração da empresa, edifício 25, exigindo entre outras coisas um salário digno. Manifestavam-se contra a fome e a miséria, lutavam contra a exploração capitalista, contra o patronato que arrecadara, só no ano de 1971, 83.000 contos, à custa do suor e do sangue da classe operária, lutavam. E lutavam duro. As vozes colaboracionistas, cúmplices dos exploradores, a voz dos revisionistas que clamavam pela calma e preparavam "a conciliação", as negociatas e os abaixo-assinados, haviam sido soterradas pela voz da própria classe operária, pela vos do futuro, da Revolução. Tal como quando foi assassinado o heróico camarada Ribeiro dos Santos, tal como ainda hoje entre os estudantes, também entre os operários da TAP havia uma luta entre as duas linhas. A linha colaboracionista e a linha revolucionária, A linha proletária, da liberdade, da Revolução e a linha da contra-revolução e da traição. A linha marxista-leninista-maoista e a linha revisionista. Os operários da TAP também enfrentaram e enfrentam pela frente a polícia fascista e pela retaguarda os agentes revisionistas.
Vendo que os seus agentes eram incapazes de suster a determinação e a justa ira dos operários, o governo do carrasco Marcelo, a instâncias dos capitalistas da TAP, enviam as suas hordas assassinas contra a multidão. Os operários, unidos como um só homem, responderam golpe por golpe aos criminosos da polícia de Caetano. Nas oficinas, nas instalações do Aeroporto, nos hangares, armados das suas ferramentas, dos martelos, das chaves, dos maçaricos, dos utensílios com que constrói dia a dia o mundo, os operários resistiram heroicamente. Às armas dos assassinos, responderam com as armas que possuíam. Mas não hesitaram um momento no combate, porque sabem que a sua luta é justa e uma causa justa vencerá inevitavelmente. Porque sabem que só com luta dura, com suor e com sangue, alcançarão a vitória. Porque sabem que novas forças, novas armas só se poderão forjar e forjar-se-ão no combate libertador.
Camaradas Estudantes!
Quando há nove meses atrás um estudante, um filho do povo, um revolucionário que defendia os sublimes ideais do proletariado foi assassinado, quando foi assassinado o primeiro marxista-leninista português, nós todos, unidos como um só, levámo-lo a enterrar, por entre a nossa raiva e ódio aos assassinos e seus agentes juramos vingá-lo, juramos seguir sempre o seu luminoso exemplo, nós jurámos transformar o assassínio do nosso heróico camarada no enterro dos carrascos.
Connosco, lado a lado, estava o povo e estava a classe operária. E a jura que nós fizemos fê-la o povo e fê-la a classe operária. Porque o povo compreendeu que o nosso camarada era um seu filho querido e a classe operária entendeu que os sublimes ideais da Revolução Proletária iluminavam exuberantemente o nosso camarada, que ele era um fraterno combatente da sua própria causa, que estava na primeira linha do combate aos carrascos e seus cúmplices. A classe operária viu que com o assassinato de José António Ribeiro dos Santos tombava um camarada seu.
Hoje, após os acontecimentos sangrentos de 12 de Julho de 1973, após o massacre dos camaradas da TAP, a classe operária, o povo, os estudantes, voltam a unir-se como um só, estreiam ainda mais a sua unidade e avançam juntos na vingança dos seus mártires, avançam a passo firme pela senda da liberdade, do progresso, da justiça; avançam no caminho que conduzirá ao enterro definitivo dos carrascos. No caminho da Revolução Democrática e Popular, primeiro porto na rota do Socialismo e do Comunismo.
Uma nova época, uma nova aurora vermelha ilumina Portugal! A tendência da revolução cresce e revigora-se. Coube a honra à juventude estudantil ter sido, nestes últimos tempos, corajosa pioneira da nova época, da nova revolução. Os carrascos pressentiram-no e pressentem-no. Foi sobre nós estudantes, que as suas balas assassinas primeiro se despejaria. 12 de Outubro de 1972, 3 de Maio de 1973, para só falar nos combates mais significativos.
Hoje, 12 de Julho de 1973, as balas fratricidas da burguesia alvejaram já não só as multidões de estudantes mas as multidões de operários em luta. Os carrascos, viram o fogo das suas armas criminosas sobre um adversário mais poderoso, mais temperado e mais destemido ainda. Os novos tempos, as novas forças populares, a nova revolução desenvolveu-se com rapidez.
Se os estudantes foram o primeiro porta-bandeira, o primeiro destacamento do povo que anunciou o novo despertar das novas e vitoriosas forças revolucionárias, que anunciou que se põe em marcha o impetuoso caudal do movimento popular de massas, hoje, os estudantes, estendem entusiasmados as suas mãos débeis e preparam-se para passar a grandiosa bandeira vermelha da aurora proletária à classe operária. Esta, estendendo fraterna as suas vigorosas e calejadas mãos, segura já e segurará cada vez com mais firmeza e audácia a bandeira vermelha que flutuará vitoriosamente pelos céus de Portugal.
Eis porque é um marco o 12 de Julho de 1973 e é um marco o 12 de Outubro de 1972.
Os nove meses exactos decorridos entre estes dois marcos históricos, são um constante germinar das forças da vida e o definhar das forças da morte. O germinar das forças da revolução e o definhar das da contra-revolução. O germinar das forças proletárias e o definhar das forças da burguesia e seus lacaios.
As jornadas em vingança do nosso camarada José António Ribeiro dos Santos, as jornadas em vingança do grande patriota guineense Amílcar Cabral e contra a criminosa guerra colonial, até às gloriosas jornadas vermelhas de Maio que alastraram por todo o país e tiveram o seu apogeu com os 20.000 manifestantes no 1º de Maio na baixa de Lisboa são o amadurecimento do combate do povo, com a classe operária à cabeça e indicam com clareza que o elo da contra-revolução foi cortado e que a época da Revolução Proletária se anuncia já por todos os cantos da nossa Pátria.
Lívidos de medo, os carrascos assassinos, como rafeiros perseguidos, buscam apoios por todos os lados, dentro e fora do país. Assim, vendem a pátria aos imperialistas com quem negoceiam tratados desiguais e comemoram o 600º aniversário do jugo imperial britânico sobre o nosso povo explorado e humilhado. O Povo britânico, lado a lado com o nosso, denuncia já nas ruas da sua pátria esta trapaça de vampiros.
Cá dentro com seus cúmplices e sequazes, os carrascos organizam em silêncio as suas eleições. Distribuem entre si os dividendos da exploração ao povo e talvez (quem sabe!) alguns lugares na Assembleia "Nacional" Fascista. São estes os "trinta dinheiros” pelos quais a canalha revisionista e neo-revisionista se esfalfam por dar cobertura, se preparam para mistificar as massas, durante o chamado “acto eleitoral” fascista.
Dentro e fora do país os canecos do povo forjam apoios e cúmplices, organizam as suas forças para perpetrar novos crimes e novos massacres contra os povos das colónias e o nosso próprio povo.
É bem conhecida a sua táctica. Tentam fazer vergar os povos através da força bruta e criminosa e abrir brechas nas suas fileiras. Trapaçam tratados, aniversários, alianças e eleições tentando completar e fortalecer as suas destroçadas fileiras.
Mas eis que a roda da História gira inexoravelmente para a Revolução, para o Socialismo, para o Comunismo. E no seu rodar ameaça submergir e esmagar a reacção, o colonialismo, o imperialismo, o revisionismo e o neo-revisionismo, ameaça destroçar e esmagar completamente os carrascos e todos os seus acólitos e lacaios.
De facto, os crimes da camarilha colonial-fascista e seus cúmplices revisionistas do P”C”P, C”ML”P & Ca. ao contrário de ser um sinal de força, representam a sua fraqueza interior, o seu medo pânico ante o aproximar do grande ajuste de contas.
Como nos ensina Mao Tsé-tung “na história da humanidade, toda a força reaccionária no limiar da morte lança-se, invariavelmente, numa última e desesperada luta contra as forças revolucionárias”.
A burguesia tenta dissimular que se encontra no limiar da morte. Os seus lacaios neo-revisionistas são, neste aspecto, o seu braço mais servil na mistificação das massas. A mesma fraqueza interior e o mesmo medo pânico se apoderou deles. Daí a sua tese do "refluxo" do movimento revolucionário português e do atraso da luta dos povos gloriosos das colónias. De facto, são eles, e a burguesia no seu conjunto que se encontram em refluxo, que se precipitam para a ruína total.
Quanto aos movimentos revolucionários dos povos das colónias encontram-se numa fase avançada, caminham a passos de gigante para a vitória total. Nas pátrias desses povos heroicos os colonialistas semeiam a morte mas colhem derrota sobre derrota.
O grande povo da Guiné em armas, honrando o seu grande chefe assassinado, o heróico patriota Amílcar Cabral, proclamará ainda este ano a independência da sua pátria. Os gritos de glória do povo guineense nesse memorável dia que se aproxima vertiginosamente, só poderá ser abafado gela fúria desesperada dos colonialistas, com o carrasco Spínola à frente, arremessados do solo sagrado da Guiné para o gigantesco Atlântico que os absorverá.
Em Angola e Moçambique o mesmo fim espera os colonialistas opressores. Wiriamu também marca o princípio do fim dos carrascos. O sangue do seu povo heróico aduba e adubará o combate da libertação e apressará o desfecho fatal dos carrascos.
E no nosso próprio país, passa-se algo de radicalmente diferente? Não! Aqui também a Revolução está na mó de cima. Novas e novas camadas operárias despontam para a nova vida. Massas cada vez mais vastas são atraídas para a nova luta. O movimento revolucionário, guiado pela bandeira vermelha do marxismo-leninismo-maoismo, desenvolve-se impetuosamente na senda da vitória. A classe operária à cabeça, amassa com suor e sangue, com o combate duro e tenaz a sua própria organização revolucionária, o seu partido revolucionário marxista-leninista-maoista, o seu estado-maior, o estado-maior da Revolução Proletária.
No nosso país o povo começa por vingar os seus filhos tombados na luta. Novas colunas de novos lutadores levantam-se por todo o lado trilhando o rasto deixado pelo sangue dos seus irmãos. E as suas forças, plenas de ímpeto e vitalidade revigoram-se ainda mais no ódio à exploração e aos crimes dos opressores, adubam-se com o sangue generoso, vivo e vermelho dos seus mártires, fertilizam-se com a coragem e a fé dos seus heróis.
CAMARADAS!
A hora é de combate. De combate duro contra os carrascos fascistas e seus lacaios revisionistas e neo-revisionistas.
Organizemo-nos nas escolas, nas cantinas, nos bairros, nos lares, onde quer que nos encontremos. Mobilizemos largamente todos os esforços e agrupemos as nossas forças no mesmo caudal revolucionário com que os proletariados e o povo vingam os camaradas caídos.
OMBRO A OMBRO COM OS TRABALHADORES DA TAP, COM TODO O POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA, VINGUEMOS OS CAMARADAS ASSASSINADOS! Eis o nosso programa nesta fase.
A FEML apela às vastas massas de estudantes que se organizem e combatam duro. E, de acordo com o apelo e a convocatória do Comité Directivo da Zona Karl Marx do MRPP, conclama-as e convoca-as a manifestar-se na rua, na próxima quinta-feira, dia 19, às 19H30, na Praça do Chile, em Lisboa, em vingança dos camaradas da TAP.

EM FRENTE NA LUTA PELA VINGANÇA DOS CAMARADAS DA TAP!
SOLIDARIEDADE COM OS TRABALHADORES EM GREVE!
MORTE AO REVISIONISMO, AO NEO-REVISIONISMO E AO FASCISMO!
VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR ARMADA!
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
VIVA O SOCIALISMO!
VIVA O COMUNISMO!

EM FRENTE PELA FUNDAÇÃO DO PARTIDO!
VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO!
VIVA O MRPP! VIVA A FEML!

APOIO POPULAR AOS OPERÁRIOS DA TAP!
TODOS À RUA!
DIA 19, ÀS 19H30!
PRAÇA DO CHILE - LISBOA

O Comité Estrela Vermelha - Ribeiro Santos
(Órgão Central da FEML)



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