segunda-feira, 16 de julho de 2018

1973-07-16 - AO POVO PORTUGUÊS - MRPP


AO POVO PORTUGUÊS

CORREU SANGUE OPERÁRIO NAS OFICINAS DA TAP!
VINGUEMOS OS CAMARADAS CAÍDOS!
MORTE AOS CARRASCOS DO POVO!

Nem as cadeias nem as balas nem nenhuma força do mundo pode deter aqueles que se erguem contra a exploração, o arbítrio e a miséria. A revolução portuguesa, a revolução dos explorados e oprimidos da nossa Pátria contra a casta dos exploradores e opressores é absolutamente inevitável. É tão inevitável como o nascimento do Sol todas as manhãs sobre os campos do oriente. Acaso pode alguém deter o nascimento do Sol? Acaso pode alguém impedir que ele se eleve a oriente?

Há cerca de cinco anos, quando o governo do Marcelo Caetano, lacaio dos imperialistas a instalou no Poder, alguns sectores das massas, sob a influência traidora dos revisionistas do partido de Barreirinhas Cunhal, julgaram dever acreditar no despertar duma qualquer "primavera política", na abertura duma era de "descompressão" e de "concórdia". Os operários de vanguarda, os verdadeiros marxistas-leninistas, sempre chagaram o povo a desmascarar esses delicodoces cânticos das sereias governamentais e mostraram que a camarilha marcelista nada tinha para oferecer ao povo que não fosse a intensificação da criminosa guerra colonial-imperialista, o incremento dos impostos, a subida do custo da vida, o aumento da exploração e da opressão. Em consequência, o caminho que se abria frente às amplas massas populares não era nem nunca poderia ser o caminho da conciliação e da traição, apontado pelos revisionistas, mas o caminho da revolução e da liberdade, apontado pelos marxistas-leninistas: o caminho da luta e do combate libertadores.
No transcurso dos últimos cinco anos, a outra coisa não se assistiu, de facto, senão ao contínuo agravamento das condições de existência das massas, e, como corolário inelutável, a um novo despertar, cada vez mais amplo e consciente, mais impetuoso e determinado, do movimento popular revolucionário. Os acontecimentos sangrentos da TAP constituem parte integrante e, ao mesmo tempo, uma síntese rigorosa da fase actual da revolução portuguesa, na qual as forças reaccionárias moribundas procuram, desesperadamente e em vão, impedir o desenvolvimento e triunfo das forças revolucionárias nascentes, às quais pertence o futuro, a liberdade e a vida.
Como síntese que constituem da essência e das características da revolução portuguesa, os acontecimentos sangrentos da TAP contribuíram, como nenhuma outra crise antes deles, para evidenciar aos olhos das amplas massas o seguinte:
- que a via da Revolução Democrática Popular não é nem pode ser - como pretendem os revisio­nistas do P"C"P para a sua "revolução nacional" - não é nem pode ser a via do reformismo e da "transição pacífica", mas sim a via da revolução popular armada, pela conquista do PÃO, da PAZ, da TERRA, da LIBERDADE, da DEMOCRACIA, e da INDEPENDÊNCIA NACIONAL primeiro porto na rota do Socialismo e do Comunismo;
- que a força principal e dirigente desta revolução não é nem pode ser - como querem fazer pensar os revisionistas do P”C”P a burguesia liberal, mas sim a classe operária, o proletariado a única classe consequentemente revolucionária da nossa sociedade;
- que o esteio fundamental da revolução portuguesa não é nem pode ser - como apregoam os re­visionistas do P"C"P - a "aliança" da média burguesia com a classe operária, mas sim a verdadeira e indestrutível aliança operária-camponesa;
- que a tarefa que se põe ao povo português na hora actual não é nem pode ser - como ensinam os revisionistas do P"C"P - a defesa da pátria dos colonialistas e dos imperialistas, mas sim a de transformar a guerra colonial-imperialista numa guerra civil revolucionária em Portugal e pela conquista dos objectivos da Revolução Democrática Popular;
- que o estado-maior da nossa revolução não é nem pode ser - como desejam os traidores do P"C"P - um partido revisionista, mas sim um partido revolucionário proletário, dirigido pela invencível bandeira vermelha do marxismo-leninismo-maoísmo.
Estas são as principais verdades revolucionárias que o terrorismo fascista, actuando selvaticamente sobre uma simples reivindicação salarial dos operários da TAP, contribuiu ele próprio para pôr a nu aos olhos de certas camadas do povo, ainda adormecidas pela contrapropaganda governamental ou ainda narcotizadas pela peçonha revisionista do senhor Cunhal.
Corre o sangue operário nas oficinas da TAP! E corre para mostrar ao povo a verdadeira essência da ditadura do capital, para mostrar às massas escravizadas e oprimidas que é com o sangue e os cadáveres das filhas e filhos do povo que o governo corrupto da camarilha marcelista trata de reforçar o poder dos capitalistas e latifundiários, dos colonialistas e roceiros. Ao mesmo tempo e acima de tudo, corre para mostrar ao povo a abnegação e heroísmo sem limites do líder incontesta­do da revolução: o proletariado português. É à volta desse líder incontestado que todo o povo se deve unir; é sob a direcção desse líder incontestado que todo o povo deve marchar para o combate; é à sombra da bandeira vermelha desse líder que o povo obterá a vitória e ousará franquear a nova aurora!
É justo ligar o sangue operário que ora corre na TAP ao sangue estudantil que, ao longo de todo o corrente ano, generosamente se verteu numas quantas escolas do nosso país. As mesmas forças tenebrosas os fizeram jorrar; as mesmas causas revolucionárias os uniram; o mesmo sentido e ideal de luta os aqueceu os mesmos sentimentos populares os guardam e exaltam.
Lisboa, 12 de Outubro de 1972: o camarada José António Ribeiro dos Santos, militante intrépido da gloriosa Federação dos Estudantes Marxistas Leninistas - organização do nosso Movimento para a juventude estudantil - é assassinado a tiro pela Pide (ajudada por elementos revisionistas) quando, à cabeça das massas, dirigia o ataque aos esbirros dessa polícia infiltrados num comício dos estudantes da capital contra a repressão fascista. O camarada José António Ribeiro dos Santos é o primeiro marxista-leninista-maoísta português que deu a vida pela Revolução Proletária e pelo Comunismo.
Lisboa, 3 de Maio de 1973: na sequência da grande jornada vermelha do 1º de Maio, trava-se nos terrenos da Cidade Universitária um duro e desigual combate entre os estudantes e a polícia. Dois pelotões da polícia de choque, chamados em reforço do contingente inicial da repressão, atacam à rajada de metralhadora algumas centenas de jovens que haviam barricado, de forma ainda muito improvisada, no edifício da cantina. A despeito de os estudantes estarem desarmados e de terem sofrido vários feridos, um dos quais grave, o inimigo foi obrigado a retirar com baixas.
Esta foi a quarta vez, no curto espaço de um ano, que a corajosa juventude estudantil portuguesa enfrentou as balas da repressão fascista e que o sangue generoso dos estudantes tomou mais vermelha ainda a bandeira da sua justa luta popular. O facto de que os estudantes morrem por que lutam por uma causa justa e progressiva, despertou e atraiu sobre eles tanto a selvajaria terrorista do fascismo como a simpatia calorosa e o vivo apoio das massas exploradas e oprimidas.
Perante um vestígio que não mais é possível esconder - tal é o sangue sagrado dos mártires e heróis do povo – a camarilha marcelista lança uma histórica campanha de contra-propaganda, pela qual intenta confundir as massas a respeito do profundo sentido político revolucionário da luta dos estudantes e, simultaneamente, convencê-las de que o fenómeno está circunscrito à Universidade e de que nada tem a ver com os destinos do povo.
Todavia e apesar de tudo, ao sentir-se forçada a reconhecer que um importante sector das massas estava disposto a lutar e a morrer, a camarilha marcelista teve de arquivar no museu das antiguidades, como velharia imprestável, a sua fantasmagórica tese de Maio de 1972, quando, em três ou quatro notas oficiosas, o lacaio Rapazote asseverava que a "perturbação da ordem pública" se de via à infiltração no país duns quantos elementos vindos do estrangeiro. Agora sim. Agora já não eram os “pára-quedistas” estrangeiros; agora eram as massas de cá - embora as massas estudantis - quem procurava "desencaminhar" o povo.
Mas esta demagogia pacóvia da camarilha marcelista, tendente a evitar que a luta dos estudantes se ligasse à luta dos operários e camponeses numa única torrente revolucionária sob direcção proletária, beneficiava também do obreirismo papalvo de revisionistas e neo-revisionistas os quais - com ademanes formalmente diferentes, embora - se colocavam a quatro patas perante o governo fascista e lhe lambiam caninamente as solas.
Para revisionistas e neo-revisionistas, tal como para os fascistas, o conteúdo revolucionário popular e as forcas extremamente violentas assumidos pela luta dos estudantes não eram a consequência inevitável do grau de agudização das contradições de classe atingido no nosso país, mas sim uma ideia mirabolante e aberrativa saída do cérebro dos "esquerdistas", tal como Atena saíra da cabeça de Zeus, e que, além do mais, lhes prejudicava atrozmente as suas negociatas eleitorais e os seus congressos "democráticos"...
Porém, os marxistas-leninistas-maoístas repetiam paciente e incansavelmente às massas que os objectivos da luta dos estudantes, na actualidade, eram revolucionários e populares; que eles se levantavam contra a repressão fascista, contra a guerra colonial-imperialista, contra o ensino e as reformas da burguesia, instrumentos da exploração e opressão capitalistas e não raras vezes contra o revisionismo do partido cunhalista; que as formas avançadas da sua luta exigiam um apoio constante do povo e uma direcção firme do proletariado; que as causas do seu combate têm origem nas contradições mais profundas da sociedade capitalista portuguesa e são as mesmas que impelem já hoje, e impelirão ainda mais amanhã, o povo para o seu combate próprio. Ao mesmo tempo, os marxistas-leninistas-maoístas explicitavam as razões por que a luta dos estudantes constitui o barómetro mais sensível do grau de desenvolvimento a que chegaram as contradições sociais no seu antagonismo e porque é que, num Estado opressivo como é o fascista, é frequente que as mais profundas aspirações populares encontrem um primeiro intérprete na juventude estudantil.
Mas a tese da camarilha marcelista, de que os estudantes estão na origem de todas as "perturbações" sociais, iria durar pouco. De facto, eis que os assalariados agrícolas de Alpiarça se levantam vigorosamente em greve, unido como uma rocha de granito - e lá não se vislumbra a existência de um único estudante. Na verdade, eis que os pescadores de traineira de Matosinhos desencadeiam uma dura e longuíssima greve - e lá não se lobriga presença de um só estudante. Efectivamente, eis que operários cabo-verdeanos e portugueses cerram fileiras e marcham ombro com ombro, na Cova da Piedade, numa histórica manifestação política contra o colonialismo, a guerra colonial-imperialista e a exploração capitalista - e nem a sombra de apenas um estudante pode divisar-se! Finalmente, eis que 20.000 pessoas se concentram na baixa de Lisboa, no dia vermelho do 1º de Maio de 1973 - e o valoroso destacamento estudantil viu-se, pela primeira vez na última década, orgulhosamente colocado em minoria, numa manifestação realizada na capital.
Decididamente, amplos sectores das massas começaram a compreender, partindo da sua própria experiência, que a camarilha marcelista os mistificava, confundindo deliberadamente a causa como efeito e a bandeira vermelha do marxismo-leninismo-maoísmo com o seu primeiro porta-estandarte público conhecido em Portugal - os estudantes. Seria, porém, a justa e heróica luta dos operários da TAP que iria tornar mais evidente todos estes factos e fenómenos; iria mostrar, numa palavra, como a vida prepara uma nova onda revolucionária, onda que se eleva gradualmente e avança imparável contra a reacção.
Lisboa, 12 de Julho de 1973: cerca das três horas da tarde, uma companhia da polícia de choque, acompanhada dos respectivos pides e cães polícias, assalta as instalações do aeroporto e ataca à rajada de metralhadora os 3000 operários que se haviam concentrado em frente do edifício 25 (a administração da TAP) e exigiam a completa e imediata satisfação das suas reivindicações salariais.
No dia anterior, fora convocada para a "Voz do Operário" uma reunião inter-sindical, afim de que todos os operários e trabalhadores da TAP definissem uma posição comum na luta contra o congelamento salarial e por aumento de salários. A polícia de choque bloqueou os acessos ao edifício, impedindo a realização da assembleia inter-sindical, ao mesmo tempo que carregava selvaticamente sobre os operários e trabalhadores e efectuava algumas prisões. Travou-se luta dura durante várias horas, até que os operários e trabalhadores presentes resolveram concentrar-se, ainda nessa mesma noite, no aeroporto, onde uma manifestação de protesto teve lugar. Os "cães castanhos" (polícias do aeroporto) carregaram à bastonada. Foram estilhaçadas várias montras e a concentração só dispersou após repetidas cargas da polícia de choque, chamada em socorro dos "cães castanhos".
No dia 12, os operários entraram em greve e, à hora do almoço, concentraram-se frente à Administração, protestando contra o terrorismo dos esbirros da burguesia e exigindo respostas claras e precisas às reivindicações formuladas. O cobarde e traiçoeiro ataque à metralhadora por parte da polícia de choque causou cerca de uma dezena de feridos, entre os quais e gravemente, o camarada Fernandes da oficina de motores e o camarada Amaral, do equipamento de terra e assassinou um outro trabalhador cujo corpo foi sequestrado pela Pide no percurso entre o "banco" do Hospital de Santa Maria e o Instituto de Medicina Legal.
Porém, os operários da TAP não temeram a sanha assassina das polícias fascistas. Beneficiando da solidariedade dos empregados e empregadas de escritório do edifício 25, que arremessaram máquinas de escrever, caixotes e outros objectos sobre os assassinos, e da ajuda dos operários das obras do aeroporto, que, por sua vez, arremessaram barrotes e tijolos dos andaimes onde se encontravam - os operários da TAP resistiram valentemente à primeira investida das bestas de choque e conseguiram barricar-se em alguns hangares onde o inimigo não ousou penetrar. Os atacantes foram obrigados a retirar com pesadas baixas. As primeiras ambulâncias a chegar ao Hospital de Santa Maria transportavam polícias, embora estes fossem os últimos a receber tratamento.
Foram feitas cinco prisões entre os camaradas da construção civil - designados na nota oficiosa da camarilha marcelista como "elementos estranhos ao aeroporto" - bem como a do camarada José Manuel Abreu Marques, ferramenteiro e a do comandante Magalhães, acusado pela Pide de, ao descer do avião que pilotava, ter erguido o punho em saudação aos operários da TAP em luta. O comandante Magalhães foi libertado, após a camarilha marcelista, ter recebido da Associação dos Pilotos das Linhas Aéreas o aviso de que passariam a boicotar todos os aeroportos portugueses...
A greve dos operários da TAP continua. O lacaio Marcelo Caetano, na viagem que está a efectuar a Inglaterra afim de prestar vassalagem aos seus amos imperialistas britânicos, teve de deslocar-se num avião militar.
A grande e corajosa luta dos operários da TAP tem um imenso significado político. Não há dúvida nenhuma de que o seu glorioso exemplo de firmeza e intrepidez se repercutirá entre os proletários de todos os portos do país. E não apenas entre os proletários! Porque outras camadas do povo, explorado e oprimido, hão-de incontestavelmente fazem-se eco da mesma abnegação e da mesma audácia. Por toda a parte, as massas populares, cujo ódio e indignação para com os carrascos do povo crescem em cada dia que passa, preparam-se lenta, mas seguramente, para a revolução e para ocupar nela o lugar que lhes compete.
Mas o sangue dos camaradas da TAP revela-nos muitas coisas mais! Revela-nos, de um só golpe, a força crescente, a energia acumulada do proletariado português e a fraqueza intrínseca da feroz ditadura da burguesia. No ano transacto foi assassinado o primeiro marxista-leninista-maoista português; este ano foram atingidos a tiro dezenas de elementos das massas em luta e um deles caía para sempre. O ano passado, balas para os estudantes; este ano, balas para os estudantes e para os proletários; no próximo ano - quiçá, já este ano mesmo - balas para os estudantes, para os proletários e para os camponeses... Tal é o processo de declínio inelutável das forças reaccionárias e da ascensão imparável das forças revolucionárias. A revolução - essa velha toupeira - escava infatigavelmente os alicerces desta sociedade podre. É sobre as suas minas, é sobre as cinzas dos opressores que o povo instituirá o Portugal novo!
Porém, jamais o instituirá sem luta dura, sem suor e sem sangue. A libertação do povo tem de ser obra do próprio povo. Somente quando o povo armado, dirigido pela classe operária e tendo à cabeça o partido marxista-leninista-maoista, arvorar a bandeira da insurreição popular, o fascismo será derrubado.
A grande e corajosa luta dos operários e trabalhadores da TAP não é um produto espontâneo do movimento operário; ela não teria sido possível sem uma persistente e prolongada luta entre as duas linhas - a linha marxista-leninista e a linha revisionista - em todos os campos, incluindo o sindical. Primeiramente, a respeito da luta contra os despedimentos; depois, à volta da luta contra as horas extraordinárias; hoje, a propósito da luta contra o congelamento salarial e por aumento de salários. O revisionismo, o reformismo e o economismo sofreram uma grande derrota na TAP, tal como os seus confrades fascistas. Mas nem um nem outro estão definitivamente derrotados. A vigilância dos proletários da TAP tem de redobrar, a sua organização consolidar-se e a sua unidade desenvolver-se cada vez mais. Seguramente que vencerão!
Vejamos o que é a aliança revisionista-fascista contra a heróica luta dos operários da TAP. Na sexta-feira, dia 15, quando os operários em greve ocupavam os hangares e consolidavam a sua defesa, municiando-se com toda a espécie de objectos e instrumentos a fim de poderem dar as "boas-vindas" à polícia de choque, que esperavam a todo o momento, um elemento revisionista dizia: "devemos entregar a questão ao sindicato. A nossa luta não é política"!... Na Segunda-feira, dia 16, a administração dizia a uma delegação de operários, ainda em greve: "O prof. Marcelo Caetano está disposto a esquecer tudo, se vocês retomarem o trabalho. Porquê politizar a luta?"!...
Ouvistes camaradas? A canalha revisionista, fiel servidora dos fascistas, pede-nos que esqueçamos as lágrimas das nossas mães, a doença das nossas mulheres, a fome dos nossos filhos; pede-nos que olvidemos o silvo das balas e as rajadas das metralhadoras; pede-nos que reneguemos os heróicos camaradas caídos e fechemos olhos e ouvidos às suas vozes gloriosas rondando em tomo de nós e clamando por vingança!
Tal é a essência da traição revisionista! Vender os operários por um prato de lentilhas! A essa corja de biltres a soldo do capital a única coisa que lhe interessa são as "eleições" fascistas de Outubro próximo e de todos os outubros seguintes. Eles, os revisionistas, são o partido da ordem burguesa, do civismo burguês, do parlamento burguês e da polícia burguesa. Nada têm a ver com a classe dos proletários.
O proletariado português não faz mais do que começar a pôr-se em marcha, do que aprestar-se para novos e gloriosos combates. O proletariado português não deixará cair a bandeira tinta do seu sangue nem cederá a ninguém a direcção da revolução. Ele é o único chefe digno da revolução portuguesa. Ainda indecisamente, começa já a levantar-se a tempestade anunciadora da aurora. Nosso sagrado dever é prepararmos esse momento e estarmos preparados para ele. Aquilo que nos fez mais falta - mais falta do que o pão para a boca e a água para matar a sede - aquilo que nos faz mais falta é um partido revolucionário proletário, um partido disciplinado, fundado na teoria revolucionária do marxismo, do leninismo e do maoísmo e praticando um estilo revolucionário marxista-leninista-maoísta. Com um tal partido nós tomaremos o céu de assalto e quebraremos todas as cadeias.
O MRPP é o embrião organizado desse partido, autêntica necessidade histérica da classe operária e sua tarefa mais urgente. Tudo aquilo que fazemos e faremos tem de estar inteiramente subordinado à tarefa da fundação dum tal partido.
A luta dos operários da TAP é uma luta justa e, ademais, uma grande e heróica luta. Não a penas a classe operária, mas todas as camadas do povo tem o estrito dever de apoiar com todas as forças o combate dos camaradas da TAP. Nós, marxistas-leninistas-maoistas, em todos os lugares onde nos for possível, devemos organizar com entusiasmo e audácia esse apoio e solidariedade combativa.
Em todo o mundo se levanta, neste momento, uma magnífica onda de protesto e de denúncia dos crimes e massacres perpetrados pelos colonialistas portugueses sobre os povos de Angola, Guiné e Moçambique. A camarilha marcelista nunca esteve tão isolada. Ao mesmo tempo que conclamamos o povo português a vingar os camaradas da TAP caídos, nós conclamamo-lo também a combater sem reservas o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista movida pela burguesia portuguesa. Manifestemos o nosso profundo ódio ao fascismo e ao colonialismo!
O MRPP, em nome dos marxistas-leninistas, da classe operária e do povo português saúda de punho energicamente erguido as grandes manifestações de massas que se estão a realizar em todo o mundo contra o colonialismo português e considera essa justa luta um inestimável apoio à Revolução Democrática Popular portuguesa. Em particular, saúda os camaradas do Partido Comunista Britânico (marxista-leninista), que, conduzindo o seu povo no verdadeiro espírito do internacionalismo proletário, tornou a vida negra ao lacaio Marcelo Caetano na sua actual estadia em Londres.

EM FRENTE PELA FUNDAÇÃO DO PARTIDO!
VINGUEMOS OS CAMARADAS CAÍDOS!
APOIO POPULAR AOS OPERÁRIOS DA TAP!
MORTE AOS CARRASCOS DO POVO!
MORTE AO REVISIONISMO!
VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR ARMADA!
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
GUERRA DO POVO A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!
GLÓRIA AO MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO!
VIVA O MRPP!

16 de Julho de 1973
COMITÉ LENINE (Órgão Central do MRPP)





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