domingo, 15 de julho de 2018

1973-07-15 - Reforcemos o apoio aos trabalhadores em luta! - UEC


Reforcemos o apoio aos trabalhadores em luta!
Intensifiquemos o combate pela abertura da A.E.I.S.T.!

O Governo fascista de M. Caetano acaba de cometer mais um bárbaro crimes a polícia de choque abriu fogo sobre os trabalhadores da TAP provocando numerosos, feridos, um dos quais - Carlos da Silva Fernandes - se encontra às portas da morte.
As balas assassinas da polícia culminaram uma série de actos repressivos e intimidatórios visando impedir a discussão do Acordo Colectivo de Trabalho dos trabalhadores da TAP. No dia 11 foi proibida uma Assembleia na Voz do Operário e esta cercada por grande aparato policial. Os trabalhadores desfilaram daqui até ao Largo da Graça, cantando e gritando "Abaixo o fascismo", "Assassinos”, após o que se dirigiram para o Aeroporto onde a polícia novamente carregou sobre os trabalhadores. No dia 12, quando os trabalhadores fizeram greve, ao refeitório e concentrados em frente do edifício da Administração gritavam "assassinos” e “ladrões”, a polícia de choque interveio brutalmente, desta vez disparando rajadas de metralhadora e espancando friamente centenas de trabalhadores.
Os responsáveis por estes crimes são M. Caetano, os administradores da TAP e as forças repressivas que os servem.
Dia 13 havia greve na TAP.

APROFUNDA-SE A CRISE DO FASCISMO
INTENSIFICA-SE A LUTA POPULAR
Os progressos da luta popular e o ascenso que se verifica em todas as suas principais frentes (nas empresas, nos sindicatos, nas escolas, nos quartéis, no terreno democrático) mostram como foi justa a análise da Comissão Política do C.C. do PCP ao afirmar no seu documento de Marco: "Às condições objectivas e subjectivas fazem prever um importante fluxo de luta popular, em que grandes êxitos podem ser alcançados”.
A ilustrá-lo estão as recentes lutas dos trabalhadores da TAP; dos bancários exigindo um justo contrato colectivo, através de assembleias com milhares de trabalhadores, de manifestações de rua e de sucessivas paralisações de trabalho; dos pescadores da Costa Norte que se mantiveram corajosamente em greve durante dois meses; dos trabalhadores da Abelheira em luta há vários meses que acabam de alcançar a vitória: e de muitas outras empresas como a CEL-CAT, Cabos de Avila, Oliva, SOPREM, SEPSA, CAMODA, etc..
As dificuldades do fascismo também se agravam na frente colonial. Sofre sucessivos e cada vez maiores reveses nas criminosas guerras levadas a cabo contra os povos de Angola, Guiné e Moçambique; cresce a resistência do povo português a essas guerras; e aumenta a condenação internacional do fascismo e dos seus crimes, como o demonstra a visita de Caetano a Londres que, longe de constituir uma vitória para o fascismo, salda-se, ainda antes de se iniciar, numa grande derrota política.

OS ESTUDANTES AO LADO DO POVO TRABALHADOR!
Também neste momento estudantes enfrentam uma violenta vaga repressiva.
A AEIST foi encerrada, o seu presidente continua preso nas masmorras da Pide, tendo sido suspensa a direcção a quem foi instaurado um inquérito. Ao mesmo tempo que o fascismo, pelas mãos do Salas Luís, cancela o 2º semestre a procura impor exames fantoches aos estudantes.
A estas medidas, os estudantes do IST têm respondido com a sua corajosa luta; depois da greve às aulas de mais de um mês, decretaram greve a exames.
O fascismo, com as violentas medidas repressivas, visa dar um profundo golpe no movimento associativo, liquidar as AA.EE., neste caso a AEIST, a aniquilar assim as estruturas democráticas conquistadas pelos estudantes ao longo de anos de duras lutas.
Mas os estudantes do Técnico que, com o apoio dos estudantes da Academia já fizeram recuar o fascismo e reabriram a sua associação em 1972, não se deixarão ludibriar pelas manobras das autoridades académicas, enfrentarão a repressão e, firmemente unidos, defenderão as suas conquistas democráticas - a AEIST - e libertarão os estudantes
Ao lutar por estes objectivos, os estudantes do Técnico estão a dar uma valiosa contribuição à luta geral do povo português.

SOLIDARIZEMO-NOS COM OS TRABALHADORES EM LUTA!
REFORCEMOS O APOIO AOS ESTUDANTES DO TÉCNICO!
A Organização de Lisboa da UEC apela para que os estudantes manifestem a sua activa solidariedade aos trabalhadores em luta, particularmente da TAP vítimas da sanha assassina do fascismo e ao desencadeamento de acções de solidariedade aos estudantes do Técnico. A reabertura da AEIST e a libertação dos estudantes presos são, neste momento, duas reivindicações, centrais de todos, os estudantes portugueses.

VIVA A UNIDADE COMBATIVA DOS ESTUDANTES COM O POVO TRABALHADOR!

A ORGANIZAÇÃO DE LISBOA da UNIÃO DOS ESTUDANTES COMUNISTAS



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