sexta-feira, 13 de julho de 2018

1973-07-13 - ASSASSINADO UM OPERÁRIO DA TAP PELA POLÍCIA - Movimento Estudantil

ASSASSINADO UM OPERÁRIO DA TAP PELA POLÍCIA

Foi proibida na quarta-feira uma reunião na Voz do Operário, dos trabalhadores da TAP destinada a informação sobre a arbitragem do Acordo Colectivo de Trabalho.
Junto à Voz do Operário foi colocado um aparatoso dispositivo da PSP. Os trabalhadores abandonaram o local.
Que a PSP agrediu, ferozmente os trabalhadores, vindo-se a juntar mais tarde no Aeroporto até que uma nova carga de polícia os fez dispersar.
No dia seguinte, quinta-feira, dia 12, tiveram os trabalhadores conhecimento da prisão do comandante de voo Magalhães o Silva entregue à PIDE/DGS. Neste mesmo dia, numa concentração de cerca do 2000 operários aguardando que a Administração desse justificação de todas estas arbitrariedades irrompe a polícia de choque que disparando rajadas de metralhadora à queima roupa ASSASSINA UM OPERÁRIO E FERE DEZENAS DE OUTROS, ALGUNS EM ESTADO GRAVE.

O balando total de semelhante repressão não pode ainda fazer-se.
Também os empregados bancários, em torno do seu C.C.T. desenvolvem lutas. Várias reuniões com milhares de associados, manifestações de rua no Porto e Lisboa, greves parcelares têm sido as formas de luta adoptadas para fazer recuar o patronato e o Governo-que pretendem impor o mais prejudicial C.C.T. à classe nos últimos anos. As ruas da baixa têm assistido à demonstração de força do regime através da concentração de carrinhas de polícia e carros da água, para impedir a presença dos bancários em greve junto aos bancos.
Também os pescadores de Matosinhos lutam por melhores condições de vida, o que os levou a realizarem uma série de greves.
Quando a repressão não actua totalmente sobre uma classe de trabalhadora e escolhe os seus mais destacados activistas com o fim de os isolar e mais eficazmente poder suster a luta dos trabalhadores. Estão neste caso a prisão de Daniel Cabrita em 1971 (já em liberdade depois de cumprir dois anos de prisão) e a actual suspensão de Caiano Pereira por ter assinado a denúncia dos despedimentos realizados sem justa causa feita pala secção do Sindicato de que é presidente.
O governo fascista português utiliza um arsenal de legislação que os trabalhadores nas mais duras condições de luta já denunciaram, para impedir as suas decisões colectivas e democráticas com o fim de defenderem os seus interesses. Os C.C.T. são uma prova disso. Aos desentendimentos entre o árbitro dos sindicatos e o árbitro do patronato, intervém o governo para se decidir pela classe que represente o patronato. Debaixo do mais apertado cerco corporativista os trabalhadoras, sentem a necessidade de rebentar o espartilho legal, eleger direcções sindicais que lhes mereçam a confiança e através delas fazer sentir os seus interesses. Esta situação toma cada vez mais aguda ao Povo português a luta pelas liberdades democráticas. Isto é, a conquista de sindicatos livres, o direito à greve, o fim da censura, etc..
Os estudantes portugueses definindo objectivos que os colocam ao lado da luta mais geral do Povo português solidarizam-se com as lutas dos trabalhadores e neste caso particular TAP e Bancários. Também há muitos anos que os estudantes sentem por experiência própria a ferocidade da repressão governamental sempre que definem colectiva e democraticamente os seus objectivos. Desde assassinatos (Ribeiro dos Santos no dia 12/10/72), disparos de rajadas de metralhadoras, prisão e torturas, encerramento de Associações, o governo tem em vão tentado desorganizar as lutas estudantis.
Esta repressão destina-se a fazer parar, como é óbvio, a luta dos trabalhadores e dos estudantes. O governo tenta impedir por todos os meios as movimentações democráticas que se desenvolvem em Portugal. Esta situação faz criar nas massas populares uma maior consciência política de um total isolamento do regime que cada vez mais tem de usar a força brutal como forma temporária de estancar o avanço destas lutas.
Os estudantes devem apoiar todas as formas de luta dos trabalhadores da TAP.
A TUA PRESENÇA NO MEETING A REALIZAR NA CANTINA, HOJE DIA 13 AO ALMOÇO; A PRESENÇA NO FUNERAL DO OPERÁRIO ASSASSINADO; A DISTRIBUIÇÃO DE TODA A INFORMAÇÃO E DIVULGAÇÃO REFERENTE A ESTES FACTOS, SÃO FORMAS DE LUTA DE SOLIDARIEDADE PARA COM OS TRABALHADORES DA TAP E DOS BANCÁRIOS!

ABAIXO A REPRESSÃO FASCISTA
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES

Lisboa, 13/7/73
Um grupo de estudantes e Lisboa

ASSASSINADO UM TRABALHADOR DA TAP PELA POLÍCIA
TODOS AO MEETING NA CANTINA DA CIDADE UNIVERSITÁRIA ÀS 14h hoje dia 13



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