quinta-feira, 12 de julho de 2018

1973-07-12 - CORREU SANGUE OPERÁRIO NAS OFICINAS DA TAP! - MRPP



EM FRENTE PELA FUNDAÇÃO DO PARTIDO — VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR!

CORREU SANGUE OPERÁRIO NAS OFICINAS DA TAP!

AOS TRABALHADORES DA TAP:
AO PROLETARIADO DE LISBOA;
À JUVENTUDE ESTUDANTIL:
AOS SOLDADOS E MARINHEIROS;
AOS JOVENS E ÀS MULHERES:

Na quarta feira dia 11 aquando duma reunião sindical na Voz do Operário convocada para definir a posição dos operários face ao congelamento de salários e por aumento salarial, a polícia de choque antecipando-se, bloqueou a entrada do edifício impedindo a realizaçao da Assembleia Sindical ao mesmo tempo que carregava sobre os operários. Nessa mesma noite fez-se uma concentração no aeroporto onde conjuntamente se gritou "Gatunos, gatunos”.

Os "cães castanhos" (polícia do aeroporto), carregaram à bastonada sobre os traba­lhadores só os conseguindo dispersar depois da chegada da polícia de choque. Na manha seguinte o ambiente era de luta e de revolta! À hora do almoço cerca de 3 000 operários concentraram-se junto ao edifício 25 (edifício da administraçao) exigindo a completa satisfação das suas reivindicações e protestando contra as atitudes terroristas dos esbirros da burguesia. Passado algum tempo do início da concentração os cães castanhos e a polícia de choque carregaram a tiro sobre os trabalhadores ferindo gravemente o camarada Fernandes da oficina de motores e o camarada Amaral do equipamento de terra e assas­sinando ainda um outro trabalhador, de cujo corpo os abutres do capital se apossaram não o devolvendo a quem a ele tem justo direito a fim de impedir que se lhe faça um funeral condigno. Entretanto registava-se a solidariedade dos empregados de escritório do edifício 25 que arremessando máquinas de escrever e caixotes e outros objectos, tentavam as­sim conjuntamente com os operários das obras do aeroporto, estes por sua vez arremessando barrotes e tijolos dos andaimes onde se encontravam, juntar a sua luta e revolta à luta dos operários da TAP. Os operários resistiram valentemente a esta primeira investida policial barricando-se em seguida nos hangares onde os cães tinhosos não se atreveram a entrar. Daí em diante, apesar da coerção dos cães-de-fila da burguesia - engenheiros e alguns chefes, donde se destacam os lacaios Viana Batista., Soares Batista e Leal (todos da Manutenção) e ainda o cão Vilas (contínuo) os operários mantiveram a sua firme deci­são - a GREVE. Desesperados estes canalhas procederam a diversas prisões entre os cama­radas da construção civil assim como à do camarada José Manuel Abreu Marques (ferramenteiro).
CAMARADAS:
A camarilha marcelista acaba assim de perpetrar mais um hediondo crime contra o nosso povo. O nosso Povo, sofre assim mais uma baixa no já longo historial de vitórias o derrotas, de altos e baixos, na sua luta pela liberdade e pelo socialismo.
A camarilha marcelista, acaba assim de perpetrar mais um hediondo assassínio a juntar aos milhares que diariamente comete em Angola, Guiné e Moçambique, e a juntar à do heróico militante do MRPP camarada Ribeiro Santos, assim como ao frio assassínio do dirigente Nacional guineense Amílcar Cabral.
A camarilha marcelista prossegue assim a sua furiosa campanha repressiva anti-po­pular. Foram as centenas e centenas de prisões antes e durante a jornada vermelha do 1º MAIO, foi a intervenção dos esbirros da GNR para sufocar a luta dos camaradas da MAGUE e CEL CAT em greve; foi a brutal intervenção policial na Universidade nos lºs dias de Maio dos quais saíram gravemente feridos vários estudantes.
Incapaz de suster a onda de revolta, popular que se levanta de Norte a Sul, incapaz de suster a justa, luta armada dós povos das colónias, a camarilha marcelista fiel lacaia e defensora dos monopólios, vê-se na necessidade de reforçar a sua própria ditadura e de aperfeiçoar e refinar os instrumentos da repressão com que pretende sufocar a nossa justa luta.
A burguesia fascista, a camarilha marcelista, podem contactar assim que o nosso povo não cede. Que o nosso povo apesar das grandes lutas que tem travado ao longo da sua história, não está cansado, antes pelo contrário, sabendo perfeitamente que para conquistar a vitória final falta percorrer um longo caminho, prepara-se activamente para o iniciar. E prepara-se para ele, temperado por uma luta na qual viu cravar nas suas cestas o punhal traiçao revisionista, na qual se viu encabeçado não por um autêntico estado maior comunista que o levasse à vitória sobre o inimigo nas sim por uma corja de agen­tes da "burguesia, lacaios do social-imperialismo soviético, os revisionistas acantona­dos no chamado P"C"P. Compreendendo que o estado maior, a direcção política é decisiva para o bom ou mau êxito das lutas do povo, a burguesia encarregou-se de impor ao prole­tariado português, uma direcção e um estado maior burgueses e fiéis lacaios da reacçao.
No entanto, tirando as lições do beco sem saída em que caíam as suas lutas devido à acçao de tal canalha, compreendendo que esses chefes não eram os chefes da classe operária, mas sim agentes do inimigo infiltrados, o proletariado português colocou a si próprio a tarefa de fundar um genuíno Partido Comunista, Marxista-Leninista-maoísta!
O MRPP é o embrião desse partido, autêntica necessidade histórica da classe operá­ria indispensável para a condução da sua justa luta, para uma sociedade sem classes, sem exploradores nem explorados - a Sociedade Comunista.
Camaradas da TAP, a luta iniciada por aumento de salários é uma justa-luxa plena de significado. Ao carregar e disparar sobre os operários, assassinar e prender compa­nheiros nossos, a burguesia fascista alargou substancialmente o âmbito da nossa luta. Continuar o combate é dar luta sem tréguas a esses inimigos mortais é nosso dever imperioso. A resposta aos inimigos do capital tem de ser uma resposta firme, frontal, recorrendo à greve geral, à paralizaçao total do trabalho e rejeitando qualquer tipo de manobras genuinamente revisionistas como as já muito conhecidas "negociações", os "abaixo assinados", os "protestos".
Só com a nossa força poderemos vencer.
Só a nossa firme união na base de um comité operário, tendo por programava imediato a lu­ta pelo PÃO, PAZ, TERRA, LIBERDADE, DEMOCRACIA e INDEPENDÊNCIA NACIONAL, poderá ser o suporte dessa vitória.

CAMARADAS, FIRMES NA LUTA PELO AUMENTO DOS SALÁRIOS!
FIRMES NA LUTA PELA LIBERTAÇÃO DOS CAMARADAS PRESOS!

AO POVO DE LISBOA:
O que vimos anunciando é uma amostra daquilo que a burguesia fascista tem para nós dar. Ao inimigo comum respondamos com a nossa firme solidariedade para com os operários da TAP, em luta. À queda de mais um trabalhador respondamos com a nossa firme solidariedade para com os camaradas da TAP em greve, empunhando e erguendo bem alto a bandeira vermelha da luta popular e arrasando o terror branco dos fascistas.
- CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!
- EM FRENTE NA LUTA CAMARADAS DA TAP!
- SOLIDARIEDADE POPULAR PARA COM OS TRABALHADORAS EM GREVE!
- MORTE AO REVISIONISMO E AO FASCISMO!
- VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR ARMADA!
- VIVA O MRPP!

Lisboa, 12 de Julho de 1973
COMITÉ DIRECTIVO DA ZONA KARL MARX DO MRPP
MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO

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