quarta-feira, 11 de julho de 2018

1973-07-00 - O Grito do Povo Nº 15 - OCMLP


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EDITORIAL:
CONTRA A FANTOCHADA ELEITORAL!
EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR!

I - O QUE SÃO AS ELEIÇÕES?
A luta de classes é o motor da histó­ria.
Quando a burguesia ataca as classes revolucionárias e elas se defendem, quando o proletariado ataca a burguesia e lhe arranca das mãos o poder político para dirigir o povo segundo os interesses das massas trabalhadoras, há progresso, há passos em frente no caminho da libertação dos explorados e oprimidos.
A burguesia exploradora e assassina sabe que o povo revolucionário não se submete à exploração e opressão o por isso tenta por todos os meios afastar o povo do caminho justo que leva à libertação e à liquidação do capitalismo.

AS ELEIÇÕES QUE A BURGUESIA PORTUGUESA ORGANIZA PARA "ELEGER" DEPUTADOS PARA A SUA “ASSEMBLEIA NACIONAL" SÃO UM PUNHADO DE POEIRA QUE ELA LANÇA AOS OLHOS DO POVO PARA TENTAR ENGANA-LO.
Se dois inimigos se encontram frente a frente num caminho e se lançam um contra o outro numa lu­ta de morte, o mais forte tentará certamente cegar o mais forte com um punhado de poeira, pois sabe que sem golpes traiçoeiros não o vencerá nunca.
A burguesia usa essa arma contra o povo revolucionário. Temos de estar vigilantes para não nos deixarmos cegar nunca por ela.
De quatro em quatro anos a burguesia abre os braços para receber os seus candidatos, enquanto dá pontapés nas massas populares, espezinha o povo trabalhador e, à falsa fé, lança exércitos assassinos contra os povos de Angola, Guiné e Cabo-Verde e Moçambique.
A burguesia faz isso para tentar desviar o povo da REVOLUÇÃO. É como um vigarista que quer enganar alguém: sem convencer que é boa pessoa não consegue enganar ninguém. A burguesia tenta convencer o povo que "tudo caminha pelo melhor", e aquilo que ainda não está bem será melhorado ... se todos votarem!!!
As eleições são uma farsa para enganar o povo, SÃO PARA CONVENCER O POVO DE QUE TUDO ANDARA BEM SEM SER NECESSÁRIA QUALQUER REVOLUÇÃO.
Para a grande maioria das massas trabalhadoras, para o grande exército dos explorados e oprimidos de Portugal, as eleições burguesas passam distantes. A sua sabedoria, baseada na experiência das farsas eleitorais do passado, diz-lhes que NÃO VOTAR é a única atitude correcta. Evidentemente que esta útil sabedoria não é mais do que um conjunto de ideias empíricas que são insuficientes para imunizar o povo dos perigos que estes ataques da burguesia acarretam.
As eleições são um processo usado pela burguesia para dar um aspecto mais livre e democrático ao estado fascista, para dar um aspecto popular e legítimo à guerra colonial e a todos os crimes cometidos sob a bandeira do fascismo marcelista.
A burguesia portuguesa não é senhora de si, ela é em grande parte dependente do capital imperialista internacional das "democracias" ocidentais, dos racistas da África Austral e dos Estados Unidos da América do Norte.
Para tentar mostrar aos seus aliados e protectores que em Portugal quem manda é a quadrilha do Marcelo e que todos obedecem, a burguesia no poder levanta todo o cenário e ringue da farsa eleitoral, arriscando a pedir votos a todo o povo, para que ninguém duvide que aqui é diferente do resto do mundo: aqui o povo não quer a revolução; aqui o povo é o primeiro a combater os revolucionários, aqui o povo apoia fervorosamente a ordem estabelecida. AQUI O POVO TEM MEDO DE SE OPOR VIOLENTAMENTE AO PODER ABSOLUTO DO FASCISMO LANÇADO POR SALAZAR E CONTINUADO PELO MARCELO".
Sem isso, os amigos da burguesia fascista e colonialista portuguesa perderiam a confiança nela e tratariam de substituir os seus representantes por ou­tros de confiança.
As eleições são para isso. São para enganar o povo, SÃO PARA CONVENCER O POVO QUE TUDO ANDARA BEM SEM SER NECESSÁRIA QUALQUER REVOLUÇÃO.
Mas não é só à burguesia da seita do Marcelo que as eleições fazem falta, também à burguesia chefiada pelos doutores da "oposição democrática". As eleições são um punhado de poeira lançado contra o povo, mas são também uma luta de galos. Uma coisa é certa no entanto o Marcelo não tem medo dos garnisés "democráticos" e até precisa muito deles, para as eleições parecerem uma coisa séria. Isto quer dizer que há uma utilização comum e fundamental das eleições per parte dos diversos interesses de classe dentro da burguesia: TENTAR OFERECER AO POVO EXPLORADO E OPRIMIDO UMA SAÍDA NÃO REVOLUCIONARIA.
Mas cada sector da burguesia aproveita as eleições segundo os seus interesses: o Marcelo quer dizer ao mundo e principalmente mostrar ao nosso povo que tem um governo, um sistema e um regime “popular", que tem em África uma política e uma guerra que interessam à maioria dos portugueses. Os "democratas" querem mostrar que ainda não desistiram. Que se pode ganhar muito com as eleições o que sem ir às eleições não se pode fazer mais nada contra o fascismo. Querem mostrar que só ganhando as eleições se poderá consciencializar o povo!!! Querem mostrar que, mesmo que não ganhem a maioria (!), desde que conquistem alguns lugares no "circo" já é uma grande coisa para a luta política do povo, para acabar com a carestia da vida, para conseguir uma amnistia que liberte (de mão beijada) os presos políticos, para acabar com a censura, para obter à liberdade de haver partidos políticos da oposição!!!
Afinal a política que defendem os revisionistas traidores do P”C”P, através das suas comissões democráticas, é fazer tudo o que a burguesia do Marcelo deixar, não fazer nada que ela não deixe, apoiar os amigos do Marcelo, combater os inimigos do Marcelo. Isto para quê? Para defender os interesses da classe operária e do povo português? Para acabar com a miséria, com a exploração e com a guerra colonial? NÃO! ESSA GRAXA TODA QUE OS REVISIONISTAS DÃO AO MARCELO E PARA ELE LEGALIZAR O PARTIDO REVISIONISTA DO CUNHAL, é para ele repartir com a oposição as tarefas da luta contra-revolucionária, reformista, anti-popular. É só para o Marcelo ver bem:
- ”Afinal o P"C"P não é inimigo do capitalismo, do colonialismo e do imperialismo, que mal há em o ter dentro da Assembleia Nacional? Dentro da vida política legal, se ele se submete às rédeas do governo?"
De comum acordo, embora cada qual à sua maneira, todos os que vão às eleições tentarão mostrar às massas que querem e vão resolver os problemas do povo através dos “poderes” da Assembleia Nacional ... fascista.
Nas próximas eleições a conquista dos votos pelos vários sectores da burguesia não será portanto o aspecto mais importante. Face ao aumento constante das lutas de massas e à radicalização dessas lutas, ao aumento da consciência política das massas e ao desenvolvimento da organização comunista disposta a conduzir as massas até à vitória, a burguesia irá prometer ao povo mundos e fundos, para o tentar calar e impedir de lutar.
Devido ao avanço da luta de massas, as promessas da burguesia serão mais radicais. Só assim poderão tentar enganar as massas. Alguns sectores da burguesia radical, nomeadamente o sector revisionista, terá que fazer suas algumas das reivindicações das massas trabalhadoras.
DEVEMOS ESTAR ALERTA, CAMARADAS, POIS DE PALAVRAS E PROMESSAS ANDA O MUNDO CHEIO.
Os revisionistas irão tentar aproveitar-se do próprio avanço da luta de massas para as tentar enganar e as chamar à sua linha anti-popular, anti-revolucionária e anti-comunista.
Por exemplo, em relação à guerra colonial, os revisionistas serão obrigados a ostentar uma aparência popular para tentar apanhar os votos do povo. Os revisionistas dirão sempre que são contra a guerra, contra a “política ultramarina do governo”, dirão sempre que o povo sofre com a guerra e chegarão mesmo ao ponto de dizer que os povos das colónias têm direito à independência.
Mas o que os revisionistas dizem é muito diferente daquilo que eles fazem. Os traidores revisionistas não têm qual quer interesse na libertação total dos povos nossos irmãos das colónias. De acordo com os interesses dos seus patronos do Kremlin (os sociais-imperialistas russos), o bando do Cunhal pretende ver as colónias transformadas em neo-colónias dominadas pelo social-imperialismo russo.
Mas os revisionistas enganam-se, pois tal como o Marcelo, não contam com a consciência e com a força dos povos africanos que, todos nós sabemos, marcham destemidamente de armas na mão para a vitória completa das suas lutas de libertação nacional.
Mas apesar de todos os reaccionários actuarem nas eleições fascistas para enganar o povo e isolar os comunistas, não conseguirão impedir que os trabalhadores avancem vitoriosamente na justa linha da Revolução Popular, pois os interesses que defendem são absolutamente contrários aos dos trabalhadores.

II - QUAL A POSIÇÃO DAS MASSAS FACE ÀS ELEIÇÕES?
Faz parte da táctica dos traidores revisionistas acusar as massas de passividade, de desinteresse e de despolitização.
Os comunistas, porque usam a teoria científica do conhecimento na aplicação de uma linha justa de defesa dos interesses das massas exploradas, devem analisar se “efectivamente" as massas são passivas e despolitizadas.
E verdade que o número de recenseados nunca poderia deixar de ser o de uma minoria, mas o pequeno número de recenseados não pode ser visto como uma prova de atraso de consciência das massas, mas pelo contrário, como uma prova da sua sabedoria, consciência e conhecimento adquirido na experiência prática de muitos anos. Porque as massas populares sabem que a quadrilha fascista nunca deixará o poder de bom grado, concluem com toda a justeza que é inútil o seu recenseamento. As massas populares percebem que só a luta violenta na senda da Revolução Popular poderá derrubar o fascismo e o colonialismo.
E mais, as massas populares sabem que mesmo que verdadeiros democratas fossem eleitos de forma a poderem modificar qualquer coisa, o fascismo não deixaria paradas as suas armas de guerra que sem pro utilizou para se sustentar no poder.
As largas massas populares não se interessam pela participação nas eleições porque elas sabem, muito melhor do que a burguesia pensa, distinguir a luta revolucionária dos processos burgueses contra-revolucionários; sabe melhor do que a burguesia pensa, distinguir os inimigos e os falsos amigos dos verdadeiros amigos do Povo.
A maioria dos trabalhadores sabe que sem uma guerra civil, sem uma Revolução Popular que deite abaixo todo o poder burguês, nunca se resolverão os problemas fundamentais da classe operária e do povo: a exploração o opressão de que o povo é vítima, a guerra colonial de que são vítimas os povos de Portugal e das Colónias, a carestia da vida e os salários de miséria, a falta de Democracia e Liberdade para o Povo.
A maioria sabe que todos estes problemas existem porque o Estado é aliado, defensor directo e representante da classe dos capitalistas, dos grandes proprietários e das forças do imperialismo que actuam em Portugal.
Há sectores também largos das massas que não se preocupam com as eleições por terem um total desinteresse pela luta política burguesa o "tanto lhes faz que vão para lá uns como outros, pois as coisas mantêm-se na mesma, a sua situação de explorados e oprimidos é igual antes e depois das eleições”.
Embora esta posição não seja verdadeiramente correcta, é contrária aos interesses tanto dos fascistas como dos revisionistas o reformistas, e devemos mostrar a esses sectores que a única posição correcta é a de não deixar que esses bandidos levem à vontade a sua farsa ate ao fim, unindo as massas populares na luta revolucionária contra a fantochada eleitoral.
Vejamos agora os sectores que vão às urnas;
Há sectores que votam enganados pela demagogia reformista e revisionista por não verem uma alternativa revolucionária; no campo dos reformistas e revisionistas o aparecimento da perspectiva revolucionária, da linha libertadora da Revolução Popular, causa sempre uma debandada que agrupa a maioria das "bases" sortudo quando se trata de CDEs mobilizando números significativos de trabalhadores, de juventude, de estudantes progressistas.
Devemos pelo nosso esforço, pela explicação cuidadosa da nossa palavra de ordem "NÃO AS ELEIÇÕES BURGUESAS - EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR, levar esses sectores a não votar, a não colaborar na campanha reformista eleitoral, a não apoiar os revisionistas e "democratas". Devemos mobilizar esses sectores para as justas palavras de ordem revolucionárias que defendem os interesses da classe operária e do povo.
Há ainda sectores que votam enganados pela demagogia fascista, na ausência de um profundo e multilateral trabalho dos comunistas na defesa dos seus interesses objectivos e no esclarecimento das ideias revolucionárias, no combate à ideologia burguesa, colonialista, fascista, reformista, chauvinista e ainda contra resquícios da ideologia semi-feudal.
Outros sectores, sobretudo no campo e pequenas cidades, votam coagidos por questões de interesses ameaçados pela reacção local que exercerá represálias sobre quem não votar (e sobre quem votar na "oposição").
Finalmente há sectores das massas que por serem vítimas da ameaça directa da repressão fascista, são praticamente obrigados a votar: os soldados, funcionários públicos, etc.
No seio das massas vemos portanto posições muito diferentes face às quais temos de adoptar as medidas mais correctas para evitar que caiam no jogo da fantochada cujos resultados já toda a gente sabe.
Face à consciência efectiva que os diversos sectores das massas têm em relação às eleições, é que os comunistas de vem actuar no sentido de orientar a luta contra a farsa eleitoral burguesa, dentro das tarefas que levam à Revolução Popular.

III - QUAL A POSIÇÃO QUE OS MARXISTAS-LENINISTAS DEVEM TOMAR FACE ÀS ELEIÇÕES PARA ESTAREM NUMA LINHA POLÍTICA CORRECTA?
1. Todos os m-l devem unir-se na luta contra o eleitoralismo, em defesa dos interesses do proletariado e do povo.
Na caminhada para a construção do Partido, a união de todos os m-l portugueses na condução da luta política de massas é o único caminho justo que permitirá cimentar a organização pró-partido e todo o movimento de reconstrução da vanguarda do proletariado.
Todos os m-l realmente interessados em basear nas massas proletárias o seu trabalho para a construção do Partido, devem lançar-se no esclarecimento das massas, no combate à propaganda e à acção fascistas e revisionistas, na luta intransigente pelos interesses da classe operária e do povo, na organização das massas em comités revolucionários para o boicote às eleições burguesas, que orientem a luta popular contra o eleitoralismo e o abstencionismo balofo.
A O.C.M.L.P. (O Grito do Povo) lança a todos os verdadeiros marxistas-leninistas portugueses a palavra de ordem de Boicote às Eleições.
2. Nós comunistas devemos aproveitar o período eleitoral e a vida política que aparece nessa altura com vista ao reforço organizativo, não só das massas, mas também pró-partido.
Para montar a farsa eleitoral, a burguesia fascista e revisionista é obrigada a montar o cenário da luta política entre facções burguesas: cada facção lança para o ar a sua propaganda política reaccionária. Por si só, o povo não veria mais que confusão, aldrabices baratas, promessas falsas. Compete aos m-1 mostrar o carácter reacionário anti-popular de toda essa campanha da burguesia, levando as massas a tomar uma posição activa consciente de boicote às eleições - Em frente pela Revolução Popular.
E tarefa dos m-1 explicar às massas como devem aproveitar as eleições, não colaborando na fantochada, opondo-se violentamente à realização de toda essa farsa trafulha e vigarista.
É fundamental explicar às massas que ficar absolutamente à margem e deixar passar as eleições livremente é fazer em certa medida o jogo que a burguesia quer: "quem cala consente".
Só os marxistas-leninistas poderão desenvolver a luta de massas como única forma consequente do boicoto às eleições.
Os marxistas-leninistas deverão organizar em todo o país os elementos mais avançados das massas em comités clandestinos do boicote às eleições que desenvolvam a propaganda da Revolução Popular, contra o eleitoralismo, e levem à prática as palavras de ordem:
- NÃO VOTAR.
- PERSUADIR A NÃO VOTAR OS QUE VÃO ENGANADOS.
- IMPEDIR DE VOTAR OS QUE VÃO CONSCIENTES.
- USAR A VIOLÊNCIA REVOLUCIONARIA DE MASSAS CONTRA A REPRESSÃO ELEITORA LISTA, BOICOTANDO O CARÁCTER CÍVICO E ORDEIRO DA FARSA QUE INTERESSA A FASCISTAS E REVISIONISTAS.

3. Face à propaganda reaccionária, colonialista e chauvinista os comunistas devem apresentar às massas as justas posições internacionalistas proletárias de solidariedade activa com os povos que nas colónias lutam contra o inimigo comum.
A propaganda sobre a guerra colonial será amplamente desenvolvida pelos fascistas-colonialistas que tentarão mostrar ao povo a necessidade de fazer a guerra colonial para "defender as fronteiras da nossa pátria” e também a necessidade de reforçar a retaguarda, de exigir sacrifícios ao povo.
Se os m-1 não opuserem a esta campanha colonialista as justas palavras de ordem revolucionárias, ninguém o fará, nem "democratas" nem "anti-eleitoralistas" de paleio, deixando actuar livremente a burguesia no seu ataque contra os povos trabalhadores, explorados e oprimidos.
A O.C.M.L.P. (O G. do P.) reforçará a atenção que dá à luta anti-colonial, intensificará a desmistificação da "política ultramarina do governo” que se prepara para tomar medidas cada vez mais criminosas para defender os seus interesses nas colónias, enviando para lá, não só milhares e milhares de soldados, mas também milhares de colonos civis que se destinam a servir de barragem humana para defender os cães grandes colonialistas.

CAMARADAS:
NÃO AS ELEIÇÕES BURGUESAS - EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR! NÃO AO FASCISMO! NÃO AO REVISIONISMO!
ABAIXO A GUERRA COLONIAL ASSASSINA!
VIVA A JUSTA LUTA DE LIBERTAÇÃO DOS POVOS DAS COLÓNIAS!
EM FRENTE PELA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO!
PELO COMUNISMO!

VIVA A LINHA DE MARX, ENGELS, LENINE, ESTALINE E MAO TSE TUNG!






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