quinta-feira, 5 de julho de 2018

1973-07-00 - O Bolchevista Nº 16 - CM-L de P


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CONGRESSO DA OPOSIÇÃO BURGUESA 
CONGRESSO DA TRAIÇÃO DE TODOS OS REVISIONISTAS HONRADOS

Esbateram-se já os débeis ecos do recente Congresso de Abril dito "da oposição democrática" realizado com vistas a cozinhar o próximo prato das eleições de deputados para a Assembleia Nacional do fascismo e uma vez mais: apenas resta, de alguns dias de ameno convívio dos intelectuais da burguesia anti-fascista, o habitual e já histórico apoio do partido revisionista às ilusões liberalizantes dos nossos "democratas". Ou vice-versa. São as cinzas do Congresso.
Abrirá dentro de pouco tempo a assim chamada "campanha eleitoral" e é com cremes feitos de tais cinzas que os "democratas" de mãos dadas com os revisionistas vão pintar com cores de guerra as caras sem vergonha de exploradores do Povo ou seus não menos desenvergonhados mistificadores. Pintados de cinzento, a cor da confusão, da sombra, das cinzas e das nuvens em céu de borrasca revolucionária, de cinzento, a cor da traição, os novos traidores revisionistas e os velhos traidores social-democratas, todos no oposição reconfortados na grande jornada da inolvidável e "honrada” unidade anti-proletária, irão procurar fazer-se de todas as cores para travar o vento da luta popular que, como assarapantadas nuvens que são, ameaça arrasta-los com a força da inexorável lei da luta de classes, para fora de Portugal, para fora da Humanidade, para fora da História, em cujo caixote do lixo ainda se multiplicam.

Não os salvarão todos os truques como o da ignóbil exploração que procuraram fazer da luta do glorioso povo de Moçambique pela independência nacional, fingindo-se, tão subitamente, indignados com os massacres do exército terrorista do mesmo governo a quem esmolam um lugar... ao sol da exploração dos trabalhadores portugueses. Nem tampouco os Max Fernandes e outros fascistas arrependidos de todos os crimes que "descobrem" também de repente... que os trabalhadores de Moçambique além de forçados a trabalhar eram ainda por cima mais mal pagos, que os da racista África do Sul! Como se a guerra não durasse há doze anos, e as atrocidades, chacinas massacres e a escravização colonialista há mais de cinco séculos! E choram, então, os nossos revisionistas e demais "democratas", todos indignadamente, na oposição, este nosso Portugal "vestido de grades que é um vestido para todas as idades na pátria dos poetas".
Néscios!
Queiram ou não queiram os senhores revisionistas e demais "democratas" cinzentos, a luta do Proletariado Português e de todos os trabalhadores apresta-se a reentrar na via revolucionária. Com os comunistas, a vanguarda da classe operária começa já a dar forma à sua consciência de classe tendo aprendido, entretanto, que apenas sob a direcção de um Partido Comunista forte, apoiando-se na aliança operário-camponesa e nas largas massas exploradas do campo e da cidade, a luta popular assumirá verdadeira dimensão, só então o Governo será obrigado a conceder primeiro, a negociar depois para não perder tudo, até acabar por ser destronado e destroçada com ele a classe que defende, a burguesia, grande, média e mesmo a pequena que o apoia.
Aos senhores democratas não bastou o exemplo dos Sá Carneiro e Miller Guerra, os liberais pró-governo aceites na Assembleia a quem — honra seja feita ao menos à sua espinha dorsal — outra solução não restou que a demissão pura e simples para salvar os restes de integridade política; aos senhores revisionistas não bastou, por seu lado nem isso nem o exemplo histórico da luta de classes que demonstra não ter jamais o poder politico abdicado a não ser pela violência revolucionária. Aos "desiludidos radicais burgueses sem outra saída" não bastam estas duas nem o consagrado falhanço da política de aproveitar as "liberdades" da campanha para fazer esclarecimento e informação de massas. Pois bem: bastar-lhes-á, num dia já muito próximo, a lição que o Proletariado e o Povo Português lhes infligirão a todos retirando-lhes de uma vez por todas as ilusões parlamentares e politiqueiras de carreiristas sem escrúpulos!
As contradições económicas e políticas da sociedade em Portugal assumem formas cada vez agudas. Desde o custo de vida ao desemprego, desde o ensino ao convívio popular, desde o exército às suas próprias fileiras, e o regime não possui já sequer os meios capazes de controlar o seu entrechocar dialéctico cada vez mais violento. E basta-nos a vida quotidiana, o dia a dia, para no-lo demonstrar. O processo de concentração monopolistas a entrada de capitais estrangeiros que o actual governo marcelista jogou acelerando-os, como tentativa desesperada de evitar o inevitável, vendendo o País se necessário, não fecharam os velhos e abriram por outro lado buracos novos na já tão remendada estrutura económica portuguesa. O governo procura agora, com o auxílio dos democratas e revisionistas, tapar tais buracos com a pele do Povo, cozê-los com a fibra dos seus músculos, cicatriza-los com a força do seu sangue. O vento todavia mudou. A deslocação da zona das tempestades revolucionárias para Oriente para os países colonizados, reduzia a breve trecho e cada vez mais as possibilidades de sobrevivência do regime perante o despertar para a luta dos povos dos colónias e a derrota do imperialismo à escala Mundial. Isolada, apertada nas malhas que ela própria urdira ao debater-se, a burguesia terrorista acabou por começar a assistir ao espectáculo da sua própria morte lenta. Alguns, mais sagazes procuraram então fugirem desespero ao processo inexorável da História. Outros, os velhos republicanos do Restelo, continuaram a pregar o parlamentarismo burguês com laivos de Sidónio Pais, desta vez com inflexões de desespero e tremuras caquécticas de centenários encarquilhados. Auxiliados pelos revisionistas e outros traidores social-democratas, apoiados nas "democracias" estrangeiras para as quais eram atraídos pelo grande medo da Revolução Proletária, tentam hoje jogar a grande nova cartada: a da democracia burguesa. Isto enquanto essas mesmas "democracias" a França, a Alemanha, a Itália, pelo mesmo motivo, tentam jogar a cartada do fascismo. São curiosas as contradições para os idealistas e reaccionários!
Esquecem todavia uma coisa todos estes senhores:
As eleições de 1973 serão um fiasco como as de todos os outros anos; porém, ainda que o não fossem, é, será sempre o Povo a fazer a História! E à cabeça do Povo, o Proletariado, organizado e dirigido pelo seu Partido Comunista. Ri sempre melhor quem ri por último!
Os comunistas portugueses, hoje organizados e a um passo do cumprimento da grande tarefa histórica de armar o Proletariado em Portugal com o seu Partido Comunista não permitirá que a burguesia — fascista ou não fascista — ria por muito tempo.
Os comunistas portugueses e com eles a vanguarda do Proletariado, sabem bem que só os néscios ou idealistas podem ainda encontrar vantagem na velha manobra de aproveitar o processo eleitoral para encetar um trabalho político, trabalho quando muito de esclarecimento e informação. Como se o esclarecimento e a informação bastassem para fazer Revoluções Proletárias; como se o trabalho de alguns dias intervalado de 4 anos bastasse para obter um mínimo de resultados válidos; como se a exploração nos países ditos "democratas" onde esse trabalho se pode fazer todos os dias fosse menor que a que se verifica em Portu­gal; como se, mesmo esses dias de "liberdade" não fossem uma conquista da luta quotidiana, ainda que desorganizada ou amordaçada pelos revisionistas, dos trabalhadores portugueses em todos os dias; como se um regime que esmaga e oprime toda a espécie de oposição — digam-no os senhoras democratas e revisionistas — se desse ao luxo de deixar usufruir essas "liberdades" de alguns dias se acaso elas lhe pusessem em risco o poder! Muito pode a imaginação dos cegos quando pensam que vêem! Que ridícula é a sempre vazia e irrealizável revolução da pequena burguesia radicalizada!
A resposta dos trabalhadores aos convites eleitoralescos da nossa "oposição social-traidora" tem sido sempre a mesma: a abstenção. E os números tem mostrado mais ainda que essa abstenção é consciente, é fruto da vontade popular e não da tão apregoada "despolitização". É de resto estranho que os revisionistas ainda apregoem a "despolitização" do Povo quando ainda já há anos comemoraram os seus 50 anos de luta política. Daqui se deduz sem esforço que nem tampouco inteligência lhes sobra: Que têm feito afinal nestes 50 anos os traidores revisionistas e social-democratas, se nem ao menos politizaram o povo!
As eleições de 1973 não poderão ter uma resposta popular que não seja a da ABSTENÇÃO ACTIVA! Façamos das eleições de deputados fascistas de 1973 uma demonstração da vontade revolucionária popular! Abstenção activa para todos os verdadeiros anti-fascistas. Desmontemos a farsa eleitoral isolando a social democracia e o revisionismo! Organizemo-nos em volta dos comunistas que lutam por armar a classe operária com o seu Partido para construir a Frente Popular apoiada na aliança com o campesinato!
Operários, camponeses, empregados, estudantes, intelectuais revolucionários, só a Insurreição Popular Armada do Povo de Portugal poderá trazer a Paz, o Pão, a Terra, a Liberdade e a Independência por que ansiamos! Só através da luta, organizados sob a bandeira dos Comunistas, os trabalhadores portugueses conseguirão organizar a insurreição, desfechar o combate e varrer de Portugal a imundície fascista e a mentira das duas-caras de todos os falsos democratas. Construir
O Partido Comunista é pois a tarefa principal de todo o anti-fascista consequente, de todo o verdadeiro revolucionário cerrar fileiras em torno dos Comunistas Portugueses, acabar com a influência revisionista e social-democracia no movimento operário é uma tarefa para hoje! Retomemos para as eleições da Assembleia Fascista a palavra de ordem da III Internacional contra o Fascismo: "unidade na base e na acção com todos os trabalhadores revolucionários”; "classe contra classe" no combate anti-fascista e no isolamento da influência revisionista e social-democrata, lacaios da burguesia!
Viva a unidade da classe operaria, a aliança com os camponeses e todos os trabalhadores!
Fora com o revisionismo e as loas dos "democratas"!
Morte ao fascismo e ao colonialismo, vergonha da raça humana!

A Comissão Executiva da Direcção Nacional do COMITÉ MARXISTA-LENINISTA DE PORTUGAL



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