quinta-feira, 26 de julho de 2018

1973-07-00 - NINGUÉM EMBARCA PARA AS COLÓNIAS! - RPAC


Façamos guerra nos quartéis à guerra colonial-imperialista!

NINGUÉM EMBARCA PARA AS COLÓNIAS!
NINGUÉM EMBARCA PARA A GUINÉ!

PREPAREMO-NOS PARA FESTEJAR NA RUA E NOS QUARTÉIS A DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA NACIONAL DO POVO HERÓICO DA GUINÉ!

Camaradas!
O heróico povo da Guiné que em 1963 iniciou a guerra popular de libertação nacional contra a dominação e a exploração sangrentas do ocupante estrangeiro - o colonialismo português e o imperialismo mundial - está prestes a consumar vitórias derradeiras no seu justo combate pela completa libertação da sua pátria africana e pela sua total independência política económica e cultural.

Com efeito, a guerra popular de libertação nacional do povo irmão da Guiné, dirigida pelo glorioso PARTIDO AFRICANO PARA A INDEPENDÊNCIA DA GUINE E CABO VERDE (P.A.I.G.C.), entrou numa fase extremamente avançada em que, o ataque aos últimos redutos do colonialismo e a sua conquista, a expulsão definitiva do ocupante estrangeiro do solo pátrio, a constituição dos órgãos soberanos do povo e a declaração política da Guiné como novo estado independente estão na ordem do dia.
Desde Janeiro deste ano que as forças armadas patrióticas guineenses, intensificando em todas as frentes o seu combate libertador e vingando o assassinato às mãos dos esbirros da Pide do seu grande dirigente e herói nacional - AMÍLCAR CABRAL - têm alcançado brilhantes e retumbantes vitórias sobre a tropa de ocupação colonialista. Para espanto e desorientação dos colonialistas, o vil e cobarde assassinato de Amílcar Cabral longe de quebrar a determinação e o ímpeto revolucionários dos patriotas guineenses, antes reforçou a sua vontade inabalável de lutarem até à vitória final da sua causa libertadora. Num mesmo impulso, as forças armadas patrióticas, estreitamente unidas às grandes massas populares como unha e carne desencadearam uma tempestuosa ofensiva contra os quartéis e bases colonialistas, conquistaram e destruíram grande número deles e apreenderam grandes quantidades do mais moderno armamento fornecido aos colonialistas pelos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Israel. Por outro lado, rechaçaram por completo algumas tentativas feitas pela tropa colonialista para entrar nas áreas libertadas, nomeadamente nos sectores de MOES, CANDJAMBARI e TCUR, ao norte, e CUBUCARE ao sul do país.
Como resultado da vigorosa ofensiva das forças patrióticas, a situação dos colonialistas é trágica. Obrigados a abandonar um sem número de aquartelamentos e bases militares cercados e sujeitos a bombardeamentos constantes nos poucos que ainda não têm, sofrendo pesadas baixas nas suas tentativas de incursão aos territórios libertados, restringidos ao controle inseguro de Bissau e de uma ou outra zona à custa de grandes concentrações bélicas, contando com um exército absolutamente desmoralizado e que se recusa a combater e a sair dos quartéis, a braços com os primeiros surtos de revolta dos soldados que clamam pelo regresso a Portugal e obrigam os comandos militaristas a renderem-se às forças patrióticas, os colonialistas têm a sua máquina de guerra praticamente paralisada!
Mesmo a aviação, o meio considerado pelos colonialistas como o mais invulnerável e o mais eficiente nos bárbaros bombardeamentos a napalm contra as áreas libertadas, as suas populações, aldeias, campos de cultura, escolas e hospitais, está paralisada! É que, também no que respeita à defesa aérea contra os bombardeamentos da aviação colonialista, formidáveis sucessos têm sido alcançados pelas forças armadas e pelas populações patrióticas. Assim, só desde 23 de Março último, mais de 14 aviões colonialistas e várias dezenas de helicópteros foram abatidos pelas forças armadas patrióticas com a ajuda de mísseis e canhões anti-aéreos. Em contrapartida os pilotos colonialistas, aterrorizados com o fogo certeiro das, forças patrióticas, recusam-se a levantar voo dando origem a violentos conflitos nas bases aéreas.
A par das suas estupendas e brilhantes vitórias militares sobre o inimigo colonialista, o povo heróico da Guiné alcança também importantes e decisivas vitórias no que respeita à criação e ao reforço dos órgãos de poder popular e de soberania do futuro estado independente.
Assim, um comunicado emanado do PAIGC, aquando da realização do seu 2º congresso entre 18 e 22 de Julho último numa zona libertada, anuncia que a Assembleia Popular eleita em 1972 será convocada no decorrer deste ano para atingir a sua primeira missão histórica, proclamar o Estado independente da Guiné-Bissau, criar um governo e adoptar a primeira Constituição da história deste estado.
Para o povo da Guiné a declaração da Independência Nacional constituirá um acontecimento histórico de longo alcance, representará a consumação da sua unidade política, a afirmação do seu poder político sobre o território pátrio e o reconhecimento internacional e diplomático da sua soberania. Também para todos os povos que lutam contra o colonialismo, o imperialismo e o social-imperialismo, em particular para os povos que lutam directamente contra o sistema colonial-fascista português, nomeadamente o nosso povo, a Independência da Guiné constituirá uma extraordinária vitoria pois que ela é também o resultado da luta conjunta internacionalista destes povos e, por outro lado um poderoso incentivo para o prosseguimento inflexível das suas lutas.
De toda a cadeia do colonialismo português a Guiné é sem dúvida o seu elo mais fraco que ao ser cortado irá acelerar a derrocada de toda a cadeia. A própria burguesia colonial-fascista e a sua camarilha marcelista não o esconde. Quando fala das colónias não fala na Guiné, e quando fala é em tom fúnebre mal sabendo mascarar a sua tremenda derrota. No entanto esforça-se na medida em que pode em iludir as massas sobre a real situação da sua colónia, as suas desastrosas derrotas e as brilhantes vitórias alcançadas pelo movimento libertador, no certo receio de que elas se revoltem, intensifiquem o seu combate contra a guerra colonial-imperialista e transformem esta em guerra civil revolucionária pela vitória da Revolução Democrática e Popular!
Camaradas soldados e marinheiros!
Num momento em que o povo da Guiné se prepara para declarar a Independência Nacional da sua Pátria como coroamento das vitórias extraordinárias alcançadas sobre o colonialismo português; num momento em que os povos irmãos das três colónias intensificam no seu conjunto o combate armado libertador pela Autodeterminação das suas pátrias, pela sua completa separação de Portu­gal e total independência política, económica e cultural, o nosso dever na qualidade de operários e camponeses explorados e oprimidos pela burguesia colonial-fascista e por ela obrigados à força a enfileirar no exército colonialista agressor e a servir de carne para canhão da sua miserável guerra de massacre contra os povos irmãos das colónias, o nosso dever camaradas é ergue bem alto nos quartéis a bandeira da solidariedade militante e internacionalista para com a luta dos heróicos povos da Guiné, Angola e Moçambique é recusarmo-nos a combatê-los resistia por todas as formas ao embarque para as colónias, é FAZERMOS GUERRA NOS QUARTÉIS A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!
A Resistência Popular Anti-Colonial (RPA-C), organização de unidade revolucionária dos soldados e marinheiros que no interior das forças armadas da burguesia lutam contra o colonialismo, o imperialismo, o militarismo, o social-imperialismo, o social-chauvinismo e pelos objectivos da Revolução Democrática e Popular - Paz, Pão, Terra, Liberdade, Democracia e Independência Nacional - apela a todos os soldados e marinheiros para que organizem e desencadeiem, em todos os quartéis a sabotagem, o boicotes a paralisação do aparelho militar colonial-fascista! Para que virem as armas que a burguesia lhes põe nas mãos contra ela própria! Apela para que transformem, juntamente com a luta geral do povo português, a guerra colonial-imperialista em guerra civil revolucionária pela revolução Democrática e Popular! Apela ainda para que se organizem em todos os quartéis em COMITÉS DE SOLDADOS E MARINHEIROS de modo a poderem lutar consequentemente contra a burguesia colonial-fascista!

VIVA O HERÓICO POVO DA GUINÉ! NINGUÉM EMBARCA PARA AS COLÓNIAS! NINGUÉM EMBARCA PARA A GUINÉ!

Comité Amílcar Cabral (Comité Directivo da R.P.A-C.)




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