domingo, 8 de julho de 2018

1973-07-00 - Informação Associativa Nº 02 - Movimento Estudantil

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A EFICIÊNCIA DO SALES MAIOR QUE A DA POLÍCIA

A prisão de 21 estudantes do instituto superior técnico quando, em Letras cumpriam uma decisão de RGA - a expulsão física dos gorilas das escolas em que eles fossem aparecendo - levou a um forte movimento de luta pela sua libertação, com a paralização completa de todas as aulas, testes, ou exames.
Logo desde os primeiros dias, que o director Sales Luís tem tentado demover os estudantes de continuar a apoiar os seus colegas presos. E, perante a firmeza que lhe opõem, ele viu-se na necessidade de, para além de recorrer a vários métodos para ver se algum deles “pega", manter, sempre o Técnico fechado, dificultando assim as possibilidades de organização e discussão dos estudantes.

Primeiro ele, apela para a meditação e o "bom-senso”, quer nas cartas que manda para casa dos alunos, quer das demoradas intervenções que faz em RGA. Começa por afirmar que as prisões são factos estranhos ao Técnico, mas empenha-se em mostrar-se interessado na libertação dos presos, convidando os estudantes a voltar às "aulas por 15 dias que ele “trataria” da libertação dos nossos, colegas.
Logo que vê que as suas "balelas" e a ameaça do chumbo não surtiam o efeito desejado, o director "endurece” - ai o temos a deixar de convidar os estudantes a passarem pelo Técnico em dias do R.G.A. e tomarem a "decisão ajuizada", para impedir mesmo que as reuniões lá se façam, mantendo o Instituto fechado, Durante cerca de um mês.
Convencido de que o tempo que se passara e as suas regulares cartas levariam os estudantes a abdicar da continuação da luta pela libertação dos dois colegas ainda presos - entre os quais, o presidente da AEIST, ele diz que o Técnico reabrirá, para tirar dúvidas e fazer exames do primeiro semestre (em relação ao segundo semestre, já o tinha declarado anulado).
Mas, face à firmeza demonstrada pelos estudantes, que não foram no jogo do Sales e decretaram greve aos exames (numa RGA em Medicina), ele não hesitou em tomar as medidas precisas para salvar a face:
Encerra definitivamente a AE, suspendo a direcção e instaura um inquérito às suas actividades. Tenta, a todo o custo, fazer exames, dando, para isso, cobertura aos traidores, os furas.

COMO FORAM OS EXAMES NO TÉCNICO ou O SALES MAIS EMPENHADO QUE OS POLÍCIAS FARDADOS
Ao ver que não conseguia enganar os estudantes do Técnico o director não hesita e mostra claramente em quem é que ele se apoia, nas minorias, os furas os traidores.   
As condições, em que os exames se realizaram são de facto uma inovação no que respeita à perfeita coordenação de esforços entre as diferentes polícias. Vejamos alguns exemplos:
No cimo da alameda mantiveram-se carrinhas de polícia do choque e níveas.
Circulava um nívea e era muito mais do que o habitual a quantidade do bufaria que rodeava o Instituto.
1. A coordenação entre paisanas e fardados era perfeita. Houve cercos e armadilhas em que os polícias conseguiram prender alguns estudantes.
2. O Sales chega a apontar os elementos dos piquetes e dava regularmente uma voltinha de carro pela zona após a qual e curiosamente aparecia a polícia a interferir com os piquetes...
3. A entrada no Instituto só se fazia por uma porta e perante a apresentação do cartão de estudante e a carta do Sales, em que era marcado o exame. As marcações de exame eram feitas no maior secretismo (por carta) só a pequenos grupos - os que davam garantias.
4. Havia intercomunicadores entre os contínuos que estavam à porta e a direcção da escola, para prevenir qualquer perturbação e anunciar a entrada dos furas traidores.
5. Os próprios professores foram cuidadosamente seleccionados. Só foram chamados os catedráticos e um ou outro assistente que lhes inspirasse absoluta confiança.
6. Os furas faziam os exames em pequenos grupos (dois ou três por sala), em salas fechadas à chave.
7. A equipe de filmagens Perdigão Queiroga foi contactada para fazer um filme de 16 mm a preto e branco sobre, segundo diz o próprio vice-director prof. Portela, os recontros entre os estudantes e a polícia. As câmaras de filmagem estão sobre o pavilhão de Química, local donde não só é visível todo o Instituto como as redondezas.
8. Nos arredores do Instituto há máquinas com teleobjectiva para fotografar, à distância os estudantes que muito justamente se empenham no cumprimento das decisões tomadas por todos os alunos do Técnico, esclarecendo os possíveis furas, impedindo-os de entrar.
9. Os requintes do director polícia chegam ao ponto de, para impedir que os traidores sejam identificados pelos estudantes que circundam o Técnico, garantir a sua saída, algumas vezes numa camioneta que alugou no Eduardo Jorge (com as cortinas corridas), outras vezes no seu próprio carro, tendo os furas o cuidado de cobrir a cara com as mãos.
A sua eficiência chegou ao ponto de, vendo em cada carro que o segue um perseguidor, fazer constantes inversões de marcha ou passar todos os sinais vermelhos… muito receia ele o justo castigo que os estudantes possam dar aos furas!

QUEM SÃO OS FURAS?
Apesar de todos os cuidados da polícia do director, entre cerca de 6000 alunos só 1% furou o boicote decretado; o que é será dúvida uma clara vitória para a grande maioria dos estudantes. (I)
Os furas são os indivíduos que conscientes do que:
- Há colegas seus a ser torturados nas masmorras da pide (por apoiarem vivamente a expulsão dos gorilas da Universidade).
- As instalações associativas foram encerradas e a Direcção suspensa e instaurado um inquérito às suas actividades.
- O seu furo é um trunfo nas mãos das autoridades o prejudica os seus colegas.
Os furas sabem até, que uma não resposta por parte dos estudantes significava neste caso, deixar às autoridades caminho livre para suspender, prender ou matar estudantes, dentre aqueles que mais se têm destacado nas lutas contra a actual Universidade, para criar assim um clima de modo.
Mas os furas concordam com as cargas policiais, com os gorilas dentro da Universidade e a consequente proibição de liberdade do informação e reunião; Eles apoiam descaradamente a policia e os directores, ao serviço dos ricos, dos patrões, que incomodados pelas lutas dos estudantes quando elas põem em causa as funções da actual Universidade, pretendam aniquilar, o movimento estudantil.            
Os furas que traíram o boicote a exames no Técnico são indivíduos bem definidos e como tal os estudantes saberão dar-lhes a resposta que merecem os traidores.

OS ESTUDANTES DO TÉCNICO CONTINUARÃO A SUA LUTA
A percentagem mínima de furos (nas circunstâncias em que os exames decorreram) foi uma vitória estrondosa para os estudantes do Técnico e uma clara derrota para as Autoridades policiais e académicas.
Logo desde o início, os estudantes não se deixaram enganar pelo paleio, as promessas ou intimidações do director, não abandonaram os seus colegas, não venderam a luta, antes souberam reforçá-la e vencer as limitações que lhes surgiram nomeadamente o encerramento do Técnico. Mantiveram reuniões de curso e de comissões de curso, distribuíram às portas dos colegas os Binómios e comunicados de curso (garantindo assim que eles não eram desviados).
Esta vitória foi uma clara manifestação de força dos estudantes que permitirá prosseguir coerentemente vencendo as possíveis novas investidas.
Os estudantes do Técnico não hesitarão em tomar a posição firme; Nós colaboradoras da Associação dos Estudantes de Ciências, apelamos para todos os estudantes de Ciências e de Lisboa, para logo desde o início do próximo ano, apoiarem activamente a sua luta.

PELA EXPULSÃO DOS GORILAS DA UNIVERSIDADE
PELA REABERTURA DAS INSTALAÇÕES ASSOCIATIVAS
PELA ANULAÇÃO DO INQUÉRITO DIRECÇÃO DA AEIST

OS "OUSADOS" DE DIREITO AFUNDAM-SE EM "OUSADIA"
No primeiro número da INFORMAÇÃO ASSOCIATIVA reunimos duas destas actuações do grupo de estudantes que se reivindica do "Ousar lutar, Ousar vencer” (Direito), actuações essas concertadas com o "Estar na luta", grupo sectário que desenvolve a sua actividade em Económicas
Nesse artigo evidenciávamos o carácter de troca-tintas desses estudantes que tudo faziam para tentar aparecer sempre como "os bons" da história. Desde as aldrabices mais descaradas até à sabotagem de decisões democráticas de reuniões de estudantes, quando vêem que estas lhes são totalmente desfavoráveis, a tudo jogam mão.
Esse artigo atrás referido, tocava com algum pormenor o caso da provocação do Horácio, provocação essa reconhecida por toda a gente, inclusivamente por esses senhores "Ousar lutar, Ousar vencer“ - ”Estar na luta" que só em conversas e reuniões restritas o confirmavam.
Deviam pensar que era um "derrota" dar o braço a torcer e reconhecer a verdade, quando afinal a derrota foi a evidência com que se desmascararam:
- como aldrabões incapazes de reconhecer os erros que cometem.
- e como provocadores (pois defenderam com unhas e dentes um elemento que toda a gente apontava como tendo tomado atitudes altamente provocatórias). Mas não ficaram por aqui. Em alturas do dia 12 de Julho - data em que faz 9 meses sobre a morte do estudante de Direito, Ribeiro Santos, assassinado em Económicas pela pide, desenvolveram grande alarido na cantina da Cidade Universitária criticando tudo e todos e arvorando-se nos paladinos do que de positivo se passou no MA de há um ano a esta parte;
- Em primeiro lugar, se há alguém a quem atribuir as responsabilidades do que de positivo houve na actividade estudantil, esse alguém são os estudantes se dispuseram cada vez mais a lutar contra a repressão governamental, e à participaram ampla e activamente em formas de luta contra a estrutura actual do ensino e pela defesa do seu movimento. Esta uma primeira conclusão que se põe imediatamente aos senhores do “Ousar lutar, Ousar vencer”: o que se evidencia de determinante no MA é obra dos estudantes e não de grupos ou grupinhos que se substituem a eles.
- Em segundo lugar há a analisar também, quem fez as apreciações certas da situação, quem lançou as palavras de ordem justas, quem trabalhou para mobilizar o organizar os estudantes, quem impulsionou o movimento para a frente. E neste campo, como veremos à frente, o papel destes estudantes, além do ter sido diminuto (veja-se o flagrante exemplo da falta de trabalho em Direito), foi em alguns casos mesmo contraproducente para o conjunto do movimento (veja-se as acções de minorias empreendidas por estes senhores que redundavam em fogachos inconsequentes, pois não tinham o apoio o a participação da grande massa e conduziam ao isolamento de meia dúzia.)
Mas, como dizíamos, por altura do 12 de Julho, fizeram grande, alarido na cantina da Cidade Universitária. E além de 1 ou 2 meetings que promoveram fizeram distribuir 2 comunicados, assinados "Ousar lutar, Ousar vencer" que devido às barbaridades que lá se encontram não poderemos deixar passar em claro.
Vejamos, pois, a categoria destes senhores:

O ASSASSINATO DE RIBEIRO SANTOS
No dia 12 de Outubro do ano passado, no decorrer de um meeting contra a repressão, em Económicas, 2 agentes da pide entram na sala do meeting pela mão de um dirigente reformista. Imediatamente vários estudantes se levantaram entre os quais R.S. para expulsar da sala os 2 bufos. Os pides puxaram das pistolas, começaram a disparar a torto e a direito, assassinando de imediato R.S. e ferindo outro estudante de Direito.
Este acto criminoso provocou justa indignação de todos os estudantes, que não só em Lisboa como no Porto, desenvolveram grandes lutas, não deixando passar impunemente este assassínio.
Pois bem, os tais comunicados do "Ousar lutar, Ousar vencer" voltam completamente do avesso o que realmente se passou, e claro, tentam afirmar que eles “os bons”. É que têm direito à coroa de louros pelas vitórias obtidas nessa altura.
Esquecem-se de dizer que durante cerca de quinze dias a quase totalidade das escolas do Lisboa não funcionou, e os estudantes utilizaram a greve para informar a população e manifestar a sua indignação junto do Povo.
E que quem não esteve em greve, foi Farmácia, Veterinária (escolas onde não há praticamente trabalho associativo) e... Direito.
Mais flagrante ainda: quando no dia seguinte ao assassinato, houve um meeting que foi duramente disperso com o carro da água, cães e bastonadas, dentro de Direito decorriam normalmente os exames de segunda época.
E não venham dizer, esses senhores, que os estudantes de Direito é que são isto e aquilo, para tentarem encobrir a ausência completa de trabalho no interior da faculdade.
Os estudantes do Direito ficaram como todos os outros indignados pelo brutal assassinato.
E cabia ao M.A. de Direito (se lá o houvesse!) dar uma expressão organizada à sua justa indignação.
Toda a gente sabe em que é que redundam manifestações individuais e espontâneas. Só organizadamente e de forma unida é que o movimento dos estudantes pode dar, e tem dado, passos era frente e respondido à repressão governamental.
Garganta não falta a estes senhores, mas trabalhar junto aos estudantes ou reconhecer os erros cometidos é que não são capazes. (1)
Depois vêm dizer que houve certos estudantes, a que eles chamam "defensores" do "ensino popular", que teriam "sabotado" a luta e "desviando-a" dos seus objectivos.
Quanto a argumentos, em abono desta teoria, nem um!
Aliás, para eles, a, demonstração é "evidente": eles sabotavam, porque sabotavam, isto é, porque não defendiam a sua orientação.
Mas quem defende os comunicados à população aprovados nos meetings o nos Plenários, por essa altura?
Não foram esses estudantes "ousados", nem tão pouco os reformistas, escaldados que estavam com o conluio no assassinato.
E quem foi, nessa altura, preso pela pide em casa, numa tentativa evidente de estancar o movimento?
Também não foram estes estudantes "ousados"...
Para reavivar a memória lembremos-lhes que foram elementos de duas direcções dos, chamados "defensores" do "ensino popular" elementos de uma direcção reformista.
E que escolas levaram até ao fim as decisões do Plenário, decisões essas, vinculativas para todos os estudantes de Lisboa, e por cuja aplicação o M.A. de cada escola deve zelar?
Também não foi Direito (que como vimos, nem um dia de greve fez, não obstante os estudantes nessa escola se mostrarem a isso dispostos) nem tão pouco o Técnico ou Económicas onde devido a falhas internas, as direcções reformistas conseguiram levar avante a sua determinação de retorno às aulas.
Não vamos proferir mais exemplos dessa altura. Qualquer estudante não muito afastado do trabalho associativo reconhece o "fogo de vista" que caracteriza toda a actuação deste grupo do estudantes.
Vamo-nos debruçar um pouco sobre a actividade por eles desenvolvida no interior da faculdade de Direito neste ano lectivo (72/73) e que, em princípio, daria uma base para toda a sua vociferação
Porque de diletantes, de indivíduos que mais não fazem do que imponentes discursos, está o mundo cheio.

O ANO LECTIVO DE 72/73 EM DIREITO
1. Já referimos o que se passou em Outubro quando do assassinato de R.S.. Nem uma palha mexeram para mobilizar os estudantes de Direito e aplicarem as decisões do Plenário que estabeleciam greve geral para toda a Academia.
Neste ponto tem a coragem de andar para aí a dizer que eles sim é que são estudantes progressistas e que dirigiram consequentemente a "luta pela vingança do camarada Ribeiro dos Santos”.
2. Em Nov/Dez, mas mais já em Dezembro, houve eleições para as delegações de curso (delegações de curso é o nome dado às comissões de curso em Direito. As delegações de curso, reunidas formam a junta de delegados da Direito)
Pois o aconteceu que este grupo "ousar lutar, ousar vencer” que tão progressista se denomina, foi arrebanhar espécies raras para comporem as listas por ele propostas desde, pessoas, bons alunos, que à partida concordavam em colaborar em questões pedagógicas e mais nada, e mostravam mesmo certa relutância face ao trabalho associativo em geral, até meninos bem aperaltados (como aconteceu no 5º ano), que tentavam dar um "bom aspecto" à delegação e ”apanhar" os votos dos estudantes.
O critério de trabalho, da disposição das pessoas em desenvolverem de facto trabalho junto dos estudantes, do prestígio face ao curso adquirido pela actividade desenvolvida em prol de interesses de curso e dos estudantes em geral; tudo isto eram características substituíveis para elementos que formavam as chamadas delegações de curso.
Mas poder-se-á perguntar porque agiram assim.
É simples. Não desenvolvendo trabalho junto aos estudantes da faculdade, não era essa a garantia da sua eleição. Assim chamaram esses elementos folclóricos, que davam um certo "ar familiar" à lista (enfim, tipos conhecidos...) e não tinham problemas de não serem eleitos.
Isto para não falar, é claro, na caça aos votos, (no 3º ano, por exemplo, e na própria composição das delegações de curso.
Passado pouco tempo, esses elementos folclóricos desapareciam (pois não eram elementos activos) e poderia facilmente forjar-se uma ”unanimidade” ao nível das delegações de curso.
Temos de reconhecer que este plano, não era mal pensado não senhor!
Passemos a novo aspecto.
3. Em Março estalou um processo na faculdade por causa da reforma introduzida e que aboliu a época do Outubro.
Como organizaram então eles a luta pela época de Outubro?
Começaram por lançar um abaixo-assinado, eles que criticavam os reformistas por andarem para aí a lamuriarem ao governo telegramas de protesto e baixo-assinados, acabaram por cair no mesmo laço!
Ora toda a prática do movimento associativo prova, e os últimos acontecimentos confirmaram, que só a força organizada dos estudantes pressiona de facto o governo e restantes autoridades a cederem nas justas reivindicações estudantis.
Os abaixo-assinados já mostraram ser totalmente ineficazes. (2) Os próprios dirigentes que em Direito não se lhes opuseram, sabiam-no bem. Chegaram mesmo a afirmar que os deixavam seguir sem mostrarem a sua incorrecção, porque, das duas uma: ou eles davam resultado e os estudantes considerariam que tinham obtido uma vitória na sua luta, ou, (caso que consideravam mais provável) ele não resultava e "essa forma de luta" ficaria totalmente desmascarada.
Este o mais perfeito oportunismo. Esta a forma que escolheram para "consciencializar” os estudantes!
Fizeram depois uma RGA onde apareceram cerca de 700 a 800 estudantes para examinar o problema dos “gorilas" e a resposta do director Martinez ao abaixo-assinado. (3)
Os gorilas perante tanta gente não tiveram força para entrar ao barulho. Elegeram então, os alunos ali presentes, uma comissão para ir falar ao Martinez.
Essa comissão era formada por membros das delegações de curso e portanto, também do nosso grupo "ousar lutar, ousar vencer".
Perante o director, fazem então a mais incrível conjura: como o Martinez se mostrasse inquebrantável face às reivindicações da época de Outubro, eles por sua iniciativa, perguntaram então se ele não dava a época de Março...
Os conluios com as autoridades passaram a não ser apanágio exclusivo dos reformistas, pois estes senhores lhes seguiram as pisadas!
Abdicar da época de Outubro perante o Director sem discutir previamente com os estudantes (que nada tinham decidido ainda sobre a época de Março) e tentar na conversa de gabinete "solucionar" a questão, eis ao que chegaram estes estudantes.
Realmente é preciso muita ousadia para chegar a este ponto!
Aliás, no decorrer deste processo, quando os estudantes, em concentração, face ao director, o apelidavam de “fascista” e se mostravam mesmo convictos da necessidade de ir para a frente, alguns destes dirigentes que se auto-intitulavam M.A. de Direito, nada fizeram. Chegaram ao ponto de se esconderem na biblioteca quando os gorilas dispersavam as reuniões à pancada. Não organizaram os estudantes, fizeram esboroar o movimento... mas andavam para aí a dizer que se tinha passado a uma forma superior de luta: da época de Outubro para a luta contra a repressão. E quem quiser que embrulhe!
4. Como ultimo aspecto do trabalho interno vamos falar no trabalho por eles desenvolvido para isolar a orientação reformista dos estudantes e fomentar nestes uma consciência sindical avançada (isto é, capaz de fazer face às investidas reformistas).
Com toda a sua arrogância, própria dos "teóricos" que têm a verdade na cabeça, são à primeira vista, os mais radicais combatentes do reformismo.
Mas na verdade, a sua actividade não passa de uma reelaboração da dos reformistas.
- Continuam com os abaixo-assinados em vez de organizar os estudantes e os unirem, à volta dos seus dirigentes, na luta pelo alcance das suas reivindicações.
- Os conluios de gabinete, próprios dos reformistas que tentam travar o desenvolvimento da luta dos estudantes, reaparecem agora nas mãos destes que, a pés juntos, juram ser "anti-reformistas".
- As aldrabices e os exageros, próprios dos Reformistas, (que fazem sempre um burburinho de Vitória! Vitória! quando perante uma cedência das autoridades é preciso redobrar o esforço da luta, pois a cedência tem sempre o reverso da medalha), são agora apanágio da linha ousada que não têm problemas em aldrabar, omitir, deturpar, etc. tudo para se mostrar melhor que eles!
Ora, sabemos que só pelo trabalho persistente é que as ideias erradas podem ser afastadas do seio dos estudantes. Principalmente porque essas ideias erradas se costumam dar ares de ideias justas, adequadas mesmo ao desenvolvimento do movimento dos estudantes. Não é de repente que elas são rejeitadas por eles. Isso requer árduo trabalho de base e quem o não faz das duas uma - ou não tem interesse em afastar essas ideias erradas - ou tem, ele próprio ideias erradas, que esse trabalho só viria evidenciar ainda mais.
Embora o palavreado deste grupo "ousar lutar, ousar vencer” se pretenda do "anti-reformista" os métodos que utiliza são perfeitamente idênticos aqueles que eles dizem combater.
A sua "demarcação" resume-se laconicamente: não são reformistas, porque são anti-reformistas.
Conclusão necessária
Como vimos, o que caracteriza principalmente este grupo é a falta de posições firmes sobre o M.A. e a sua evolução.
Pretendendo auto-evidenciar-se, a tudo recorram para envernizar as suas posições e as suas opiniões, e aparecerem como expoente máximo do M.A.
Desde as aldrabices mais evidentes (4) até às críticas sem nexo (sobre os tais "defensores" do "ensino popular" limitam-se a fazer críticas exclusivamente no abstracto, sem referir um único aspecto concreto), esta a essência da linha de orientação do grupo "ousar lutar, ousar vencer".
Como não conseguem desenvolver trabalho de base junto dos estudantes e organizá-los o com eles participar nas suas lutas diárias, utilizam a aldrabice a arrogância e o sectarismo para se tentar impor no M.A.
Não terão, no entanto, êxito algum.
O M.A. não pode ser campo para brincadeiras de grupos ou de grupinhos.
O M.A. tem a função do organizar e mobilizar a generalidade dos estudantes na luta pela defesa dos seus interesses, integrá-los na corrente histórica que modificará esta sociedade e que porá o ensino ao serviço do povo.
E os estudantes não poderão nunca dar tréguas a estes trapaceiros que se metem no movimento tentando, desviá-los dos seus objectivos próprios.
Nós procuraremos assegurar a nossa cota parte.
Fora da Universidade com os aldrabões!

Notas
(1) Lembremo-nos de que ao argumento da existência no interior da faculdade de gorilas não pega. Também Ciências e recentemente Letras deram já o exemplo a seguir face a eles:
- expulsaram-nos à pancada; e a direcção "ousada" de Direito, por altura do assassinato de Ribeiro dos Santos estava já há um ano em exercício e teve mais que tempo para organizar devidamente o movimento nas turmas, nos cursos, na escola e empreender o "saneamento" da faculdade.
(2) Ainda há poucos dias, com o apoio velado de certas direcções andou um grupo oportunista a tentar lançar um abaixo-assinado para apoio aos estudantes do Técnico. Na altura em que houve uma greve de cerca de três meses, em que o semestre foi anulado pelo C.E., em que a AE foi encerrada, os seus dirigentes suspensos e instaurados processos disciplinares, em que o polícia Sales Luís tenta a todo o custo levar ao furo da greve a exames, enfim, quando as autoridades estão completamente desmascaradas, põem-se a lamuriar junto daqueles que são os nossos mais ferozes inimigos.
(3) Note-se pelo número de participantes, devido à falta de trabalho que evidenciasse a importância dos problemas em questão e do interesse em participarem na sua resolução (o que levaria ao aumento do numero de participantes na RGA), o interesse dos estudantes de Direito pelos assuntos a tratar e a fraca disposição em lutar pela defesa dos seus interesses.
(4) Uma outra aldrabice focada nos dois últimos comunicados foi a que se referia a um Plenário de Maio/72. Dizem eles que lá foi aprovado um comunicado que apenas tinha o apoio de Direito e Comercial, quando toda a gente sabe que quem defendeu esse comunicado foram os “ousados” de Directo, Comercial e os reformistas do Técnico, Medicina, Industrial e Económicas. E o comunicado tinha mesmo incorrecções devido às conclusões apressadas, próprias desses senhores, embora a alternativa existente fosse altamente maçuda mas mais, apropriada à distribuição em massa. Como dá mais aspecto dizer que foram só eles a defender o comunicado aprovado (e ainda para cúmulo, quem os ajudou foram os reformistas) pronto.” Esquece-se o que de facto lá se passou!





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