quarta-feira, 11 de julho de 2018

1973-07-00 - CONSP./REPRESSIVO - UEC


CONSP./REPRESSIVO
Lx. Julho de 1973

- Foram libertados os práticos clínicos Jara e Saraiva, sob uma caução de 50 contos. O Jara denunciou o Saraiva e este fez confirmações.
- Irão a julgamento num processo da que fazem ainda parte o bancário Cerqueira e o estudante da Letra a Fernando António.
A prisão destes últimos deu-se quando na antevéspera do 1º de Maio procediam distribuição dos manifestos do 1º de Maio do Comité Local da Lisboa e da Direcção Regional de Lisboa, na zona do Calvário-Junqueira.
Ao deixarem manifestos numa paragem do autocarro em frente do ISCPU foram vistos por um PSP que os levou para uma esquadra.
O Cerqueira levara ainda grande quantidade de manifestos dentro de um jornal da extrema-direita "Frente”.
- O Fernando António disse que já tinha recebido imprensa de um colega (Jorge de Lemos) que está no estrangeiro e de uma estudante liceal.
- Foi libertado o assistente do Técnico Sousa Marques.
Uma das torturas que lhe fizeram foi porem um pide na sala de interrogatórios com um cão policia pela trela, ameaçando soltá-lo.
Consta que teve bom porte.
Consta ainda que a pide o acusava de ser maoista quando trabalhava no INI, e que a prisão teria resultado de esquerdistas que o convidaram há tempos para algo (uma reunião?) que depois o meteram lá.
- O carro EG-87-70. Toyota amarelo é da pide.
- Abriu recentemente em Lisboa uma sucursal da cooperativa da extrema-direita Cidadela que já existia em Coimbra e Porto. Desconhece-se o local.
- Editaram que se saiba já dois livros. Um do Braga da Cruz sobre a reforma do ensino outra sobre a vida do Primo da Riviera de Júdice.
- Uma estudante Adelaide Lucas Pires, 5º ano de Medicina, veio de Coimbra, trabalhar como empregada no secretariado para a Juventude (esteve por exemplo à frente da organização do programa televisão “Taco a Taco”) era da OTUC e é das fundadoras da Cidadela de Lisboa.
- No último andar do edifício do Secretariado para a Juventude exista um posto de escuta de rádio (de curtas e médias). Os empregados do secretariado não tem acesso a este andar, que é vedado a um número restrito de pessoas diz-se que todas elas do grupo da Cidadela. A Adelaide tem lá acesso.

Sem comentários:

Enviar um comentário