terça-feira, 3 de julho de 2018

1973-07-00 - BAC Nº 7


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EDITORIAL

Um facto continua a marcar, no ano corrente, as lutas políticas no nosso país: o reforço das posições anti-coloniais. Uma análise dessas lutas deverá ter em conta os vários campos de acção e as diversas frentes por onde os processos avançam.
Assim, a nível mais aberto e beneficiando de uma certa margem de “legalidade”, situam-se as movimentações no sector estudantil, no meio cristão e no “movimento legal pré-eleitoral”.
Quanto ao sector estudantil, que já não é só universitário e técnico mas também liceal, nota-se um crescente alargamento do combate para fora das escolas, sobretudo através dos comunicados à população e manifestações de rua. Os cristãos, por seu lado, encontram formas específicas de intervenção à volta dos problemas da paz e de casos significativos como o do P. Mário de Oliveira. No “movimento legal” dá-se um relativo consenso entre as diversas correntes a respeito da opção anti-colonial, conforme se viu no Congresso de Aveiro.

Pelo menos nestes três domínios pode-se observar um incremento das iniciativas de agitação, acompanhado por uma notável circulação de textos informativos. Podemos acrescentar a estas vias aquela outra mais discreta mas porventura mais decisiva da acção de base com os trabalhadores, tanto no âmbito da empresa como no da zona de habitação.
Se toda esta actividade tem indiscutivelmente importância, nem por isso ela deixa de estar sujeita ao risco do verbalismo. A luta anti-colonial corre o risco de se transformar num slogan que todos repetimos uns aos outros mas que não altera a situação.
Neste sentido têm desempenhado um papel fundamental os frequentes actos de sabotagem até agora levados a cabo, cujo alvo predominante têm sido os objectivos militares. Mas pela sua mesma existência, as acções armadas mostram as lacunas da prática actual. Esquematizando, poderíamos dizer que entre distribuir um papel e colocar uma bomba há toda uma série de acções possíveis que ainda não foram desencadeadas.
Já no nº 4 do BAC transcrevíamos um documento onde se afirmava: “Sobretudo as forças armadas, principais instrumentos e também vítimas da política agressiva do governo, terão um papel decisivo no combate a travar. Apesar do número impressionante de desertores e refractários, as lutas no interior do exército, da marinha e da força aérea ainda não encontraram formas colectivas de resistência à guerra colonial".
Numerosas tarefas imediatas e urgentes se põem aqui para os militantes políticos: refazer o debate sobre a deserção, crítica ideológica do militarismo, boicote da disciplina nos quartéis, formas organizativas durante o serviço militar, etc.
Além do âmbito das forças armadas é também indispensável desenvolver a ligação entre as lutas operárias e as lutas anti-coloniais, de modo que se manifeste a solidariedade entre o povo português e os povos africanos, subjugados pelo mesmo processo de exploração. Pensamos naturalmente em primeiro lugar naqueles trabalhadores que alimentam mais directamente o esforço de guerra nas indústrias de armamento.
A respeito destas e de muitas outras zonas e formas de luta não pretendemos mais do que estimular a iniciativa dos grupos de acção, apoiando-os através do serviço informativo deste boletim. A nossa força estará na convergência de todas as acções feitas com imaginação, com coragem e com determinação.


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