sábado, 7 de julho de 2018

1973-07-00 - Avante Nº 455 - PCP


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NOVAS CASAS DO POVO
mais uma farsa fascista

Andam os fascistas numa lufa-lufa a inaugurar Casas do Povo, com grande reclame de que serão através destas prestados os «benefícios» da Previdência aos trabalhadores do campo. Têm sido feitas pressões sobre muitas populações rurais para que apoiem a criação de novas Casas do Povo nas suas regiões, ou adiram às já existentes. "Nem propaganda nem pressões têm dado resultados satisfatórios para os fascistas. Nalguns casos tem sido muito viva a resistência dos camponeses à fiação de novas Casas do Povo, assim como a sua recusa a ser integrados naquelas que alargaram o seu âmbito à área das suas freguesias. É também muito generalizada a recusa ao pagamento das cotas.

Quarenta anos depois da criação das Casas do Povo, as populações rurais tiveram mais que tempo para verificar que elas são organismos mortos, completamente inoperantes e que só lhes têm trazido encargos sem preencher nenhum dos objectivos que propagandeavam. Aprende­ram-no com a sua amarga experiência os que trabalham os campos, sem falar dos milhares de famílias que procuraram no estrangeiro as garantias de melhor nível de vida, de trabalho, assistência e Previdência.
Segundo dados oficiais de 1970, as receitas das Casas do Povo do continente e ilhas adjacentes foram de 161.357 contos (isto é, o que os camponeses e assalariados agrícolas, directa ou indirectamente foram obrigados a pagar) enquanto as despesas foram de 149.263 contos. Entre as despesas mais elevadas contam-se as de «Administração», 44.504 contos, o que quer dizer que só com burocracia gastam quase um terço do total das despesas: ao passo que com a acção educativa e recreativa gastaram 4.925 contos, cerca de dez vezes menos. Também menores que as de administração, as «despesas com serviços clínicos, de enfermagem e outros» foram de 41.446 contos, o que dividido pelo número de sócios dá a irrisória quantia de 87$80 por ano e para cada sócio. Se formos a ver a rubrica «subsidio aos salários» verificamos que, por desemprego, nem um só subsidio foi concedido no ano de 1970. Estes números dão, por um lado a ideia da inoperância das Casas do Povo e por outro lado, porque são muito recentes, mostram que a perspectiva da criação de mais umas dezenas de Casas do Povo não poderá alterar grandemente o panorama até aqui verificado.
A criação das novas Casas do Povo baseia-se em grande parte nos sacrifícios financeiros dos habitantes das freguesias e respectivas juntas. Quanto aos apregoados benefícios, é caso para dizer  «muita para e pouca uva». Para os assalariados que forem sócios, a assistência continuará a ser, como até aqui inexistente e a Casa do Povo  não cobrirá as doenças profissionais nem acidentes de trabalho. Para todos os outros produtores agrícolas, as promessas do Governo são uma farsa, pois só lhes será dada assistência se provarem que os seus meios de vida lhes não asseguram situação diversa dos assalariados rurais. Assim, basta terem as quatros paredes numa casa ou um palmo de terra para perderem o direito à assistência.
Haverá, isso sim, à custa do dinheiro dos trabalhadores, proporcional aumento das despesas com «administração» que o mesmo é dizer maior número de rafeiros a quem são dados «tachos» para ficarem nas Casas do Povo a policiar, a exercer pressões e controlar mais de perto as populações rurais. Talvez não seja por caso que novas Casas do Povo foram criadas em zonas onde tem sido mais intensa a luta dos camponeses.
É justo que os camponeses resistam à criação de novas Casos do Povo e recusem o pagamento de conta para esses organismos fascistas.
Mas por outro lado, onde tenham força e unidade para tal, devem procurar eleger para as Casas do Poro direcções honestas de trabalhadores e reivindicar que sejam de fado cumpridas as tão apregoadas promessas que são palavras ao vento em discursos de fascistas.



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