quinta-feira, 28 de junho de 2018

1978-06-28 - UDP INFORMAÇÃO Nº 15 - UDP



UDP INFORMAÇÃO
N° 15 - 28 DE JUNHO DE 1978

VAI REALIZAR-SE A CONFERÊNCIA NACIONAL
Dia 9 de Julho vai ter lugar em Lisboa a Conferência convocada pelo Conselho Nacional. Nela estarão presentes os membros do CN, representantes das Comissões Distritais e activistas eleitos para o efeito nas Conferências Distritais que se estão a realizar.
A Conferência, dará um impulso decisivo à batalha da organização que no comício nacional do Campo Pequeno foi apontada como a sequência necessária da vitória da campanha dos 10 000 novos aderentes. A Conferência irá concretizar a estrutura organizativa da UDP definida no III Congresso e apontar as tarefas que a organização de 10 000 novos aderentes colocam.

A Conferência irá igualmente concretizar a linha política da UDP e avançar na proposta de unidade que a UDP lançou no comício pela voz de Acácio Barreiros.
A Conferência Nacional não pode ser só tarefa dos delegados que nela irão participar: terá de ser o resultado de discussão colectiva de toda a organização, do Conselho Nacional aos activistas de base.
Os Plenários de Activistas, os Plenários Concelhios e as Conferências Distritais que se estão a realizar por todo o país com vistas a eleger novos órgãos dirigentes locais e distritais mais adaptados a uma UDP que tem 10 000 novos aderentes, têm discutido os problemas políticos e organizativos que se colocam à UDP. É necessário que esse debate se eleve até à Conferência Nacional dando-lhe a riqueza da vida de luta diária de toda a UDP.

A força do Comício Nacional da UDP. A força dos 10 000 novos aderentes que fizeram a UDP mais forte. A força que a batalha organizativa e a Conferência Nacional irão multiplicar por mil organizando esse grande exército político que é a UDP ao serviço da luta do povo e da defesa das conquistas de Abril.

NO JULGAMENTO DOS MILITANTES DA UDP
DENÚNCIA DOS CRIMES DA PSP
O julgamento dos 12 militantes da UDP, no prosseguimento do assassinato de José Jorge, no tribunal de polícia de Lisboa tem sido um exemplo do modo como deve ser conduzida na frente legal a luta pelas liberdades.
O carácter político dos processos (3) ficou claro desde a primeira hora e são os próprios polícias que o reconhecem quando confessam ter recebido instruções especiais do comando de Lisboa para calar quem denunciasse os crimes do 10 de Junho. Isto mesmo tem vindo a ser denunciado pelos camaradas processados que contaram as provocações a que foram submetidos, e pelos advogados da defesa.
Os polícias já ouvidos contradizem-se a cada passo e quando são apanhados descarregam a responsabilidade para um "chefe", que não se sabe quem seja. O que prova que os cordelinhos foram mexidos por cima, pelo menos ao nível do governo civil, e que as irregularidades cometidas não seriam denunciadas. Mas elas são muitas e saltam à vista: as prisões foram todas ilegais; os presos não tiveram conhecimento do que eram acusados nem puderam contactar com os seus advogados; os polícias afirmam ter presenciado factos que não presenciaram, e feito prisões que não fizeram, etc.
Assim o julgamento está a tornar-se face à opinião pública o próprio julgamento da PSP, das arbitrariedades que comete diariamente na maior impunidade. Mas será também o julgamento dos crimes do Largo do Camões quando a defesa fizer a prova de que a polícia atirou a matar para proteger um bando de nazis. A UDP, pelo testemunho dos seus dirigentes, assumirá as responsabilidades da propaganda distribuída pelos camaradas e as acusações que fez à PSP.

BENTO CARAÇA MORREU HÁ 30 ANOS
"Bento Jesus Caraça, exemplo de intelectual e de resistente antifascista morreu há 30 anos. Na passagem do aniversário da sua morte, a UDP relembra todos os antifascistas que deram toda a sua vida à luta pela liberdade.
O exemplo de Bento Jesus Caraça, num momento em que o fascismo derrubado cresce de novo de arrogância, não pode ser senão uma jornada unitária de luta contra o avanço da direita" - pode ler-se num comunicado de imprensa da UDP em que, após criticar igualmente a tentativa de aproveitamento partidário PS/PCP da jornada evocativa se faz um apelo à participação massiva nas realizações unitárias.

TOMÁS NÃO VOLTARÁ
Milhares de antifascistas, convocados pela Comissão Nacional Unitária contra o regresso de Américo Tomás, manifestaram-se nas ruas de Lisboa, na passada quinta-feira dia 22, contra a decisão do General Eanes de permitir o regresso do último presidente do fascismo. Apesar da manifestação não ter podido chegar junto ao Palácio de Belém, para onde se dirigia, devido a um forte aparato policial, este facto não constituiu motivo de atemorização para os antifascistas presentes que dali saíram com a determinação de não permitir o regresso de Tomás.
O movimento que se tem desenvolvido e abrangido os mais diversos sectores democráticos deve prosseguir, em todo o país e especialmente nos locais de trabalho, para que o protesto contra a permissão de Tomás regressar não pare e se desenvolva de forma a que possamos barrar de facto a vinda de Tomás para Portugal. Fascismo nunca mais!

DIA 28 ÀS 19,30H NOS RESTAURADORES
UDP APOIA MANIFESTAÇÃO DOS TRABALHADORES DE "O SÉCULO"
Vai realizar-se na próxima quarta-feira, 28 de Junho, uma manifestação dos trabalhadores de “O Século", apoiada e convocada também pelos sindicatos da Imprensa e pelo Secretariado coordenador dos trabalhadores da Comunicação Social de Lisboa.
Os trabalhadores de "O Século" continuam a ser vítimas da política governamental para a Comunicação Social, havendo claros indícios de que o governo se prepara para aprovar, nesse mesmo dia, medidas altamente lesivas dos direitos dos trabalhadores e das garantias constitucionais, tais como, por exemplo, a sua possível venda ou entrega ao capital privado. Estão em causa numerosos postos de trabalho. Trata-se de mais uma tentativa do Governo de fazer ainda mais cedências ao grande capital, na linha dos vergonhosos acordos celebrados com o FMI.
Nestas circunstâncias, a luta dos trabalhadores da Comunicação Social pela liberdade de informação e pela salvaguarda dos seus direitos é parte integrante da luta do povo português contra o avanço do fascismo e contra o reforço do poder do grande capital.

UDP REJEITA "DOCUMENTO JOÃO GOMES”
A Comissão Permanente da UDP tornou público um documento de análise ao "Projecto de Bases Gerais da Política de Informação" da autoria do Secretário de Estado da Comunicação Social.
"Na apreciação que faz do documento, a UDP considera que o mesmo não corresponde a um passo em frente na luta pela liberdade de informação. Pelo contrário, irá ser lesivo dos interesses do povo português. Ao fim e ao cabo é apenas uma versão sofisticada do projecto Roque Lino, não rejeitando as medidas propostas por aquele, antes deixando aberta a possibilidade de elas virem a ser aplicadas. (...)
Embora na sua introdução a SECS faça um conjunto de declarações de intenções democráticas, a política prática definida leva a UDP a rejeitá-lo. Da sua aplicação resultarão na realidade novos passos na recuperação capitalista e o avanço ainda maior das forças reaccionárias na comunicação social."
É esta posição de rejeição que a UDP tem tomado publicamente e nas reuniões dos Conselhos de Informação em que a maioria governamental tem feito aprovar tudo quanto lhe convém. De salientar também a posição conci­liadora do PCP que, embora reconhe­cendo em palavras tudo o que de nega­tivo o projecto João Gomes contém, não tem perdido uma oportunidade para louvar as suas "boas intenções" e tem mesmo votado favoravalmente o projecto.

VAI ACONTECER
ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DA UDP
Com início no próximo sábado, dia 1 de Julho às 10 horas e prolongando-se pelo dia de domingo tem lugar na Faculdade de Letras de Lisboa o I Encontro Nacional da UDP de Professores.
Este encontro é aberto a todos os professores democratas e antifascistas e as inscrições deverão ser feitas através da Comissão Organizadora que funciona em Lisboa na Rua Bernardo Lima, 64, Neste momento há já mais de 450 inscrições para o encontro que, no dizer da Comissão Organizadora, se destina a "definir com clareza quais as alternativas de luta que devem unir os professores democratas e antifascistas no sector do ensino e nos seus vários aspectos - política educativa, prática pedagógica e prática sindical."

DIA 2 DE JULHO VAI REUNIR O CONSELHO NACIONAL
A próxima reunião do Conselho Nacional terá lugar dia 2 às 10 horas na sede em Lisboa. Nela irão ser aprovados os documentos políticos e organizativos a apresentar à Conferência Nacional. Esses documentos serão imediatamente distribuídos a toda a organização.

CONFERÊNCIAS DISTRITAIS
Vão-se realizar as seguintes Conferências Distritais da UDP:
Setúbal - dia 2, às 10 horas no Barreiro
Lisboa - dia 8

REUNIÃO DE ACTIVISTAS SINDICAIS DA UDP
Sobre os decretos-lei do "Ordenado mínimo nacional" e "Vigência da Contratação" (121/78), segunda-feira, 3 de Julho, às 21 horas na sede da UDP de Lisboa, Rua Bernardo Lima, 64.

ENCONTRO DA UDP
Encontro da UDP da Zona Norte de Lisboa (Benfica, S. Domingos, Fátima, Bairro Santos, Campo Grande, Alvalade e Lumiar). Domingo 2 de Julho, às 15 horas na Sala das Furnas (a Sete Rios) com a participação de artistas revolucionários e a passagem de um filme.


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