terça-feira, 26 de junho de 2018

1978-06-26 - Unidade e democracia para continuar a luta comunicado nº 2 - UEDS



Unidade e democracia para continuar a luta
comunicado nº 2

NÚCLEO DE PROFESSORES (ZONA NORTE)
APARTADO 363 – PORTO

De uma forma coerente, os professores da Zona Norte souberam dar, nos dias 19 e 20, continuidade a um processo de luta orientado por objectivos globais e sectoriais que reflectiam as mais profundas aspirações da classe.
Em condições fortemente adversas, marcadas pela indecisão e incapacidade da Direcção em consolidar a mobilização e a dinâmica saídas da greve do dia 10 de Março, e também devido ao aprofundamento das divisões no seio da classe criadas pela actuação pseudo-democrática e mistificadora de um sector importante dos professores, a greve dos dias 19 e 20 reflectiu uma vez mais a disposição de amplos sectores da classe em recusar intransigentemente a política autoritária e anticonstitucional do M.E.C.

Contudo, um balanço serio dos resultados mostra que os objectivos definidos há longos meses pelos Executivos Nacionais, não foram alcançados e será necessário que todas as Direcções o reconheçam claramente.
Será necessário que se reconheça, sem tibiezas, que foi perdida a ultima oportunidade de no presente ano lectivo, alterar a favor dos professores uma situação que cada dia se torna mais injusta e insuportável. Será necessário extrair do processo todas as ilações e ensinamentos quer ao nível das Direcções, quer ao nível das estruturas sindicais intermédias, quer nos núcleos sindicais de base, quer sobretudo ao nível das próprias correntes sindicais e activistas
Para nós resulta claro que os professores estão, finalmente, a aprender na acção concreta e começam a acumular uma experiência rica cujos resultados irão aparecer, mais cedo ou mais tarde.
Neste contexto é imperioso perspectivar correctamente os próximos passos que temos de dar, Não podemos permitir que os dividendos da nossa luta possam ser aproveitados pelo M.E.C., nem tão pouco que sejam jogados contra os nossos interesses e direitos, por via de manobras exteriores à vida sindical. A consideração atenta da actual fase mostra que é fundamentais
- renovar esforços e acções tendentes à reunificação da classe a nível nacional e em particular na nossa zona;
- reforçar a democracia sindical a todos os níveis, desde os órgãos de cúpula aos núcleos de base;
- impedir que a desmobilização se cristalize e aumente, transformando-se em descrédito face às estruturas da classe e à luta dos professores;
- assegurar que a capacidade de resposta dos professores não se transforme em moeda de troca ao serviço de Interesses que não são os seus.

Desta forma consideramos que é prioritário:
1º - Que os Executivos Nacionais desencadeiem, de uma forma unificada, um processo de esclarecimento público (alunos e encarregados de educado) relativo à luta e à justeza das reivindicações da classe.
2º - Que os Executivos Nacionais, e em particular a Direcção inicie a todos os níveis a discussão e aprofundamento do Caderno Reivindicativo actualizado e tendo em conta o chamado Projecto de Bases Gerais da Reforma do Ensino.
3º - Que os Executivos Nacionais desenvolvam os esforços já iniciados para e criação, em moldes verdadeiramente democráticos e independentes, da federação Nacional dos Sindicatos de Professores.
4º - Que a Direcção assuma as suas responsabilidades como garante da democracia sindical, nomeadamente através de medidas que moralizem e dêem credibilidade a todas as estruturas sindicais favorecendo a actuação dos núcleos de base e dos delegados sindicais.
5º - Que a Direcção, tendo em vista o aproximar de um novo ano lectivo; inicie desde já um amplo processo de discussão e mobilização relativos à proposta, até ao fim do corrente ano de um contrato colectivo para o sector.
Estamos convencidos que os professores dispõem já de força e organização suficientes para levar a cabo estas acções indispensáveis e prementes. Bastará, para isso, que a unidade se reafirme, sobrepondo-se às naturais diferenças das correntes sindicais. Bastará, para isso, que a democracia sindical seja respeitada e assumida a todos os níveis na perspectiva de que o que esta em causa são os interesses e direitos dos professores, de milhares de professores, é a defesa de um Ensino que tem que estar concordante com o projecto constitucional.

SECRETARIADO DE PROFESSORES DA U.E.D.S.
(Zona Norte)
Porto, 26 de -Junho de 1973




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