sexta-feira, 22 de junho de 2018

1978-06-22 - Unidade Popular Nº 165 - PCP(ml)


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Cunhal sob a alçada da lei

Estipula o Art. 1.° da lei aprovada na madrugada de 16 de Junho que ficam proibidas as organizações que perfilham a ideologia fascista. O PCP(m-l) congratula-se vivamente com a aprovação da referida lei.
Não entendemos as reticências do CDS, que se absteve na votação. Como partido democrático que é só pode congratularão por o governo dispor agora de meios legais para reprimir as organizações fascistas.
Muito menos entendemos o voto contra do PSD. Como partido democrático que é, deveria congratular-se pelos mesmos motivos. Por estar na oposição, não quer dizer que seja obrigatório votar sempre contra tudo. Tanto mais que já vimos o PSD apoiar na Assembleia a lei da «reforma agrária», favorável a Cunhal.
O PS, proponente do projecto, votou naturalmente a favor. Como partido democrático que é, está interessado em que as organizações fascistas sejam banidas. O que é uma boa coisa.
O partido de Cunhal, no entanto, é que deveria ter votado contra! E a UDP também!
Não será pelo facto de a lei aprovada retomar no essencial o projecto apresentado pelos sociais-fascistas no fim do ano passado que estes deixam de ficar sob a alçada da lei. Pelo contrário. Em democracia burguesa, as leis abrangem todos, mormente os que as fazem.
Tanto pior para os sociais-fascistas, e tanto melhor para a democracia, se fizeram e aprovaram uma lei contra si próprios.

O que diz a lei
A lei considera fascistas «as organizações que pelos seus estatutos, pelos seus manifestos e comunicados, pelas declarações dos seus dirigentes ou responsáveis, ou pela sua actuação, mostrem adoptar, defender, pretender difundir ou difundir efectivamente, os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas que a história regista, nomeadamente o belicismo, a violência como forma de luta política, o colonialismo, o racismo, o corporativismo, ou a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes.»

Kunhal e Kaúlza sob a alçada da lei
Basta a leitura deste enuncia­do para ver que Kaúlza não é mais atingido que Kunhal.
Kunhal e Kaúlza defendem a mesma ideologia; Kunhal e Kaúlza propagam os mesmos valores: Kunhal e Kaúlza regem-se pelos mesmos princípios; Kunhal e Kaúlza exaltam os mesmos expoentes; Kunhal e Kaúlza querem implantar as mesmas instituições; Kunhal e Kaúlza usam os mesmos métodos. Em ambos os casos característicos de regimes fascistas. Só que o regime fascista que Cunhal exalta e quer impor é o da superpotência que constitui o inimigo principal dos povos de todo o mundo.
Os cunhalistas são os principais fascistas hoje em Portugal. Por isso são os maiores defensores do belicismo, da violência terrorista - que a referida lei condena -, e do colonialismo e racismo dos novos czares. E exaltam sem dúvida o maior fascista dos nossos dias, o novo Hi­tler, Brejnev.
A lei considera ainda como organizações fascistas as que «perfilhem ou difundam ideias ou adoptem formas de luta contrárias à unidade nacional».
Não há que ter também quaisquer dúvidas: ninguém melhor que Cunhal enfia esta carapuça. A quinta-coluna do social-imperialismo russo trabalha para que Portugal deixe de ser um país independente; por isso se esforça por destruir a unidade nacional. Como a sua actuação desde o 25 de Abril até à data largamente o comprova.
Resta esperar que a lei seja coerentemente aplicada contra todos os que abrange, de Kaúlza a Kunhal.
Isto apesar de nela não ser explícito, o que é a todos os títulos lamentável, que também estão abrangidos os fascistas que se escondem atrás de uma cobertura socialista.



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