sábado, 16 de junho de 2018

1978-06-16 - LIBERTAÇÃO E CONCESSÃO DE ASILO A PATRIOTA ARGENTINO FILHO DE PORTUGUESES - PC(ml)P



PARTIDO COMUNISTA (marxista-leninista) PORTUGUÊS

O Comunista
ÓRGÃO DO COMITÉ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Rua Castilho, 1 3-2.º Esq.º - LISBOA

Comunicado de Imprensa

LIBERTAÇÃO E CONCESSÃO DE ASILO A PATRIOTA ARGENTINO FILHO DE PORTUGUESES - Apela o P.C.(m-l) A.

Aproveitando a ocasião da sua vinda a Portugal para estar presente no Comício do CALPAL de solidariedade com o povo argentino e de denúncia do aproveitamento político do Mundial na Argentina pela ditadura chefiada pelo General Videla, Mário Rodriguez, representante do P.C.(m-l)A., Partido Comunista (marxista-leninista) da Argentina, emitiu em nome do seu Partido um comunicado de imprensa. Abordando a situação política na Argentina e a luta que é travada pela Resistência, em particular pelo seu Partido, apela à opinião pública anti-fascista portuguesa para que uma campanha seja desenvolvida em relação a um patriota encarcerado que é descendente de pais portugueses.
Neste sentido, o P.C.(m-l)P. e o jornal "O Comunista" agradecem a todos os órgãos de comunicação social que dêem a máxima divulgação a este comunicado dos camaradas do nosso Partido irmão argentino.

Lisboa, 16/6/78

Saudações democráticas A Comissão de Imprensa do Comité Central
Fala-se hoje muito da Argentina. O Campeonato Mundial e Futebol permitiu pôr a nu uma das mais brutais ditaduras fascistas do nosso tempo, começando os povos do mundo inteiro a tomar consciência disso.
Em 24 de Março de 1976, instalou-se no nosso país um regime, com o General Videla à cabeça, como nunca conheceu a nossa história.
Três objectivos tiveram e têm Videla e os generais da Junta militar fascistas
1 - Fazer do nosso país, um dos maiores e com mais recursos da América Latina, um paraíso da oligarquia e do imperialismo, em particular do imperialismo norte-americano. Lançar o povo argentino na miséria completa e aumentar a exploração dos trabalhadores e os superlucros dos monopólios.
2 - Liquidar o passado anti-imperialista e revolucionário do nosso povo, assassinando e encarcerando os melhores filhos da classe operária e do cam­pesinato.
3 - Produzir uma mudança de fundo no sistema político do país, restringindo todos os meios da participação popular - inclusive nos limites estreitos que permitia a democracia burguesa - pondo em funcionamento instituições de tipo fascista.
Este golpe foi apoiado desde os primeiros momentos pelo social-imperialismo soviético que procurou, com este apoio político ganhar posições em sectores da oligarquia e das forças armadas para mudar de amo na Argentina.
Mas é preciso dizer que o povo argentino resistiu ao golpe de Estado, e desde essa altura nunca mais deixou de lutar contra a ditadura.
Há dias soubemos que um acto de sabotagem fez explodir uma torre de alta tensão nos arredores de Buenos Aires e que esta cidade de mais de 9 milhões de habitantes, ficou durante toda uma tarde sem electricidade.
Isto recorda-nos a onda de greves em Outubro e Novembro de 1977, em que o combate firme dos ferroviários, dos operários da electricidade e portuários, colocou o país à beira da greve geral.
Recordamo-nos também das greves e das sabotagens na Renault, dos metalúrgicos de Villa Constitución, dos operários do vidro, dos rodoviários, dos têxteis, dos mecânicos, etc...
Isso mostra que há um povo, com a classe operária à cabeça, que está empenhado em reorganizar-se e lutar para derrubar a ditadura e começar a construir uma nova Argentina.
Videla e os generais pretendem hoje anunciar uma certa “abertura política”. Fica bem claro até onde vai esta abertura quando encarceram dirigentes radicais somente porque pediram eleições. O povo argentino não pode confiar nos vendedores de divergências no seio das forças armadas como caminho para a libertação.
O nosso Partido apela a todas as forças políticas argentinas que estão contra a ditadura a unirem-se e construir uma sólida frente anti-ditatorial.
Hoje o nosso Partido ergue três bandeiras:
Abaixo a ditadura!
Por um governo provisório das forças anti-ditatoriais.
Pela convocação duma Assembleia Geral Constituinte para que o povo argentino possa livremente decidir do seu destino.
Queremos lançar um apelo a todos os povos do mundo, e em particular ao povo português, para que denuncie e isole cada vez mais a ditadura de Videla, para que a solidariedade com a luta do heróico povo argentino seja cada vez mais multiplicada. Muito particularmente, apelamos para que o povo português se empenha em exigir a libertação das prisões argentinas e a concessão de asilo político em Portugal do militante patriota e anti-imperialista JOSÉ ESTEVÃO, filho de portugueses, ex-director de um diário popular "La Voz de Solano" do Sul da Grande Buenos Aires.

Lisboa, 16/6/78        
Partido Comunista (m-l) da Argentina


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