sexta-feira, 15 de junho de 2018

1978-06-15 - Unidade Popular Nº 164 - PCP(ml)


Para ver todo o documento clik AQUI
Revista

AS CONQUISTAS DA «REFORMA AGRÁRIA»
Atinge os muitos milhares a violência da razia que está a ser feita nas árvores das terras nacionalizadas do Alentejo. A continuar a este ritmo, deixará grande parte do Alentejo sem uma sombra.
Perante as proporções alarmantes do abate, existe a proposta de formar uma subcomissão da Assembleia da República para segundo refere um vespertino, «verificar os acontecimentos avaliar as consequências». Pelo que se pode avaliar, perdura política da casa roubada...
As árvores, para além da riqueza que representam, são um factor importante nas condições climatéricas, que um abati desenfreado e indiscriminado pode vir alterar em grande medida

Será esta mais uma a acrescentar à longa lista das conquistas da «reforma agrária»? E quando acabará de vez o deus-dará que só aos sabotadores aproveita?
Não é de forma alguma compreensível ou admissível que nas terras nacionalizadas do Alentejo continue a vigorar a lei da selva imposta pelos caciques cunhalistas. Urge que se acabe de vez com a incompetência e a passividade que dão aos sociais-fascistas oportunidade de fazer o que melhor lhes convém.

UM PERIGO PARA A SAÚDE PÚBLICA QUE URGE ERRADICAR
Por entre um inacreditável amontoado de carne podre, rataria e imundície, foram as brigadas da Direcção-Geral da Fiscalização Económica encontrar a carne destinada ao consumo nos frigoríficos de um matadouro de Alcobela, em Arruda dos Vinhos Numa instalação de frio, na Junqueira, iniciaram a fiscalização por ter sido detectada meia tonelada de carne já imprópria para consumo.
O matadouro em causa no primeiro caso foi considerado em Março último como estando em boas condições de funcionamento e recebe, duas vezes por semana, a visita do veterinário da câmara local.
Para além de não terem nariz, porque o nauseabundo cheiro reinante não dava lugar a dúvidas, os responsáveis que permitem que um matadouro funcione em tais condições andam a brincar com a saúde pública. É caso para exigir que as autoridades actuem com a maior firmeza. E que, em presença de pelo menos dois casos de flagrante atentado a saúde pública, a vigilância e a fiscalização passem a ser sistemáticas e rigorosas, e não se exerçam apenas quando há toneladas de produtos alimentares a desfazer-se de podres.

O PREC NO MAP
Enquanto continua a venda ilegal da cortiça ilegalmente arrancada nas terras ilegalmente ocupadas pelas «UCPs», é nomeado para o cargo de secretário-geral do Ministério da Agricultura e Pescas o eng. Dionísio Leitão. Este indivíduo é responsável por «saneamentos» selvagens no dito ministério enquanto durou o famigerado PREC e apadrinhado pelo partido social-fascista de Cunhal. À nomeação de tal indivíduo não presidiu decerto a intenção de acabar com o reinado dos novos patrões sociais-fascistas do Alentejo nem de fazer aplicar a chamada Lei das Bases. Muito pelo contrário. Parece que o MAP quer fazer reviver e perdurar o defunto PREC.

ENVEREDAR POR MAUS CAMINHOS
A Comissão de Qualidade não atribuiu ao filme Veredas, de João César Monteiro o beneplácito que o faria passar por aquilo que não é. E não deixa de ser triste verificar que há quem, em vez de aplaudir tal decisão, se ponha a assinar abaixo-assinados, de mistura com sociais-fascistas e juízes, considerando «arbitrário» tal facto.
Com certeza que os critérios da Comissão de Qualidade não são propriamente aqueles que subscrevemos. O que é lamentável é que, vindos de quem vêm, os protestos surjam quando a decisão é, apesar de tudo, acertada.
Não é certamente querendo fazer passar gato por lebre que se encoraja e melhora a pobre cinematografia portuguesa.

PROVOCADORES FASCISTAS INSISTEM NUMA ESTÁTUA DE SALAZAR
Através do Jornal Português de Economia e Finanças, elementos fascistas do PDC (o Secretário-Geral do grupo fascista de Pinheiro de Azevedo é o director daquele jornal) iniciaram uma subscrição pública com o objectivo de obter fundos para a construção de uma estátua ao ditador fascista Salazar.
A intenção dos fascistas não é certamente a de homenagear o «insigne estadista», como eles chamam a Salazar. A verdadeira finalidade é a provocação ao regime democrático e testar a capacidade de resposta dos governantes. Se for a mesma que se verificou quando dos acontecimentos de Santa Comba, os fascistas sabem que têm boas possibilidades de retirar trunfos. E não são apenas eles. Os cunhalistas também se aproveitam e embandeiram em arco com as provocações dos fascistas. Aliás, fascista e sociais-fascistas bem podiam arranjar uma craveira para medir a quem aproveitam mais os elogios e acções de louvor a Salazar.

O DIRECTOR DO SEMANÁRIO FASCISTA «A RUA» ARMA-SE EM MÁRTIR
O director do semanário fascista A Rua armou em mártir, ao optar por uma pena de prisão de dois anos em vez do pagamento de caução, depois de ter sido condenado por crimes de imprensa.
Muito se tem falado no nosso país em liberdade de imprensa mas este caso bem pode ser riscado do debate que actualmente se verifica nas páginas dos jornais portugueses. E simplesmente porque o director de A Rua se aproveita de determinados exageros ou atitudes menos correctas das autoridades para dar como certo que em Portugal não há liberdade de imprensa. O que é uma mentira tão estúpida quanto existem livremente em Portugal jornais fascistas como A Rua ou O Diário. Quer um quer outro são especialistas em deturpar e inventar. É por isso a justiça deve ser implacável com estes inimigos das liberdades democráticas.



Sem comentários:

Enviar um comentário