sexta-feira, 15 de junho de 2018

1978-06-15 - MANIFESTO ERGAMO-NOS CONTRA O ACORDO DE TRAIÇÃO A PÁTRIA CELEBRADO COM O F.M.I. - MLAI


aos soldados e marinheiros aos militares democratas e patriotas

MANIFESTO
ERGAMO-NOS CONTRA O ACORDO DE TRAIÇÃO A PÁTRIA CELEBRADO COM O F.M.I.

CAMARADAS,
O Acordo vende-pátrias assinado entre o Governo e o FMI, representa a saída da burguesia para a crise, um reforço da contra-revolução e um ataque a INDEPENDÊNCIA NACIONAL.
Este Acordo de traição à Pátria mostra-nos que a burguesia seguiu a via da subjugação ao imperialismo e ao social-imperialismo, a via da capitulação perante as exigências do Fundo o que acarretara para o nosso povo mais fome, miséria e desemprego.

Este Acordo humilhante representa a venda da nossa Pátria e a perda das conquistas alcançadas pelos operários e camponeses pelos soldados e marinheiros e pelos militares democratas e patriotas, e é a tentativa para que sejam estes a pagar a conta e a resolver a crise a favor da burguesia.
A questão que se nos coloca é a de saber qual a via a seguir, se avia seguida pela burguesia e os seus partidos, de subjugação e capitulação perante as exigências do FMI, a via da repressão sobre as lutas dos trabalhadores, a entrega das fábricas aos patrões, das terras aos latifundiários e da venda da nossa Pátria; ou a via da luta contra a dominação estrangeira e pela expulsão da nossa Pátria de imperialistas e social-imperialistas, a via do controlo da produção pelos trabalhadores, a via da REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA E POPULAR E DO GOVERNO POPULAR que trará para o nosso povo uma vida melhor e um país onde se acabe com a exploração do homem pelo homem.
Decerto que os soldados e marinheiros e os militares democratas e patriotas irão decidir-se pela segunda via, tendo consciência de que aquilo que esta em crise e a economia dos capitalistas e o seu sistema de exploração, sendo esse sistema que temos de derrubar e sobre os seus escombros edificar uma sociedade nova.

A APLICAÇÃO DO ACORDO E O EXÉRCITO
A burguesia, de acordo com o FMI, reserva ao exército, como pilar fundamental do Estado capitalista, o papel de batedor na aplicação do Acordo vende-pátrias.
O papel que a burguesia destina às suas forças armadas é o da contenção da revolta popular, a repressão sobre o movimento grevista, a defesa dos patrões e latifundiários da devolução das fábricas e dos campos, que foram justamente ocupados pelos operários e camponeses.
O papel que a burguesia destina ao exercito e a possibilidade de este vir a intervir para que o Acordo de traição à Pátria possa vir a ser aplicado de acordo com os interesses do imperialismo, não está desligado da actuação do seu bloco-militar-NATO nos últimos-tempos, em que estes têm intensificado a sua ingerência no seio do exercito da burguesia, têm vindo a treinar um certo número de oficiais, têm intensificado o armamento das unidades que lhe interessam, fornecendo-lhes armamento sofisticado enquanto por outro lado vão formando a chamada brigada/NATO onde estão a incorporar a força os filhos do povo fardados.
Por outro lado, e sabendo a burguesia que sem um exército disciplinado este não lhe obedeceria, a repressão que tem vindo a intensificar-se dia a dia e de todas as maneiras, sobre os soldados o marinheiros e outros militares democratas e patriotas, de forma a militarizar o exército e a torna-lo obediente.
Tanto a intensificação do controlo político e militar, por parte da NATO sobre as nossas forças armadas, como o aumento da repressão sobre os filhos do povo na tropa e outros militares, não visam outro objectivo que não seja a preparação da intervenção do exército.
Aos soldados e marinheiros, aos militares democratas e patriotas cabe-lhes dar a justa resposta às pretensões da burguesia/FMI, deitando por terra as pretensões dos militaristas ao procurarem que nós nos voltemos contra o nosso povo.

OS SOLDADOS E MARINHEIROS E O ACORDO COM O FMI
A situação que neste momento se vive dentro dos quartéis, bases e navios, em que numa primeira fase fomos perdendo todas as nossas conquistas, desde a proibição da liberdade de expressão e de reunião até à perda ultimamente dos 75 por cento de desconto nos comboios, na linha do norte, vindo agora os militaristas a intensificar a repressão sobre nós, com o objectivo de nos neutralizar e de nos preparar para virar contra o povo em luta. É necessário que respondamos e que nos mobilizemos em torno de um PROGRAMA DE ACÇÃO, para o qual conclamamos os soldados e marinheiros e outros militares democratas e patriotas a defender e a aplicar.

PROGRAMA DE ACÇÃO
1. Lutar contra o Acordo vende-pátrias, criando uma opinião pública dentro dos quartéis, bases e navios exigindo a sua imediata anulação e divulgação de todas as suas cláusulas.
2. Lutar contra a repressão e a disciplina militarista e pela defesa da liberdade de expressão e reunião dentro dos quartéis, bases e navios.
3. Lutar pela manutenção de todas as conquistas que alcançámos através da luta depois do 25 de Abril.
4. Lutar pelo reforço da organização dos soldados e marinheiros e ou­tros militares democratas e patriotas dentro dos quartéis, bases e navios.
Este é o PROGRAMA EM 4 PONTOS QUE O MOVIMENTO DE LUTA ANTI-IMPERIALISTA (MLAI) apresenta aos soldados e marinheiros e outros militares democratas e patriotas, de forma a mobiliza-los para a luta contra o Acordo de traição à Pátria celebrado com o FMI pelo Governo social-centrista e seus lacaios.
Camarada soldado e marinheiro e militar democrata e patriota discute e divulga este PROGRAMA DE ACÇÃO aos teus camaradas e organiza-to, em torno dele criando na tua unidade os MOVIMENTOS DE LUTA ANTI-IMPERIALISTA.

ERGAMO-NOS CONTRA O ACORDO DE TRAIÇÃO A PÁTRIA CELEBRADO COM O FMI!
CONTRA O FMI! GOVERNO POPULAR!
ONDE HÁ OPRESSÃO HÁ RESISTÊNCIA!
VIVA A JUSTA LUTA DOS SOLDADOS E MARINHEIROS!

Lisboa, 12 de Junho de 1978
MOVIMENTO DE LUTA ANTI-IMPERIALISTA (MLAI)




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