sexta-feira, 15 de junho de 2018

1978-06-15 - Bandeira Vermelha Nº 126 - PCP(R)


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O FASCISMO NÃO PASSOU!

No passado sábado o povo do Porto desceu à rua. Não para apoiar o bando de pouco mais de 100 nazis, mas, pelo contrário, com o firme propósito de não deixar passar esta provocação contra o 25 de Abril. Como sempre, a polícia de choque, numa histeria permanente, carregou sobre os democratas e antifascistas que, indignados com as saudações nazis e os insultos ao povo português, assobiavam constantemente esses meninos-bem.

CAL BRANDÃO AUTORIZA OS FASCISTAS
Convocada com larga antecedência "contra o comunismo e o socialismo", a manifestação logo apareceu aos olhos de todos como fascista e anti-constitucional. Mas, o sr. Cal Brandão (governador civil) não achava isso e deu-lhe o seu aval. Mais ainda, deu-lhe a protecção de centenas de polícias de choque que cercavam por completo a Praça D. João I. O repúdio que se gerou por tal atitude ficou bem expresso num abaixo-assinado que contava com assinaturas como as de Rui Polónio Sampaio, Strech Ribeiro, José Castro, Ruy Luís Gomes, etc., e ainda pelos inúmeros comunicados dos sindicatos e da Câmara que protestavam contra a medida tomada por Cal Brandão e o responsabilizavam por tudo quanto viesse a acontecer. Mesmo assim, o Governador Civil continua a achar que democracia era o que ele tinha decidido e que os milhares de portugueses não percebiam nada dessas coisas pois não concordavam com ele.

"POLICIA FASCISTA ASSASSINA"
Chegado o dia e a hora da manifestação, instalações sonoras convidaram os "interessados" a abeirarem-se da Praça. Cinco, dez, quinze fascistas o fizeram. Era a prova de que as mais de 1500 pessoas ali presentes não deixariam passar a provocação. Sucederam-se intervenções contra os povos de Angola, Guiné e Moçambique. Contra o 25 de Abril. Contra o Socialismo. Contra os comunistas. O próprio Eanes não foi poupado. Disse-se que "Camões combateu no Ultramar em defesa da Pátria como depois combateria o exército colonial".
Mas o povo não desmobilizava. "Morte ao fascismo!" "Daqui ninguém arreda pé!" Sucediam-se as cargas brutais da polícia de choque e mesmo disparos. Para o ar, diz a polícia, tão altos que costumam atingir nas pernas.
E então gritava-se ainda mais alto: "Po­lícia fascista assassina!"
Ao lado dos microfones lá continuavam a incitar os meninos-bem os conhecidos caceteiros e bombistas. Entre eles estava o famigerado Zé Gordo que dirigiu o ataque à sede da UDP, LCI e livraria Avante na manifestação fascista de apoio ao reaccionário Pires Veloso. Armas também não faltavam. Será que o fascista preso, possuidor de uma pistola que mais parecia um canhão, vai pagar por isso? Ou será que o professor de Belas Artes espancado desumanamente, como só os SS alemães se atreveriam, vai funcionar como moeda de troca? Este espancamento seguido de prisão foi ordenado por espiões fascistas no seio dos populares a quem a polícia obedecia escrupulosamente.
Algum tempo depois iniciava-se o desfile. 150 ou 170 pessoas o compunham. "Deus, Pátria e Justiça" era o lema do desfile. A "Portuguesa" seria então cantada com a saudação nazi. A provocação fascista era, tão descarada que seria mesmo feita com luvas pretas. Os populares responderam cantando a Internacional de punho bem cerrado. Nova carga policial. Contra a saudação nazi como está decretado na Constituição? Não; Contra os antifascistas, como manda Cal Brandão. É assim a nossa democracia. A ira popular seria ainda demonstrada quando um "Mercedes" preto que passeava pela manifestação seria apedrejado. Por ser um "Mercedes"? Por lá dentro se encontrar o vice-governador civil do Porto, também responsável pela realização da manifestação.

NÃO VENHAM DIZER QUE ERAM "ESQUERDISTAS"
Como sempre, os revisionistas saíram com um comunicado onde se atacava o "esquerdismo". Chamavam os seus militantes para as sedes. Tentaram, no dia 10, desmobilizar os populares presentes com alguns quadros treinados na agitação. Não o conseguiram. A resposta foi: "daqui ninguém arreda pé". Os seus militantes não obedeceram. Não venham agora dizer que eram alguns jovens desesperados com a situação política. Eram caras de 40, 50, 60 anos temperados pelo trabalho. Eram caras que gritavam com energia e vontade de não deixarem passar a reacção. Tudo isto se passou alguns dias depois de Soares ter apelado à repressão sobre o terrorismo e o fascismo. Tudo afinal não passou de "bocas". O povo é que foi reprimido e o nazismo protegido.
A 10 de Junho ficou mais uma vez demonstrada a necessidade de uma jornada de luta a nível nacional que remeta os fascistas para as suas tocas. Ficou também demonstrado que o povo está pronto a defender a liberdade, a reprimir os fascistas e a não atender a calma que lhe pedem.





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