quinta-feira, 14 de junho de 2018

1978-06-14 - UDP INFORMAÇÃO Nº 13 - UDP


UDP INFORMAÇÃO
Nº 13 14 de Junho de 1978

JOSÉ JORGE ASSASSINADO PELA PSP E PELO FASCISMO
O comício de dia 18 será uma grande manifestação de dor e revolta
O antifascista José Jorge Morais, de 18 anos de idade, caiu assassinado pelas forças repressivas quando protestava contra a realização de uma manifestação fascista, no 10 de Junho, em Lisboa.
Um bando de desordeiros nazis, realizou em Lisboa e no Porto manifestações provocatórias contra o 25 de Abril e a liberdade. Distintivos nazis, correntes, matracas e pistolas eram empunhadas pelos ex-pides saídos em liberdade, como o famigerado chefe de brigada Capela, pelos mercenários do ELP e pelos filhos-família da JC. Protegidos pela PSP, dispararam sobre os populares que se encontravam no largo protestando contra a manifestação. Os polícias, protegendo-os, investiram selvaticamente sobre os populares disparando de imediato tiros de pistola e de G3, provocando vários feridos de gravidade entre os quais o activista da UDP Jorge Falcato, professor, que corre o risco de ficar paralisado dos membros inferiores, e um morto, o camarada José Jorge, activista da UDP e membro da UJCR.

A manifestação que o Governo Civil escandalosamente permitiu e que a PSP protegeu criminosamente, não era legal. De facto, ela estava contra a Constituição que proíbe claramente o exercício de práticas e de propaganda fascistas. Legais e justos só haviam os protestos dos populares que defendiam a Constituição e o 25 de Abril.
O Conselho Nacional da UDP, reunido no dia 11 apontou: "A UDP, nesta hora de dor e de revolta, apela a todos os democratas, a todos os antifascistas, a todos os partidos e organizações de esquerda, a todos os trabalhadores e estudantes, às suas organizações representativas para que expressem a sua indignação pela impunidade com que actuam os fascistas e a sua revolta por mais este crime da PSP".
A UDP exige a punição exemplar dos assassinos de José Jorge e dos res­ponsáveis pela actuação da PSP.
A UDP apela para que se levante um grande movimento de protesto e de revolta contra o assassinato de José Jorge, contra um assassinato que é um crime contra todos os que defendem o 25 de Abril e a liberdade.

COMÍCIO NACIONAL
18 Jun. l5h C. PEQUENO
COMÍCIO DE 18 DE JUNHO: MANIFESTAÇÃO DE REVOLTA CONTRA A REPRESSÃO CONTRA A POLÍTICA DE DIREITA EM DEFESA DAS CONQUISTAS DE ABRIL
Por Mariano Castro da Comissão Permanente da UDP

O assassinato do camarada José Jorge Morais, uma semana antes do Comício Nacional de 18 de Junho, vai multiplicar a energia que todos os activistas da UDP estão a pôr na sua convocação.
Os recentes acontecimentos dão um carácter novo ao Comício Nacional. Ele será uma jornada de protesto, intervindo directamente na luta contra o assassinato e as violências policiais. Mais do que nunca os antifascistas viram os olhos para a UDP e para o caminho corajoso que esta aponta.
Impõe-se que se continue a desenvolver a iniciativa por todo o lado, que chamemos a esta realização da UDP o maior número de antifascistas.
O protesto contra o regresso de Tomás e o protesto contra o assassinato do nosso jovem camarada constituem duas grandes bandeiras na luta que se desenvolve hoje no nosso país contra o avanço da direita que se está a fazer a todos os níveis.
O comício de 18 de Junho tem que constituir a afirmação viva e inequívoca de que a UDP é uma força com real implantação nacional, implantação nacional. O comício vai constituir uma grande manifestação de revolta popular contra a política de direita do governo e contra a actividade repressiva das autoridades que hoje se manifesta tão descaradamente.

JOSÉ JORGE ASSASSINADO PELA PSP PELO FASCISMO

PRESOS DOIS MEMBROS DO CON­SELHO NACIONAL
Numa atitude de clara provocação a PSP prendeu cerca das 15 horas de segunda-feira, os camaradas Armando Norte e Manuel Monteiro, que se encontravam frente à sede Nacional da UDP, em Lisboa. Empunhando G3 os polícias prenderam no mesmo momento outros camaradas que se encontravam a distribuir propaganda relativa ao assassinato de José Jorge.
As prisões arbitrárias de activistas da UDP encontrados a distribuir propaganda, a destruição raivosa de pinturas e cartazes e agora esta atitude provocatória assumem uma gravidade sem precedentes e constituem um atentado às mais elementares liberdades.
A PSP de uma só vez rasga a Constituição e volta aos velhos métodos do capitão Maltês, chefe da famigerada polícia de choque, hoje já reintegrado no aparelho policial. As provocações da PSP não ficarão impunes!

PSP ARRANCA CARTAZES E PREN­DE OS QUE DENUNCIAM O CRIME
Desde a noite do dia 10 que a PSP tem andado desvairada pelas ruas da cidade a rasgar todos os cartazes que têm sido colados a denunciar o assassinato de José Jorge.
Em Algés pintam afanosamente as paredes por cima das pinturas que têm sido feitas. Em Lisboa já efectuaram várias prisões de activistas que têm distribuído comunicados à população. Perto da sede central da UDP vieram armados de G3 arrancar cartazes que se encontravam colados.
É do nosso conhecimento que na noite do dia 11 circulou em todos os postos da PSP uma directiva para as esquadras poderem arrancar todos os cartazes e prender quem distribuísse propaganda relativa ao assassinato de José Jorge. A PSP pretende voltar a impor nas ruas de Lisboa o regime de terror do fascismo.

COMÍCIO DE PROTESTO CONTRA OS CRIMES DA DITADURA ARGENTINA
O CALPAL (Comité de Apoio às Lutas dos Povos da América Latina) está a promover em todo o país uma campanha de protesto contra a barbárie da ditadura argentina que, no momento em que se realiza nesse martirizado país o Campeonato do Mundo de Futebol, pretende adquirir o prestígio internacional que lhe falta.
Entre as realizações do CALPAL destaca-se o comício a realizar em Lisboa, no pavilhão do Clube Atlético de Campo de Ourique, na próxima quinta-feira, dia 15 de Junho, às 21 30h. Conjuntamente com a UDP outras forças políticas apoiam esta manifestação de solidariedade anti-imperialista, nomeadamente a JS, a UEDS e o MES.
O PCP não apoia as iniciativas do CALPAL de denúncia dos monstruo­sos crimes da ditadura argentina, devido aos seus comparsas argentinos darem um apoio crítico à Junta Militar que governa aquele país.

TOMADAS DE POSIÇÃO DA JS, DA JUC, DA UJCR E DO PCP(R)
Até ao momento a UDP conhece as tomadas de posição contra a permissão da manifestação nazi e contra a actuação da PSP por parte da Juventude Socialista e da Juventude Universitária Católica, para além da UJCR e do PCP(R) que tomaram imediatamente posição pública.
Todas as organizações antifascistas contra os assassinos da PSP!

"O DIÁRIO” AO LADO DO GOVERNO CIVIL
Enquanto a generalidade da imprensa denuncia os crimes da polícia, "o diário”, num vergonhoso editorial, acusa tanto os fascistas como os populares e a UDP (que refere como "os dois bandos de provocadores") do assassinato de José Jorge. Ao mesmo tempo, levanta-se contra a "utilização" do "clima emocional criado pela morte absurda de um jovem". Que todos os antifascistas tirem lições deste editorial de "o diário".

CENSURA NA RTP?
Enquanto o Telejornal ocupou as suas edições de sábado e domingo quase exclusivamente com o passeio de Eanes a Portalegre, não se preocupou em recolher o depoimento do Conselho Nacional da UDP ou sequer em divulgar que o jovem assassinado era um antifascista. Pelo contrário fabricaram notícias caluniosas sobre os acontecimentos.
Sabendo nós que uma jornalista da RTP do Porto foi aí agredida durante a manifestação neofascista, é caso para perguntar: será que os serviços de censura foram reabilitados e postos a trabalhar na TV?
É que a ausência quase todas de notícias e a hipocrisia com que estas foram tratadas é bastante semelhante com a de há cinco anos, quando outro jovem estudante, Ribeiro dos Santos, foi assassinado pela PIDE.

UDP APOIA MANIFESTAÇÃO CONTRA O REGRESSO DE TOMÁS
A UDP apoia a manifestação que se vai realizar em Lisboa quinta-feira dia 22, contra a permissão que Eanes deu ao último presidente do fascismo para regressar a Portugal.
A manifestação é convocada pela Comissão Nacional contra o regresso de Américo Tomás, constituída por várias personalidades de diversas correntes políticas antifascistas: Ruy Luís Gomes, Humberto Delgado, Lopes Cardoso, Luís Moita, Maria Lamas, Acácio Barreiros, Teotónio Pereira, Lopes Graça, Mário Dionísio, Manuel Lopes, Alcina Bastos, Carlos Lage, César de Oliveira e Carlos Botelho, entre outros.
Entretanto, em inúmeras empresas, tem prosseguido o movimento que exige ao Secretariado da CGTP a convocação de uma paralisação nacional de protesto contra o regresso de Tomás e de apoio à manifestação do dia 22.

PROSSEGUE A MOBILIZAÇÃO PARA O COMÍCIO DO DIA 18
Em todo o país as comissões distritais e estruturas de base estão a preparar iniciativas integradas na mobilização para o comício nacional de dia 18 de Junho.
Especialmente das zonas mais próximas de Lisboa está-se a prever que venha grande número de pessoas.
Assim dos concelhos de Almada e Seixal virão pelo menos 4 camionetas que se concentrarão na Cova da Piedade às 14.00 h. Do concelho de Setúbal virão igualmente várias camionetas com partida às 8.30 h, dirigindo-se depois para a zona de Sintra, onde os camaradas almoçarão antes de vir para Lisboa. Do Barreiro vêm desde já pelo menos 7 camionetas.
Do distrito de Santarém virão cerca de 300 pessoas num comboio especialmente fretado para o efeito com passagem por Tomar, Entroncamento, Santarém e Azambuja.
Da zona de Alcácer do Sal/Sines já estão programadas 4 camionetas que se encontrarão em Águas de Moura com a excursão vinda de Évora. Também do Alentejo, do distrito de Beja, virão 2 camionetas da região de Aljustrel/Castro Verde e outras 2 de Beja, havendo inúmeros camaradas a preparar a sua vinda por outros meios.
Do distrito de Leiria vêm pelo menos 5 camionetas, sendo 2 de Leiria e Marinha Grande, outras 2 da Nazaré e a última das Caldas da Rainha e de Peniche. Encontrar-se-ão pelas 10.30h na Espinheira para prosseguirem em marcha conjunta até Lisboa.
De Viana de Castelo e de Viseu também vêm pelo menos uma camioneta de cada distrito. Os camaradas de Viseu estão inclusivamente a preparar a sua intervenção com um grupo de teatro.
Finalmente do Porto virá um comboio com pelo menos 400 pessoas, que partirá da estação de S. Bento às 7.00 h de domingo. Entretanto na sexta à noite já terá vindo uma camioneta com os delegados do distrito do Porto à Conferência Nacional da UDP no dia 17.
De outros locais do país estão a ser igualmente preparadas vindas colectivas, de que não temos contudo dados concretos. Sabemos que do Algarve, de Portalegre, das Beiras e de Trás-os-Montes virão também grande número de camaradas, bem como estarão presentes na Conferência 23 delegados da Madeira e dos Açores.
A preparação do comício prossegue em força e vai constituir sem dúvida uma afirmação nacional da força da UDP.

UDP APOIA GREVE GERAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL
No seguimento da vitoriosa paralisação de meio-dia em 18 de Maio, com a participação de mais de 90 por cento dos trabalhadores do sector, a construção civil vai parar novamente no dia 15-6-78, indo os trabalhadores exigir, com a mesma firmeza que têm mostrado, que as entidades patronais assinam de vez o CCTV, e lutar pelas suas reivindicações: 1 900 escudos de aumento para todos; não ao trabalho aos sábados; não aos contratos a prazo; pelo pagamento das deslocações, etc.




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