quinta-feira, 14 de junho de 2018

1978-06-14 - A GREVE QUE ESCOLHEMOS - Sindicato Prof. Zona Norte



SINDICATO DOS PROFESSORES DA ZONA NORTE RUA D. JOÃO IV, 610 - T. 563527/564178 • PORTO

A GREVE QUE ESCOLHEMOS

Os professores da Zona Norte estão de parabéns porque souberam defender, souberam escolher uma forma de luta séria, consequente, eficaz.
É uma forma de luta dura mas não o será tanto como alguns vaticinam.
De facto:
- no que se refere a perda de vencimentos, o sistema adoptado permite que, com poucos dias, de cada professor se consiga uma longa greve ... greve que o Ministro não se pode permitir fazer longa ... vamos, de resto, receber os retroactivos e o subsidio de ferias: um pouco de sacrifício agora trazer-nos-á grandes compensações amanhã. (Em Espanha, os professores primários estiveram, durante este ano, 22 dias em greve - no final tinham obtido a integral satisfação das suas reivindicações! Nós não vamos precisar de 20 dias!...)

- a eventualidade da requisição civil não terá mais êxito do que o despacho anti-greve 9/78 que o Ministro teve de revogar
- relativamente às férias, os professores têm sempre o direito aos 30 dias: pode apenas haver alterações de datas, mas a quem iam servir? E se lutamos, podemos ter que sofrer alguma coisa... mas a vitória será melhor!
- o exercício do direito à greve não pode trazer aos professores mais prejuízo do que o da perda do vencimento dos dias de greve.
Como vamos fazer a greve
ENSINO PRIMÁRIO - Propomos aos colegas, que a 19 e 28 estão ainda em aulas, que manifestem por telegrama, ou processo semelhante, ao MEC, no dia 19, que estão em luta, solidários com uma greve que só por não estarem, neste momento, em avaliação não podem efectuar.
Propomos, ainda, que entrem num esquema de solidariedade pela oferta de um dia de greve para os colegas do CPES e ES.
CPES - Como as provas globais estão inseridas no sistema de avaliação continuada deverão realizar-se.
Não se realizam, porém, os conselhos subsequentes, nem tão pouco os exames do 29 ano do Ciclo.
CPES e ES - Nos dias 19 e 28 todos os professores farão greve a todo o serviço de avaliação.
Entre os dias 19 e 28 e designadamente nos dias de reunião deve elaborar-se um plano que garanta a ausência de dois professores, pelo menos, em cada conselho.
Esse plano terá em conta que um professor deve faltar o dia inteiro (as greves de horas contam como dias) e procurara que cada professor faça a greve em dias consecutivos de preferência, a dias alternados: assim para além do dia 19, em que todos fazem greve, se um professor tem de faltar 2 dias fá-lo-á de preferência a 20-21 ou 21-22 do que a 20 e 22 ou 20 e 23.
A partir do dia 28 a greve será feita por escolas segundo os dias e será indicado, oportunamente, pela Direcção o plano elaborado.
ENSINO SUPERIOR - Para além da greve aos exames, que se efectua a 19 e 28 os colegas adaptarão a cada Escola o esquema aprovado.
Confiamos em todos, porque as opiniões podem não ter sido iguais mas é de todos a luta…    E nós escolhemos

LUTAR ATÉ VENCER

A DIRECÇÃO
Porto, 14 de Junho/978


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