domingo, 10 de junho de 2018

1978-06-10 - PROTEGENDO PROVOCAÇÃO NAZI NO 10 DE JUNHO Polícia assassina jovem antifascista - UDP


PROTEGENDO PROVOCAÇÃO NAZI NO 10 DE JUNHO
Polícia assassina jovem antifascista

Pelas 16 horas do dia 10, no Largo de Camões, a Polícia disparou a matar, feriu gravemente várias pessoas e assassinou um jovem estudante de Medicina, José Jorge Morais, activista da UDP, de 18 anos de idade.
Cinco anos após o assassinato do estudante José António Ribeiro Santos, e no preciso momento em que a mãe desse jovem antifascista prestava o seu comovido depoimento na sessão do Tribunal Cívico Humberto Delgado, o Povo Português, os antifascistas, a UDP são enlutados por mais um assassinato de um jovem combatente da liberdade.

Organizações fascistas que tinham convocado uma manifestação no Largo Luís de Camões pretenderam assinalar o 10 de Junho com uma provocação ao 25 de Abril e à Liberdade. Encorajados com a autorização para o regresso de Américo Tomás, os fascistas pretenderam mostrar que já podem actuar impunemente em Portugal.
Protestando contra esta afronta, convergiram para o Largo de Camões centenas de populares que foram de imediato dispersos com rajadas de G-3 e tiros de pistola por uma força da PSP que se encontrava preparada nas ruas-laterais e por franco-atiradores fascistas que se encontravam nalguns prédios. Tombaram vários feridos com balas atravessadas no corpo, entre os quais Jorge Falcato Simões, membro da UDP, professor, que se encontra gravemente ferido e José Jorge Morais, estudante do 1º ano de Medicina, igualmente membro da UDP e da UJCR, que veio a falecer no Hospital de São José.
Quase um ano após o assassinato pela Polícia de Intervenção do jovem comunista Luís Caracol, novamente os democratas e o Povo Português são enlutados pelo assassinato de outro antifascista, um jovem de 18 anos de idade.
Os pides assassinos de antifascistas estão impunes; o processo movido pelos pais de Luís Caracol contra a Polícia de Intervenção dorme nas gavetas da Judiciária; o responsável máximo dos últimos anos do fascismo, Américo Tomás, é autorizado pelo General Eanes a regressar a Portugal; os filhos-família neo nazis são autorizados pelo Governo Civil a realizar as suas provocações à democracia; a PSP goza da maior impunidade para proteger nazis, agredir populares, assassinar antifascistas. Isto tudo quatro anos após o 25 de Abril.
A UDP, nesta hora de dor e de revolta, apela a todos os democratas, a todos os antifascistas, a todos os partidos e organizações de esquerda, a todos os trabalhadores, estudantes e às suas organizações representativas para que expressem a sua indignação pela impunidade com que actuam os fascistas e a sua revolta por mais este crime da Polícia.
Que o protesto se alargue a todo o país. No funeral de José Jorge Morais façamos uma grande manifestação de revolta contra o assassinato deste jovem antifascista e uma jornada de luta contra a impunidade dos fascistas e o avanço da direita.

Lisboa, 10 de Junho de 1978
A Comissão Permanente do Conselho Nacional da União Democrática Popular



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