sexta-feira, 8 de junho de 2018

1978-06-08 - PROFESSORES: Em frente com a greve à avaliação final! - UDP


PROFESSORES: Em frente com a greve à avaliação final!

1 - A justeza da luta dos professores já não pode ser posta em dúvida por nenhuma pessoa honesta que esteja a par da degradação crescente do ensino e das prepotências constantes do MEC.
Também para os professores não restam dúvidas, como ficou demonstra do na esmagadora aderência à greve de 10 de Março e nos resultados dos referendos levados a cabo pela Direcção Sindical da Zona Norte. A situação dos professores agrava-se dia a dia, com a saída de nova legislação lesiva dos seus interesses, de que é exemplo significativo o decreto sobre fases. Estão também a decorrer as colocações em moldes ainda mais desvantajosos do que no ano passado, com a correspondente perspectiva de desemprego e de injustiças para muitos professores.

Para tornar este quadro ainda mais negro, a proposta de Lei de Bases do M.R.A., a apontar para a subalternização dos funcionários públicos, negando-lhes o direito à negociação e contratação colectiva e relegando os seus Sindicatos para um papel decorativo, constitui uma clara amostra das intenções do Governo.
2 - Perante esta situação, o caminho que a luta deve tomar é claro. Já não bastam greves simbólicas que sé causam prejuízo aos professores e não aumentam o seu poder negociai face ao MEC. Impõe-se adoptar formas de luta mais enérgicas, baseadas no poder que os professores têm sobre o funcionamento do sistema de ensino.
Este passo é tanto mais necessário, quanto, a par do agravamento da situação laboral, se aproxima o fim do ano lectivo com a correspondente desmobilização dos professores e já é tradicional o MEC aproveitar este período para consolidar as suas posições com nova legislação lesiva dos professores.
3 - No entanto há colegas que manifestam dúvidas sobre o êxito de formas de luta mais duras e verifica-se um clima geral de hesitação. Isto deve-se por um lado, à actuação da Direcção Sindical que não tem tomado as medidas necessárias para desenvolver o potencial reivindicativo da classe, permitindo muitos pontos mortos no decorrer do processo de luta e não apoiando suficientemente os delegados e núcleos sindicais em alturas importantes como foram o último referendo e as reuniões dos dias 3, 11 e 30 de Maio.
Mas há também, por outro lado, aqueles que entre nós actuam conscientemente no sentido da desmobilização. Referimo-nos à corrente sindical afecta ao PCP. Já quando da greve de 10 de Março pretendiam fazer crer que a luta dos professores não tinha saída. Voltam agora à carga com propostas de novas concentrações manifestações que esses sim, não alteram em nada a presente situação.
Com argumentos inconsistentes e que variam conforme as circunstancias, invocam a reacção dos pais dos alunos, tentam amedrontar-nos com a requisição civil e pretendem que o MEC não será abalado com a greve às avaliações.
Só uma corrente tendenciosa pode "esquecer" que é possível esclarecer os pais, fazendo-lhes ver que a luta dos professores é também por um ensino melhor, o que lhes diz directamente respeito, e "omitir" que os serviços possíveis de requisição civil, estão enumerados na lei de greve, não se encontrando entre estes o ensino.
Quanto a dizerem que a greve às avaliações não abalará seriamente o Ministério, levando o Cardia a ceder, não vale a pena fazer comentários.
E afinal que alternativa válida é que nos apresentam?
4 - O que se esconde por trás desta posição incoerente, é a traição aos legítimos anseios dos trabalhadores, motivada por uma política (que não é de agora) conivente com as cúpulas soaristas e vacilante perante o avanço da direita. O silêncio a propósito da recente ilibação - convite para regressar a Portugal o último presidente do fascismo e as declarações dos dirigentes da Inter manifestando esperança na possibilidade de chegar a acordos com o Governo, são apenas exemplos do que afirmamos.
5 - Apesar desta corrente traiçoeira ter conseguido fazer vingar a sua posição no plenário dos professores da Grande Lisboa (a despeito de a maioria das escolas dessa zona se terem manifestado pela greve avaliações), o caminho a imprimir à luta continua nas mãos dos professores. Basta para isso que a verdadeira vontade da classe se ma­nifeste nas Assembleias Sindicais.
Vamos manter a nossa decisão,organizando desde já a greve às avaliações na nossa escola!
Na próxima Assembleia de Delegados e em Assembleia Geral vamos reafirmar a nossa vontade, a nossa unidade e a nossa força para vencer o Cardia; vamos derrotar as propostas de capitulação!

8/6/78
O Secretariado dos professores da UDP do distrito do Porto (litoral)

2ª feira - 12 de Junho - Belas Artes - 21,30 h SESSÃO PÚBLICA convocada pela UDP a todos os professores, com a seguinte O.T.
- PROCESSO DE LUTA
- LEI DE BASES

- ENCONTRO DE ENSINO PROMOVIDO PELA UDP


Sem comentários:

Enviar um comentário