sexta-feira, 8 de junho de 2018

1978-06-08 - pelo Ingresso na Universidade - Movimento Estudantil


pelo Ingresso na Universidade

OS CANDIDATOS DO DISTRITO DO PORTO DECIDIRAM NÃO PAGAR A 2ª PROPINA ATÉ SABEREM AS NOTAS!
EM LISBOA, NÃO PAGUEMOS A 2ª PROPINA ATÉ AO PLENÁRIO DE SEXTA
NÃO PERMITAMOS QUE ANTES DE SABER AS NOTAS AS PROPINAS SEJAM PAGAS!

PLENÁRIO DE CANDIDATOS A UNIVERSIDADE!
6ª, 12/5 15H ANF. 1 - FAC. LETRAS
O LOCAL MERECERÁ NOVA CONFIRMAÇÃO
AOS CANDIDATOS À UNIVERSIDADE
1 - Vão decorrer de 8 a 17 de Maio, os pagamentos da 2ª propina do ano propedêutico.

Após terem sido realizados os exames, o MEC decidiu só divulgar as notas após o pagamento da 2ª propina, com o fim bem claro de nos tirar mais esse dinheiro, independentemente de estarmos ou não chumbados; eis aqui mais uma razão pela qual o MEC não divulga agora as notas de exame: não por falta de professores para corrigir milhares de pontos, mas para adiar a revolta que se ergueria ao tomar conhecimento das notas e para receber a 2ª prestação da propina.
Foi por esta razão que os candidatos do Distrito do Porto, reunidos em Plenário sexta-feira passada, tomaram a justa decisão de não pagar a propina até saberem a nota do 1º exame, e apelar para a solidariedade de todos os candidatos com vista a generalizar este processo de luta, de modo a que ele possa vir a ser vitorioso.
Pensa a nossa Comissão que tal posição é inteiramente justa, e que deverá ser seguida pelos candidatos de todo o país, devendo ser integrada na luta pelo ingresso na Universidade, justo anseio dos candidatos.
É nesse sentido que não devemos pagar a propina até à realização do plenário de Sexta-feira dia 12, às 15 horas no anfiteatro 1 da Faculdade de Letras, sendo que o local devera ser novamente confirmado,
É esta a forma de luta que deveremos de imediato adoptar para impedir que empreguemos o nosso dinheiro inutilmente.
2 - Não podemos porém pensar que só devemos lutar pela saída das notas antes do pagamento da 2ª propina; pensar dessa maneira só leva a permitir que o MEC aplique a selecção massiva que pretende.
Conforma analisámos no nosso comunicado de 16/4, o ano propedêutico tem por objectivo apertar o funil que nos limita o acesso quer pelos exames, realizados no quadro de uma situação degradante, sem textos de apoio nalgumas cadeiras e sem qualquer apoio pedagógico; quer pelo próprio ano propedêutico ser dado por um método anti-pedagógico e anti-cientifico, ao impedir a discussão mas matérias, o trabalho colectivo e a avaliação contínua, tudo isto sem falar no custo a que fica este ano.
A ninguém poderá passar despercebido o carácter do ano propedêutico, que se integra num conjunto de medidas que o MEC tem vindo a adoptar no sentido de formar um restrito número de quadros técnicos que sigam o apliquem fielmente a política da classe dominante. Tais medidas, como a institucionalização do ano propedêutico, o decreto sobre as dispensas de exame no 9º ano unificado, a extinção dos bacharelatos, o encerramento das faculdades, vão servir esse objectivo; antagonicamente existe uma grande carência de técnicos como por exemplo médicos, principalmente nos distritos camponeses.
O ano propedêutico não tem assim mais do que a função de impedir que milhares de estu­dantes ingressem na Universidade.
3 - O que está em causa, é o nosso futuro. O MEC, oferece-nos ou o desemprego ou o de voltar para o liceu. Nós, porém, queremos o Ingresso na Universidade.
Devemos perguntar à autodenominada “comissão de candidatos das colectividades de Lisboa”, que posição tornou face ao exame e pagamento da 2ª propina e que posição tomar face ao ano propedêutico; essa posição é de apoiar o dito cujo, dizer que se lhe deve "fazer um trabalho de apoio" (sic), que os exames são necessários, etc, etc.; numa palavra: que o MEC impeça o ingresso na Universidade; Apoiar encapotadamente ou abertamente o propedêutico, é a mesma coisa. Aliás, eram as mesmas pessoas que não há muito tempo atrás, diziam que era impossível entrar todos os estudantes na Universidade, e que deviam era ir para o "serviço cívico", ou seja, para o desemprego. Sem isolarmos tais posições e tais defensores, sem nos unirmos em torno do objectivo do ingresso, jamais poderemos obter vitórias.
O caminho que devemos seguir, é pois o de exigir a anulação dos exames tendo em conta as condições do propedêutica e como eles se realizaram. Nunca poderão pois, avaliar nestas condições a tal apregoada "competência científica". Defendemos também o direito de ingressar na Universidade a todos os inscritos no propedêutico.
De forma a melhor nos organizarmos e discutir esta situação, decidimos criar os grupos do estudo e crítica do propedêutico, nos quais apelamos à tua inscrição.
A realização do Plenária marcado para sexta-feira deverá ser a forma de nós discutirmos esta situação a de adoptar formas de luta face a ela.

CONTRA O DESEMPREGO ESTUDANTIL!
PELA PARTICIPAÇÃO DOS ESTUDANTES E PROFESSARES NA DEFINIÇÃO DOS PROGRAMAS!
CONTRA A SELECÇÃO!
PELA SALVAGUARDA DOS NOSSOS DIREITOS!
POR UMA POLÍTICA QUE DESENVOLVA A INTEGRAÇÃO DOS ESTUDANTES NO POVO E PELA LIGAÇÃO À VIDA DOS TRABALHADORES DO CAMPO E DA CIDADE!
PELO INGRESSO NA UNIVERSIDADE!

Lisboa, 8/6/78
A Comissão de Candidatos das colectividades:
Cooperativa Popular Livreira Karl
Marx Cooperativa a Padaria do Povo

INSCREVESTE NOS GRUPOS DE ESTUDO E CRITICA DO ANO PROPEDÊUTICO
a funcionar nas colectividades:
COOPERATIVA POPULAR LIVREIRA KARL MARX
COOPERATIVA A PADARIA DO POVO

Inscrições:
na Cooperativa Popular Livreira Karl Marx Av. Visconde Valmor, nº 33 1º Lisboa telefone 68111
junto de quem distribui este comunicado



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