quinta-feira, 7 de junho de 2018

1978-06-07 - Bandeira Vermelha Nº 125 - PCP(R)


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EDITORIAL
NÃO NOS VENDEMOS!

Como ficou patente na última cimeira realizada nos Estados Unidos, a NATO está a reforçar o seu poderio militar e estuda as formas de alargar a sua influência, quer envolvendo novos países, quer estendendo o seu controlo às regiões do Atlântico Sul e do Oceano Indico.
A África, particularmente, onde se têm agudizado as disputas entre as duas superpotências, está debaixo da mira dos estrategas e dos políticos imperialistas. Recentemente, dois países membros da NATO, a França e a Bélgica, deram livre curso à sua política neo-colonialista levando a rabo incursões militares no coração da África para salvarem o regime reaccionário pró-imperialista de Mobutu.

A NATO e os seus membros mostram, deste modo, prosseguir sem alterações essenciais a sua política de agressão militar apoiados nos regimes mais reaccionários - política essa que, ainda há poucos anos, os levava a apoiar militar, política e economicamente o regime fascista português nas guerras coloniais.
À medida que a luta pelo domínio do mundo entre as duas superpotências imperialistas se torna mais extrema, os blocos militares agressivos que as servem aumentam os seus arsenais, multiplicam as acções de guerra e tornam mais férreas as condições de dependência dos seus "aliados".
Pudemos constatar pelos acontecimentos recentes que estes planos agressivos da NATO trazem um agravamento da subordinação de Portugal ao imperialismo. O facto mais grave de atentado à independência do nosso país foi a utilização do aeroporto de Porto Santo como ponto de apoio às tropas imperialistas que intervieram no Zaire. Mas também a renovação do acordo sobre a base aérea das Lajes, nos Açores, e a activa participação do general Eanes na cimeira da NATO mostram que o caminho seguido pelos vencedores do golpe de 25 de Novembro é o de colocarem Portugal à disposição da NATO. Eanes e Firmino Miguel, dois responsáveis maiores pela condução dos planos militares da burguesia portuguesa, mostraram-se não só de acordo com as conclusões da cimeira da NATO, como ainda perfeitamente integrados nos planos de futuro defendidos pela Aliança - planos estes que têm a ver com a estratégia global de confronto entre as duas superpotências imperialistas. Portugal é, por esta via, conduzido à situação (que nunca perdeu mas que agora se reforça) de peão do imperialismo norte-americano nos seus planos de guerra mundial. O nosso território é transformado progressivamente numa imensa base militar que Eanes orgulhosamente considera "de grande importância geoestratégica".
Estes factos revoltantes mostram que tem sido inteiramente justa a política seguida pelo nosso Partido de apelar sem reservas à defesa da independência nacional. E que foi também inteiramente justa a luta que o nosso povo tem travado contra a NATO, desenvolvida particularmente no período da crise revolucionária. As oposições e os alarmes levantados pelos chefes revisionistas e pelos dirigentes social-democratas sempre que o povo gritava "fora a NATO" revelam-se, diante dos factos actuais, como cumplicidade com o imperialismo de efeitos trágicos para a independência nacional.
Sob o pretexto de não serem oportunos, aqueles dirigentes burgueses sempre procuraram travar os menores protestos de massas contra a presença e as prepotências dos imperialistas em Portugal. E se a luta anti-imperialista não ganhou ainda entre o nosso povo a importância que deverá ter, muito se deve à actividade de verdadeira traição desenvolvida por aquelas forças.
É nosso dever de comunistas e de patriotas reforçar a denúncia do imperialismo, da sua dominação sobre o nosso país e das suas actividades contra a independência e liberdade dos povos. Somos contra a disputa que as duas superpotências (o imperialismo americano e o social-imperialismo russo) levam a cabo em todas as partes do mundo, assim como estamos activamente contra todas as acções imperialistas praticadas por quaisquer outras potências.
A nossa luta neste campo tem objectivos bem concretos: queremos que o nosso país saia da NATO, que as suas bases desapareçam do nosso território porque consideramos que esta é uma forma de enfraquecer e minar o poder do imperialismo e ao mesmo tempo libertar o nosso povo da dominação a que aquele o sujeita. O proletariado e o povo de cada país têm a obrigação de proceder do mesmo modo e, desta forma, multiplicar os pontos de ataque à opressão imperialista e tirar a base à disputa entre as duas superpotências ou quaisquer outras potências imperialistas.
Não embarcamos, pois, na conversa dos que fazem crer que o desaparecimento dos blocos militares deverá ser o resultado dos acordos entre as super­potências. Não embarcamos, por exemplo, nos falsos argumentos espalhados seja pelo dr. Soares seja pelo dr. Cunhal de que a saída de Portugal da NATO iriam "desequilibrar" a situação mundial e que só no âmbito de uma redução pretensamente equitativa dos blocos militares essa saída se poderia fazer. Esta argumentação é justamente a que interessa à manutenção do domínio das superpotências sobre as suas áreas de influência. É com base em tal pretexto que os comandos militares não só prolongam como agravam a subordinação do nosso país ao bloco militar imperialista da NATO.
Os recentes ataques do partido revisionista à NATO, determinados pelo incremento da ligação de Portugal ao imperialismo norte-americano, não saem destes limites impostos quer pelas conveniências da burguesia portuguesa, quer pela manutenção da situação mundial de despique entre imperialistas e social-imperialistas.
Contrariamente a esta posição de compromisso e de subserviência do imperialismo internacional, é dever do nosso povo, das forças verdadeiramente patrióticas do nosso país, combater sem reservas a subordinação a que o grande capital e os comandos militares conduzem Portugal diante do imperialismo e do seu instrumento militar para a Europa - a NATO. É dever repudiar os falsos argumentos de "preservação do equilíbrio mundial" defendidos por social-democratas e revisionistas.



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