sexta-feira, 1 de junho de 2018

1978-06-01 - ML Informação Nº 17 - Série I - PCP(ml )


M-L informação
Nº 17 - 1.6.78 - ANO III

QUE FAZER DO TOMÁS?
Quando o Tomás fugiu, todas as forças políticas criticaram quem o deixou fugir. E com razão. Porque é que alguns se opõem agora a que ele regresse? Não faz sentido... Rejeitamos a ideia de que a presença do cabeça de abóbora constitua alguma ameaça à democracia. O PCP(m-l) defende que o Tomás deve regressar, ser julgado e condenado pelos crimes que praticou. Opomo-nos a toda a demagogia «antifascista» de quem agora fala muito e não aprovou na Assembleia uma lei para julgar os dirigentes do fascismo. Os aprendizes de Cunhais da UDP, que querem julgar a PIDE - o que é justo - porque é que não estão contentes por regressar o seu chefe supremo para ser também julgado?

FOI UM ÊXITO A CONFERÊNCIA SOBRE A AMEAÇA IMPERIALISTA RUSSA
Com a presença de personalidades dos meios democráticos de numerosos países, teve lugar com êxito a Conferência de Lisboa sobre a ameaça imperialista russa. Além de destacadas personalidades da social-democracia, da democracia cristã e outras de vários países da Europa estiveram presentes dirigentes de organizações anti-imperialistas da Alemanha, Angola, Azânia, Bélgica, França, Gabão e Somália. Estiveram também presentes dirigentes de partidos e jornais marxistas-leninistas da Alemanha, Bangladesh, Escócia, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal, Reino Unido e Turquia. Não estando presentes, manifestaram o seu apoio dirigentes de partidos e partidos marxistas-leninistas da Argentina, Bélgica, Colômbia, Japão, República Dominicana, Suécia e Suíça. Manifestaram também o seu apoio o Pan African Congress, da Azânia, o EPRP da Eritréia, o GDN da Guiné, a Organização dos Estudantes Latino-Americanos Anti-Imperialistas em Itália e dezenas de personalidades democráticas e anti-imperialistas de vários países.

O PS E A CONFERÊNCIA - A NOSSA OPINIÃO
Duas versões apareceram sobre a posição do PS acerca da Conferência de Lisboa: a da direcção do PS e a do Secretariado da Conferência. Eis a nossa opinião. O PS é um partido democrático e opõe-se ao social-imperialismo russo e ao social-fascismo de Cunhal. Os seus membros e apoiantes são na sua esmagadora maioria pessoas que já sofreram na pele humilhações e prepotências do social-imperialismo russo e do social-fascismo de Cunhal e por isso compreendem bem a natureza socialista em palavras mas fascista nos actos da camarilha de Cunhal, lacaio do czar Brejnev. Há no entanto dentro do PS, tal como em outros partidos, pessoas comprometidas e outras vendidas ao maior inimigo da Humanidade, do povo português e do próprio PS. Essas pessoas por vezes fazem grandes declarações, mas não conseguem mover para o lado de Brejnev e Cunhal a esmagadora maioria da massa do PS, que não esquece as humilhações e prepotências do verão de 1975. A esmagadora maioria da massa do PS, incluindo os seus quadros, esteve presente em espírito e alguns fisicamente na Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Imperialista Russa. Isto independentemente de qualquer declaração de última hora, fruto de chantagens do Kremlin formuladas pelos homens da corte do novo czar Dolguih e Kalinin.

O CHAMADO «PC(M-L)P»-UCRP: PEÃO AVANÇADO DE CUNHAL APÓS O DESMASCARAMENTO COMPLETO DO «PCP(R)»-UDP
A histeria dos novos czares do Kremlin e seus lacaios cunhalistas contra a Conferência de Lisboa ficou bem patente nos editoriais do Pravda, O Diário e Avante!. Os novos czares mobilizam todos os seus lacaios para se oporem à Conferência de Lisboa, recorrendo igualmente ao grupelho da UCRP, que provocatoriamente usa agora a sigla «PC(m-l)P» num evidente propósito de se confundir com o PCP(m-l). Este peão avançado de Cunhal após o desmascaramento completo do «PCP(R)»-UDP lançou-se numa campanha de repetição dos slogans do Pravda, do Diário e do Avante! juntando-lhe apenas alguns retoques de pretensões «anti-revisionistas» e «anti-hegemonistas» do género do palavreado dos seus comparsas albaneses e bando dos quatro. Além disso os bandistas portugueses pretendem dar uma ideia absolutamente falsa da participação estrangeira na Conferência, pretendendo que nela participaram apenas forças burguesas com o PCP(m-l), o que é fácil de verificar pelo leque de participantes que inclui. Os provocadores bandistas resolveram também pintar cruzes gamadas sobre pichagens do PCP(m-l). Sendo surpreendidos em flagrante, pediam «perdão» dizendo um deles em abono: «Eu também sou operário como vocês».

O PROLETARIADO PODE OU NÃO ALIAR-SE COM A BURGUESIA - UMA QUESTÃO TEÓRICA FUNDAMENTAL
Um dos mais significativos resultados da Conferência sobre a ameaça imperialista russa foi o de ela ter demonstrado na prática a possibilidade da concretização com êxito de uma ampla frente unida anti-social-imperialista, assente numa aliança entre o proletariado e diversos sectores da burguesia nacional. Este facto deixou desesperados, em particular, os bufos-chefes do chamado «PCP(R)»-UDP que vêem cair por terra as suas hipóteses de fazer passar por «marxismo-leninismo» as aberrantes teses trotskistas dos seus mentores albaneses que consideram como uma heresia antimarxista o facto do proletariado se sentar à mesma mesa que a burguesia. Da forma mais reaccionária procuram excomungar a Conferência mantendo os jovens que logram enganar na mais completa ignorância sobre a política marxista de alianças.
Em primeiro lugar, acusam o PCP(m-l) e os outros comunistas que participaram na Conferência de se colocarem «a reboque da burguesia». Será que é a burguesia que tem estado na vanguarda da luta pela independência nacional contra o social-imperialismo? Será que a iniciativa da Conferência coube à burguesia? Na realidade, foi o proletariado, os comunistas, quem encorajou a sua realização, quem ajudou a forjar a unidade conseguida e a vencer as tendências conciliadoras de alguns sectores da burguesia nacional. O proletariado é a classe que mais tem a perder se a independência nacional for esmagada pelos sociais-imperialistas russos e, pela mesma razão, quem mais tem a ganhar com o alargamento da frente de luta contra o inimigo comum. Como vanguarda do proletariado, o PCP(m-l) tem consciência disso, assumiu e assumirá as suas responsabilidades.
Em segundo lugar, acusam o PCP(m-l) de se lançar nos braços da burguesia, aceitando quaisquer condições sem exigir nada em troca. Pura falsificação. Para concretizar a aliança que deu origem à Conferência, como em qualquer outra aliança, houve concessões de ambas as partes, proletariado e burguesia. Não será difícil verificar que a burguesia não só aceitou como cumpriu o compromisso assumido de que todas as forças políticas participantes, comunistas e não comunistas, seriam tratadas em pé de igualdade e de que na Conferência não haveria lugar para anticomunismo. Da mesma forma, os comunistas cumpriram o compromisso de não hostilizar as diferentes formas de ideologia burguesa. Quem duvida que leia as teses de Heduíno Gomes (Vilar) apresentadas à Conferência.
Que «crimes» serão estes comparados com os compromissos que Stalin fez com o imperialismo para combater o fascismo? E com os que Mao Zedong e o Partido Comunista da China assumiram para concretizar a Frente Única Nacional Antijaponesa e onde se incluía, entre outros, o de «deixar de seguir uma política de derrube pela força do regime do Guomindang»? Para os nossos «revolucionários» de garganta que pretendem não «ver» mais nada senão a luta do proletariado contra a burguesia, Mao Zedong foi certamente um herege antimarxista...
Em terceiro lugar, acusam a frente unida forjada na Conferência de ser um exemplo do abandono da luta de classes pelo PCP(m-l). De facto, só uma total ignorância da dialéctica marxista poderá engolir tal posição absurda. Porque não só a luta nacional desenvolvida pela frente unida anti-social-imperialista é a expressão actual da luta de classes (uma aliança de classes contra outras classes mais perigosas) como a luta de classes se continua a desenvolver no próprio seio dessa aliança. O proletariado tem de lutar por garantir a sua independência e autonomia. O proletariado já teve de fazer frente a manobras da burguesia para o marginalizar ou para o utilizar em seu proveito. O proletariado lutou e continua a lutar com sucesso contra o anticomunismo de certas camadas da burguesia. O proletariado continua a lutar contra a tendência da burguesia para abrir as portas a outro imperialismo quando se combate o imperialismo que constitui o inimigo principal. São estas outras tantas expressões da luta de classes que caracterizam a própria existência de uma frente unida.
Todas estas questões básicas próprias de uma verdadeira política marxista-leninista são ocultadas dos seus militantes pelos chefes do chamado «PCP(R)»-UDP, Já vai sendo tempo de esses militantes acordarem e de verificarem com os seus próprios olhos que a justificação trotskista que lhes é dada de que não são possíveis alianças com a burguesia porque «toda a burguesia é fascista» procura apenas esconder uma prática de alianças com a mais fascista das burguesias, a burguesia burocrática revisionista, lacaia no nosso país da grande burguesia social-imperialista russa.
SER DE ESQUERDA HOJE É OPOR-SE AO SOCIAL-FASCISMO
AJUDAR CUNHAL NÃO É SER DE ESQUERDA MAS DE EXTREMA-DIREITA

JUNTA-TE AOS MILHARES DE VERDADEIROS COMUNISTAS NO PARTIDO DA VERDADEIRA ESQUERDA - O PCP(M-L)
                           
Partido Comunista de Portugal (m-l)
Av. 5 de Outubro, 293, Lisboa




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