sexta-feira, 1 de junho de 2018

1978-06-01 - EM DEFESA DA TESE DOS TRÊS MUNDOS - UEC(ml)


Comunicado Conjunto da Federação dos Estudantes Africanos em Itália e da União dos Estudantes Comunistas (marxistas-leninistas)

EM DEFESA DA TESE DOS TRÊS MUNDOS

A convite da Comissão Executiva Nacional da União dos Estudantes Comunistas (marxistas-leninistas), visitou Portugal durante alguns dias uma delegação da Federação dos Estudantes Africanos em Itália. Na ocasião, as duas partes mantiveram cordiais conversações, que estreitaram a sua solidariedade e conhecimento mútuo, analisando alguns aspectos salientes da actual situação internacional, em plena identidade de pontos de vista.
A UEC(m-l) e a FSAI verificam antes de mais que a tese dos três mundos, elaborada pessoalmente pelo camarada Mao Zedong, representa um inestimável contributo à luta anti-imperialista de todos os povos do mundo e constitui a directriz da luta revolucionária na actual situação mundial. E denunciam a campanha de ataques e calúnias contra a tese dos três mundos como uma manobra que, deliberada­mente ou não, se enquadra na estratégia do social-imperialismo russo.
As duas organizações expressam a sua confiança no papel desempenhado pelo Terceiro Mundo, como força motriz da revolução mundial pelo assestar de cada vez mais profundos golpes no sistema imperialista.
As duas partes denunciam o social-imperialismo russo como principal inimigo dos povos de todo o mundo e constatam a necessidade de uma frente mundial de todos os povos, nações e países contra os novos hitlers do Kremlin.
A UEC(m-l) e a FSAI consideram que a África constitui hoje uma clara demonstração do perigo social-imperialista russo. Angola foi reduzida ao estado de colónia do Kremlin por meio da ocupação militar mercenária russo-cubana, e os direitos elementares do povo angolano são espezinhados. Face a esta situação, as duas organizações estão dispostas a tomar medidas, promovendo por actos o apoio à luta dos movimentos de libertação angolanos que combatem a ocupação militai russo-cubana para a completa libertação da sua pátria. A nova agressão social-imperialista ao Zaire atesta particularmente o assalto dos novos czares ao continente africano, e as duas partes congratulam-se com a solidariedade prestada por países do Segundo Mundo àquele estado vítima da cobiça insaciável dos sociais-imperialistas russos. As duas partes condenam veementemente os regimes de racismo e apartheid da África Austral, sobrevivências do velho colonialismo, apoiam firmemente a luta dos povos dessa região no combate às camarilhas racistas brancas, e denunciam simultaneamente as manobras da URSS para se infiltrar e sapar o movimento de libertação nacional sul-africano, com o objectivo de se assenhorear de uma região de enorme importância estratégica. Quanto aos acontecimentos no Corno de África, as duas partes são unânimes em apontar o social-imperialismo russo como o verdadeiro agressor no conflito etíope-somali, e consideram que a presença russo-cubana na região é uma ameaça à África e à Europa pelo controle de uma posição privilegiada que faculta às esquadras russas o controle das rotas do petróleo do Médio Oriente. O expansionismo russo em África representa pois uma grave ameaça para todos os povos, nações e países do continente e insere-se na estratégia de cerco e aniquilamento da Europa Ocidental.
As duas organizações constatam que na Ásia a URSS vem utilizando o Vietnam como tropa de choque que semeia a instabilidade e conflitos no Sul do continente. A agressão vietnamita ao Kampuchea Democrático e as perseguições aos residentes chineses no Vietnam mostram que Hanói faz já parte integrante do belicismo mundial dos novos czares do Kremlin.
Constatando a decadência do imperialismo americano na América Latina, as duas organizações consideram que os povos e países desse subcontinente estão crescentemente ameaçados pela voracidade de Moscovo. Cuba tornou-se uma base militar do Kremlin, e um centro coordenador da subversão, e em diversos países, como a Argentina de Videla, já se faz sentir a dominação política e económica dos agentes do social-imperialismo russo.
As duas partes destacam o papel da República Popular da China, grande aliado dos revolucionários e dos oprimidos de todo o mundo e bastião da luta contra o social-imperialismo, o imperialismo e o hegemonismo. A ameaça que o social-imperialismo faz pesar sobre os povos, torna urgente a necessidade da unidade entre os países do Segundo e do Terceiro Mundo, numa base de igualdade, respeito e entreajuda mútua.
As duas organizações consideram que a manutenção de relações neo-coloniais entre a Europa e a África favorece a propaganda «anti-imperialista» do Kremlin e a sua agressão aos povos de África. As duas organizações consideram que a luta pela conquista das liberdades democráticas e a sua defesa em cada país constituiu uma condição fundamental para a mobilização das massas populares e de todas as forças democráticas na luta contra o social-imperialismo russo.
A UEC(m-l) e a FSAI sublinham a importância da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Imperialista Russa no conjunto dos esforços que é preciso promover para a unidade entre o Segundo e o Terceiro Mundo e para a derrota do expansionismo russo em todas as latitudes.
As duas organizações combatem e desmascaram a política dos partidos ditos comunistas como o «PCI», o «PCF», o partido social-fascista de Cunhal, etc. que em todo o momento apoiam a agressão do social-imperialismo russo e seus mercenários em África e facilitam a sua penetração na Europa.
Abordando a situação do movimento estudantil as duas organizações concluem que cabe hoje aos estudantes uma importante tarefa de denúncia e desmascaramento do social-imperialismo russo, tal como foi feito na década de 60 em relação ao imperialismo americano.
A UEC(m-l) e a FSAI decidem manter contactos regulares e promover realizações conjuntas que contribuam para o estreitamento dos laços que unem os estudantes africanos e portugueses na luta contra o social-imperialismo russo, o hegemonismo de superpotência, o colonialismo e o racismo.

Lisboa, 1 de Junho de 1978
Federação dos Estudantes Africanos em Itália
União dos Estudantes Comunistas (marxistas-leninistas)



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