segunda-feira, 18 de junho de 2018

1978-06-00 - A TÁCTICA SINDICAL DO PCP(R) E AS SUAS TAREFAS - PCP(R)



A TÁCTICA SINDICAL DO PCP(R) E AS SUAS TAREFAS

Resolução da 8ª Reunião Plenária do Comité Central

Lisboa, Junho de 1978

PREÇO; 5$00

Ao realizar o balanço da actividade do Partido no movimento sindical, o Comité Central teve a preocupação de sistematizar as experiências positivas e negativas acumuladas pelo colectivo partidário neste terreno de luta. Com base nos ensinamentos que delas decorrem e considerando a necessidade de desdobrar criadoramente a esta importante frente de luta a linha táctica revolucionária do Partido traçada no II Congresso, o Comité Central define, na presente resolução, a táctica sindical do Partido e as suas tarefas face à actual situação do movimento sindical. O seu objectivo é atender às exigências do trabalho partidário neste campo específico da luta de classes e imprimir maior dinamismo à actividade dos comunistas nas comissões sindicais e nos sindicatos, junto às massas trabalhadoras sindicalizadas ou a serem conquistadas para a vida sindical.

O Comité Central chama todo o colectivo partidário a compreender plenamente a necessidade e a importância do trabalho sindical, o qual constitui para os comunistas terreno favorável para levar às massas de explorados as posições revolucionárias do Partido, um meio de acirrar a luta de classes e uma das formas de atrair os trabalhadores para o caminho da revolução popular e do socialismo.
O CC determina que todo o Partido tome nas suas mãos a presente resolução e a transforme num instrumento vivo para melhorar o trabalho quotidiano do Partido nas fábricas e empresas, para elevar a consciência de classe das massas trabalhadoras e avançar na conquista da unidade política da classe operária em torno da linha revolucionária do nosso Partido.

I - A situação do movimento sindical e a posição do nosso Partido
1. Duas linhas antagónicas em luta no movimento sindical
A situação do movimento sindical português e o papel que ele tem desempenhado na cena política nacional têm sido em grande parte determinados pela existência no seu seio de duas linhas antagónicas. De um lado as posições de classe da corrente sindical unitária e revolucionária, que conta com a participação e o apoio do nosso Partido, que encara a luta sindical do ponto de vista do acirramento da luta de classes. Esta corrente, que se bate para que sejam os ricos a pagar a crise, tem vindo a lutar contra o "pacto social" e tem-se colocado sempre na defesa intransigente dos trabalhadores contra o patronato e o seu governo reaccionário. A sua prática assenta na ideia de que só pela luta os trabalhadores podem defender os direitos já conquistados e conseguir novas reivindicações. Assim, tem defendido a Jornada de Luta Nacional como forma de unir as lutas hoje dispersas de vários sectores e de fazer com que a luta de resistência dos trabalhadores ganhe consistência e se alargue para enfrentar a ofensiva burguesa e unir a classe operária e demais trabalhadores. É uma linha de luta e unidade.
Do outro lado, a corrente afecta à maioria do actual secretariado da CGTP, controlada pelo partido revisionista - corrente reformista que prega a conciliação de classe. Esta linha defende as posições enganadoras da "recuperação da economia nacional", para atrelar os trabalhadores à carroça do governo e dos patrões que controlam todos os cordelinhos da "economia nacional" e são os seus beneficiários. A sua prática está subordinada aos interesses e negociatas da direcção do partido revisionista com o governo de direita e visa negociar um "pacto social" a troco da contenção e sabotagem sistemática da luta dos trabalhadores. É pois uma linha de colaboração com o governo de direita e de traição aos reais interesses da classe operária e das massas trabalhadoras.
Da evolução da luta entre estas duas linhas dependerá que o movimento sindical arraste os trabalhadores para a capitulação face à actual ofensiva burguesa-imperialista - ou desempenhe um papel revolucionário de relevo na unificação e direcção da luta do movimento operário português.
2. Ofensiva do patronato e resistência dos trabalhadores
Intensifica-se a ofensiva do patronato reaccionário apoiado pelo governo de direita contra as conquistas alcançadas pelos trabalhadores durante o período de auge revolucionário de 1974-75, visando lançar sobre os seus ombros o peso da grande crise económica. Sobre os trabalhadores abatem-se a inflação, os despedimentos, o bloqueamento de salários, as represálias contra as comissões de trabalhadores, delegados sindicais activos, etc. Tornam-se mais brutais os ataques contra os direitos e o nível de vida da classe operária e das grandes massas trabalhadoras, factores que agudizam os conflitos sociais e tendem a agudizá-los ainda mais através do desenvolvimento de lutas sucessivas. As aparentes "concessões" do governo, com que este comprou a cumplicidade da cúpula da CGTP a troco da contenção da luta dos trabalhadores, somem-se como água na areia.
Perante esta situação, há hoje uma tendência nas grandes massas trabalhadoras para se agruparem mais estreitamente em torno dos sindicatos e da CGTP, procurando assim fazer frente às investidas do patronato e do governo de direita. Inicialmente desorientados pelas condições mais desvantajosas em que se travam as suas lutas e pela derrota de algumas greves importantes, os trabalhadores começam a encontrar nos últimos meses respostas mais eficazes para o congelamento dos contratos colectivos, despedimentos, represálias, corte de regalias, com que o patronato diariamente os ataca. Mas a vontade de luta dos trabalhadores tem-se chocado com a repressão das lutas e com o papel desmobilizador e sabotador dos cunhalistas que foram levando os trabalhadores a sucessivos recuos sem luta, ou a formas de luta desgastantes.
3. A burguesia trabalha para dividir o movimento sindical
Ao mesmo tempo que intensifica a exploração dos trabalhadores e utiliza a cúpula da CGTP para suster a sua revolta, a burguesia lança-se numa ofensiva para dividir o movimento sindical, visando enfraquecer a capacidade de resposta dos explorados. A unidade dos trabalhadores era e é o grande obstáculo à política da reacção burguesa; por isso desde muito cedo se iniciou a grande batalha entre as forças da unidade e as da cisão. Aproveitando-se do pretexto que os revisionistas lhes deram ao realizar um primeiro congresso fantoche, vários sindicatos apareceram a formar a "Carta Aberta" em oposição à estrutura sindical existente. Era a primeira tentativa. Esmagada pela grande aderência ao II Congresso dos sindicatos, que reafirmou mais uma vez o sentir de milhares de trabalhadores, as tentativas da burguesia estagnaram por algum tempo e perderam força.
Face ao descrédito dos partidários da "Carta Aberta" e à sua hesitação em avançar na formação de sindicatos paralelos, a burguesia deitou mão de grupelhos degenerados, como o de Vilar, para intensificar as suas manobras de divisão. Aparecem assim várias centrais fantoches, sem qualquer expressão junto das massas como a SGDT, CDT, etc. Após esta actividade divisionista ao serviço da burguesia, surge novamente o PS através da "Carta Aberta" a trabalhar para formar sindicatos paralelos e uma nova central sindical.
Esta nova e grande ofensiva burguesa para dividir o movimento sindical é acompanhada pela prepara­ção da legalização oficial da divisão através da apro­vação da lei sobre associações sindicais na Assem­bleia da República.
Está em marcha uma tentativa de cisão do movimento sindical, directamente estimulada e financiada pelas centrais ao serviço do imperialismo - a CISL e a CMT. É uma peça da ofensiva burguesa-imperialista que visa implantar em Portugal um regime fascizante.
4. Os dirigentes revisionistas colaboram na divisão do movimento sindical
As ameaças à unidade e à democracia no movimento sindical vem também da parte da cúpula da CGTP. Neste momento assiste-se a intensificação das suas tentativas divisionistas nos sindicatos que não estão sob seu controlo. O exemplo mais revoltante dessas suas actividades criminosas é o da criação das estruturas paralelas da CAMSI para dividir o movimento sindical das ilhas pelo único motivo de que ali predominam posições revolucionárias consequentes. A primeira derrota que esta tentativa cisionista sofreu com a dissolução da CAMSI não pode no entanto levar a abrandar a vigilância sobre novas tentativas divisionistas.
Simultaneamente, e sem lhe ter sido passado qual quer mandato, o secretariado da CGTP faz-se representar num Congresso da FSM dando o seu apoio explícito a essa central enfeudada ao bloco social-imperialista.
Esta é mais uma acha dos chefes cunhalistas lançada na fogueira da cisão do movimento sindical. Esta é uma prova concreta da sua condição de agentes simultaneamente da burguesia portuguesa e do social-imperialismo russo. Os objectivos dos chefes cunhalistas são claros: levantar demagogicamente a bandeira da unidade sindical e da defesa dos interesses dos trabalhadores e manobrar para retardar o aparecimento de novas centrais sindicais, ao mesmo tempo que procuram liquidar a corrente sindical unitária e revolucionária. Através destas manobras, os revisionistas tentam alcançar uma central que lhes seja totalmente obediente e servil, sem oposição no seu seio, fortemente burocratizada e sem democracia interna. Este seu plano tem em vista manter as massas amordaçadas debaixo da sua influência, impedir a sua radicalização e tudo fazer a fim de que não haja uma saída revolucionária para a actual crise do capitalismo.

II - Experiências positivas e negativas da actividade do Partido no movimento sindical e os seus ensinamentos
Ao traçar a linha táctica do Partido na via da conquista do 25 de Abril do povo o II Congresso do PCP(R) definiu com inteira justeza os fundamentos e as características principais da sua táctica específica face à luta pela unidade política e sindical da classe operária, através da intensificação das acções de massas dos trabalhadores pela defesa dos seus direitos já conquistados e por novas e mais sentidas reivindicações.
O Congresso acentuou a necessidade de centrar maiores esforços nesse sentido, tornando-se para isso necessário preparar, desencadear e desenvolver os mais variados tipos de acções de massas e radicalizá-las no próprio fogo da luta de classes. O Congresso indicou a todo o Partido a orientação de forjar a unidade da classe operária antes de mais na luta diária no próprio local de trabalho, aí onde se desencadeiam quotidianamente os mais variados tipos de confrontos.
Ao mesmo tempo, o Congresso chamou todo o Partido a intensificar o trabalho para assegurar o predomínio das posições revolucionárias nos sindicatos como uma grande tarefa actual, indicando que os sindicatos são organizações de massas de carácter amplo e cujo objectivo principal é a luta contra a exploração capitalista. Ao defender a necessidade da luta pelo respeito intransigente da democracia de massas nos sindicatos, o Congresso indicou que os comunistas não podem renunciar a levar aí a luta acesa contra o reformismo e todas as formas de colaboração de classes. Simultaneamente determinou que seria preciso que todos os comunistas se empenhassem decididamente no trabalho de fortalecimento da corrente sindical unitária e revolucionária de classe a ser levantada a partir das fábricas e empresas, porque seria aí que mais facilmente seriam desmascaradas as manobras de cúpula dos burocratas sindicais enfeudados ao partido revisionista. Importante e actual é assinalar que o Congresso indicou que todo o Partido deveria intensificar a actividade sindical organizada a partir de baixo, a partir das lutas de empresa, dos plenários de fábrica, dos cadernos reivindicativos, das eleições de delegados e comissões sindicais como linha segura de acção para destroçar as manipulações das assembleias sindicais e todas as traições dos dirigentes cunhalistas e social-democratas.
Com esta compreensão é que todo o Partido devia empenhar-se em levar à prática a palavra de ordem "os ricos que paguem a crise” e a luta de massas montra o "pacto social". Estas indicações do Congresso foram reafirmadas e desenvolvidas na 3ª e na 5ª reuniões plenárias do CC, embora o seu desdobramento tivesse sido limitado e insuficiente. Na verdade, neste e noutros aspectos, a Resolução do II Congresso foi insuficientemente assimilada, aplicada e concretizada; o que causou sérios prejuízos à actividade do Partido junto às massas trabalhadoras, inclusivamente no seio do movimento sindical.
Estas insuficiências foram as principais causadoras das sérias deficiências que se verificaram na actividade dos comunistas no movimento sindical, tanto nos locais de trabalho e comissões sindicais como nos sindicatos, nas assembleias gerais, nos congressos e manifestações sindicais. O Comité Central considera necessário que todo o colectivo partidário, do topo à base, compreenda de forma correcta e equilibrada os êxitos e as falhas que se verificaram na actividade dos comunistas no movimento sindical, a fim de que seja imprimido maior dinamismo e realizado um novo grande impulso na nossa actividade revolucionária em todo o movimento sindical.
1. Duas práticas distintas da nossa actividade no movimento sindical
A observação da nossa actividade no movimento sindical de massas revela a existência de duas práticas distintas, de duas concepções sobre o trabalho sindical. Para que a corrente sindical unitária e revolucionária possa continuar a fazer progressos e para que o nosso Partido alargue a sua influência entre as massas trabalhadoras é necessário separar aquelas duas práticas, insistir na que é correcta e tem dado frutos positivos, e eliminar a que é incorrecta e tem conduzido a desaires.
A prática sectária herdada dos grupos incapacita os revolucionários de se ligarem às massas, traduz-se no isolamento e na perda de influência política e tem-se caracterizado pelo seguinte:
- dirige-se para uma pequena vanguarda em lin­guagem partidária;
- desconhece os sentimentos das massas e as suas reivindicações;
- contesta tudo o que os revisionistas fazem sem apresentar alternativas; em todo o lado vê caciques cunhalistas mas capitula na prática diante das pressões revisionistas;
- alheia-se dos plenários e demais reuniões de trabalhadores, organiza manifestações à parte nas grandes jornadas; improvisa as eleições sindicais e outros grandes acontecimentos;
- não se alia com ninguém;
- as direcções afastam-se das massas, adquirem os vícios burocráticos ou mesmo a corrupção própria dos revisionistas.
Pelo contrário, a prática que tem levado ao reforço das posições revolucionárias encara o trabalho sindical como um trabalho para as grandes massas e caracteriza-se sumariamente pelos seguintes traços:
- aplica de forma criadora as bandeiras políticas do Partido às condições concretas do movimento sindical;
- conhece todas as reivindicações das massas, os CCT e a legislação laborai, os problemas de cada sector a nível nacional;
- apresenta em todas as situações alternativas concretas que têm em conta o estado de consciência das massas;
- não fica de fora dos acontecimentos em atitudes sectárias mas procura bater o reformismo e o revisionismo pela conquista das massas para posições revolucionárias chamando à acção comum todos os trabalhadores honestos e revolucionários do partido revisionista, do PS e outras forças políticas;
- assenta o trabalho fundamental na empresa, na conquista dos cargos de delegados e comissões sindicais, prepara com antecedência as assembleias gerais e de delegados, organiza o trabalho preparatório das eleições, dos congressos e ou­tros grandes acontecimentos sindicais;
- as direcções revolucionárias ligam-se às massas, combatem o burocratismo, fazem plenários, não colam etiquetas partidárias.
É no confronto entre estas duas práticas que todos os colectivos partidários devem retirar os ensinamentos da sua actividade quotidiana no movimento sindical, a fim de que novos e maiores passos sejam dados no reforço da corrente sindical unitária e revolucionária.
2. O trabalho de base dos comunistas nas fábricas e empresas, um aspecto positivo na actividade sindical do Partido
Do trabalho sindical realizado pelo Partido neste último ano, e em particular desde o II Congresso, sobressai como aspecto positivo a maior ligação dos comunistas aos problemas vitais dos trabalhadores e às suas reivindicações mais sentidas.
Colocando-se à frente das lutas e apresentando alternativas concretas sentidas pelas massas em oposição às propostas reformistas e traidoras dos revisionistas, muitos camaradas do Partido prestigiaram-se aos olhos dos trabalhadores, ganharam a sua confiança. Este aspecto positivo do trabalho dos camaradas expressou-se em muitos casos na sua eleição para cargos de delegados sindicais e numa maior influência nas comissões sindicais.
O correcto trabalho de alguns organismos partidários não foi no entanto seguido por todo o Partido. Os exemplos positivos neste sentido verificaram-se particularmente nas células que melhor assimilaram e aplicaram a Resolução do II Congresso, que diz: "...os comunistas têm que estar presentes como força organizada na vida das empresas... É nas mais variadas lutas e movimentos nas empresas em torno dos salários, horários, ritmos de trabalho, segurança, despedimentos, etc., que se cria diariamente a grande corrente unitária no seio da classe operária”.
Nos locais de trabalho onde foi aplicada esta justa orientação, os resultados foram o fortalecimento da corrente sindical unitária e revolucionária, a maior unidade da classe operária e o maior isolamento dos revisionistas.
Daqui se conclui: é fundamental para o Partido o prosseguimento do trabalho de base, com audácia e habilidade, no sentido de desenvolver e acirrar a luta de classes, de fortalecer a corrente sindical unitária e revolucionária, de unir sindical e politicamente as massas trabalhadoras e de prosseguir com firmeza a luta pelo desmascaramento dos caciques cunhalistas.
3. Combater o sectarismo em relação às massas e a conciliação com as forças burguesas e os caciques cunhalistas
O sectarismo perante as massas continha a ser a principal deficiência na actividade sindical do nosso Partido. Manifesta-se em geral na tendência para substituir a luta reivindicativa e a actividade sindical diária na empresa por atitudes ou declarações radicais, desligadas da vida e das preocupações dos trabalhadores, atitudes essas que têm sempre repercussões negativas entre as massas. As incompreensões sobre a política de "oposição sindical revolucionária” erradamente entendida como a contestação da política revisionista feita de fora do movimento de massas, continuam a esterilizar a actividade de muitos organismos partidários, apesar da condenação expressa que dela faz a Resolução Política do II Congresso.
De igual modo a “mentalidade vanguardista", filha do sectarismo, tem levado a que muitos camaradas não tomem na devida consideração o estado de espírito da grande massa sindicalizada e as suas reivindicações mais sentidas. Por vezes chega-se até a considerar a flexibilidade que os comunistas devem ter no trabalho com as massas como manifestação de oportunismo. A rigidez destes camaradas só facilita a acção venenosa de isolamento e calúnia conduzida pelos caciques revisionistas nos plenários e actividades sindicais.
Estas e outras manifestações sectárias expressam vícios bastante arreigados nas fileiras partidárias e têm causado reais prejuízos à actividade do nosso Partido junto às massas trabalhadoras. Por isto devem ser combatidas com firmeza e de forma sistemática. É preciso eliminar das fileiras partidárias qual quer tipo de entrave à realização de uma verdadeira política de massas, qualquer tipo de obstáculo que dificulte os nossos esforços para fazer passar as grandes massas trabalhadoras para o lado das posições revolucionárias do nosso Partido que é o seu verdadeiro e único Partido.
O sectarismo e a falta de orientações claras para o trabalho dos comunistas no movimento sindical facilitaram o aparecimento de outras manifestações negativas na actividade sindical do Partido, as quais precisam igualmente ser combatidas e superadas. A mais perigosa manifestação é sem dúvida a conciliação com o revisionismo. Da parte de diversos camaradas há vacilações e receios de enfrentar resolutamente as campanhas caluniosas e as manobras dos caciques revisionistas. Foi o que aconteceu no Congresso dos Sindicatos, onde a pretexto de que era preciso conseguir a unidade, alguns dirigentes sindicais tomaram uma posição abertamente de conciliação e mesmo de capitulação, recusando-se a intervir no plenário e chegando até a aplaudir teses revisionistas. Foi também o que se passou nalgumas eleições sindicais onde militantes do Partido recearam combater frontalmente as listas revisionistas, o que acabou por comprometer a vitória de listas unitárias. Mal ligados às massas das suas empresas, insuficientemente empenhados na luta pelas suas reivindicações, estes camaradas não encontram forças para defender as posições revolucionárias do nosso Partido. O perigo da conciliação com o revisionismo tem vindo a avolumar-se e é uma manifestação concreta de oportunismo de direita. Como tal deve ser combatido de forma sistemática onde quer que se exprima.
Como consequência das vacilações perante o revisionismo verificou-se o aparecimento de posições de defesa do apartidarismo nos sindicatos. Nalgumas eleições sindicais expressaram-se em programas sindicais e em tomadas de posição públicas de listas afectas à corrente sindical unitária e revolucionária. Tais posições, além de anti-marxistas, mais não reflectem do que o medo de lutar abertamente contra o revisionismo, o que tem levado alguns camaradas a preferirem refugiar-se em argumentos fáceis, acessíveis às massas atrasadas, em vez de defenderem posições revolucionárias do Partido. Ao fazê-lo abdicam do seu papel de elementos de vanguarda que educam as massas para a luta revolucionária.
Além disso, está muito espalhada em todo o Partido uma concepção eleitoralista de actividade sindical, a qual reduz o trabalho sindical a um esforço febril em vésperas de eleições, com o único objectivo de organizar uma lista muitas vezes simbólica, voltando-se a recair na inércia após a campanha eleitoral e desculpando-se do seu mau trabalho com a acção traidora dos revisionistas. A nossa actividade sindical não pode estar concentrada nas eleições sindicais; mas tem como finalidade colocarmo-nos inteiramente ao serviço da classe operária, em função das lutas e no trabalho das empresas, visando acirrar a luta de classes com base nas alternativas revolucionárias do Partido.
Todo o Partido deve retirar lições dos erros passados e lançar-se num trabalho sindical correcto através da luta em duas frentes: contra as manifestações sindicaleiras dos que julgam poder ganhar a maioria das massas e a direcção do movimento sindical através do abandono ou do apagamento das nossas alternativas revolucionárias, posições que conduzem directamente à conciliação com o revisionismo; e contra as manifestações radicalistas que desprezam a actividade sindical, a implantação profunda do Partido no seio da classe operária, as quais conduzem ao isolamento sectário perante as massas.
Para combater o sectarismo é necessário um trabalho concreto e vivo de massas, capaz de mobilizar os trabalhadores para a luta, trabalho esse que exige um real conhecimento das reivindicações das massas. E não só, é preciso também conhecermos o estado de espírito das massas, estimularmos a sua disposição de luta, ajudá-las a preparar e desenvolver as suas acções reivindicativas, ganhando a sua confiança e dirigindo-as com justeza.
Para combater a conciliação com as forças burguesas e os caciques revisionistas é necessário termos junto às massas, em quaisquer circunstâncias e em todos os momentos, uma conduta de sindicalistas revolucionários e unitários que não medem esforços nem sacrifícios na luta contra o patronato e os seus lacaios, pela democracia no interior dos sindicatos e pela defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores. É preciso também não rebaixar o papel de vanguarda revolucionária do nosso Partido e compreender que a nossa actividade junto aos trabalhadores consiste em persuadi-los dia a dia da justeza das nossas posições revolucionárias, as quais correspondem aos seus reais interesses, e da falsidade das posições dos caciques cunhalistas, as quais correspondem aos interesses da burguesia no seio do movimento sindical. As próprias necessidades de luta intransigente em defesa dos direitos e aspirações das massas trabalhadoras exigem que nós comunistas não conciliemos em nenhum instante com a ideologia e a prática dos caciques cunhalistas, ideologia e prática que nada tem a ver com os interesses da classe operária.
Finalmente, é preciso ter sempre em presente a Resolução Politica do II Congresso quando nos indica que "não menos errada é a ideia de que o carácter amplamente unitário dos sindicatos deva privar os comunistas de levar para a luta sindical as suas posições revolucionárias, as suas alternativas para um eficaz combate operário à crise económica, à avançada reaccionária do patronato e da direita e à dominação imperialista sobre o nosso país".

III - Objectivos e tarefas do Partido no movimento sindical
O Comité Central considera que a situação actual do movimento sindical coloca ao nosso Partido a exigência premente de desdobrar criadoramente as indicações tácticas da Resolução Política do II Congresso. Justamente por isso decide definir os objectivos e tarefas revolucionárias do Partido para o movimento sindical. Com esta iniciativa todo o Partido ficará melhor armado para apresentar às grandes massas trabalhadoras uma justa alternativa revolucionária de classe, uma alternativa capaz de defender as conquistas dos trabalhadores e de enfrentar vitoriosamente os ataques, do patronato, capaz de demonstrar às massas no decurso das suas lutas o carácter burguês da política sindical dos cunhalistas e de desmascarar as suas posições e práticas de agentes da burguesia no seio do movimento operário e sindical.
1. Os sete objectivos tácticos do Partido na actual situação do movimento sindical
A táctica revolucionária do Partido no movimento sindical tem como objectivos tácticos unificar as organizações sindicais com base na luta de classes:
1. Lutar intransigentemente em defesa das conquistas de Abril;
2. Lutar contra o patronato e os seus agentes, contra o "pacto social”, a política reaccionária do governo PS-CDS e o projecto burguês-imperialista que visa fazer com que os trabalhadores paguem a crise, golpear os seus direitos e a unidade sindical;
3. Defender a unidade sindical contra todos os divisionistas;
4. Acelerar a verticalização sindical e a destruição da estrutura sindical corporativa fascista;
5. Lutar pela democracia sindical, combater a burocratização da CGTP e dos sindicatos, conseguindo que os trabalhadores imponham uma vida sindical activa assente na força das estruturas sindicais nas empresas e avance daí para os sindicatos e a CGTP;
6. Lutar por libertar a CGTP e os sindicatos do reformismo cunhalista que amarra os trabalhadores à conciliação de classes;
7. Lutar por fazer triunfar no seio da CGTP a corrente sindical unitária e revolucionária e a sua linha de classe.
Estes objectivos tácticos revolucionários do nosso Partido para o movimento sindical só poderão ser realizados pela luta contra a burguesia, o capitalismo e seus partidos, e não por nenhuma espécie de colaboração de classes com estes. Para alcançar estes objectivos o nosso Partido segue a indicação de Dimitrov que nos diz "a frente única do trabalho cria-se em nome de uma plataforma concreta para assegurar o pão, a vida, os direitos, as liberdades e o futuro do povo trabalhador, enquanto a colaboração de classes leva à utilização das massas como moeda de troca para a realização de interesses e de finalidades que lhes são estranhos”.
Precisamente por isto é preciso que todo o Partido siga o método seguro que lhe foi indicado pelo II Congresso: "não se pode vencer a influência dos revisionistas no seio dos sindicatos, as suas manobras de conciliação e capitulação, senão lutando de forma adequada, consequente e flexível pelas reivindicações realmente sentidas pela maioria dos trabalhadores". Esta é a mais importante tarefa do Partido no campo sindical. A acção sindical reivindicativa do nosso Partido deve ser decididamente voltada para as camadas mais pobres e combativas do proletariado e do semi-proletariado, para os trabalhadores que com maior dureza sofrem os efeitos da brutal crise económica e a exploração impiedosa do patronato, trabalhadores esses que mostram claramente disposição para a luta e tendência de radicalização.
2. Por uma plataforma unitária de acção imediata
O PCP(R) considera necessário defender junto às massas trabalhadoras e a todas as forças revolucionárias que actuam no movimento sindical, uma plataforma unitária de acção imediata que inclua os direitos e reivindicações mais sentidas do movimento operário e popular à escala nacional. Esta plataforma não destina a servir de base a uma actividade sindical paralela, mas sim a guiar os sindicalistas revolucionários na sua acção quotidiana no seio do movimento sindical. Algumas das reivindicações que inclui estão igualmente incluídas no caderno reivindicativo aprovado no plenário da CGTP de 4 de Fevereiro mas estão a ser ignoradas pelo Secretariado da central sindical. Ao mesmo tempo, as reivindicações contidas no caderno de 4 de Fevereiro que visam a colaboração dos trabalhadores com o governo e o Estado burguês não podem ser defendidas pela corrente sindical unitária e revolucionária.
A plataforma que o PCP(R) defende e que lutará para ser vitoriosa sintetiza-se nos seguintes pontos:
1 - Defesa das grandes conquistas de Abril
Defesa da Reforma Agrária, das nacionalizações, das empresas intervencionadas, contra as indemnizações, contra a lei Barreto, contra a lei PPD do arrendamento rural e pela extinção efectivada colónia na Madeira. Defesa dos direitos de todos os trabalhadores das cidades e dos campos inscritos na Constituição, direitos que não podem sofrer qualquer tipo de limitação legislativa nem através de regulamentos. Contra o “pacto social", contra a política reacionária do governo PS-CDS e do Presidente da República.
2 - Defesa intransigente das liberdades e dos direitos sindicais já conquistados pelos trabalhadores
Pela completa liberdade sindical, inclusivamente na organização das comissões sindicais nas empresas. Defesa da central sindical única e combate aos projectos de lei que visam dividir o movimento sindical e acabar com a actividade sindical nos locais de trabalho. Contra os sindicatos paralelos e as tentativas de divisão do movimento sindical venham donde vierem. Reconhecimento do direito de greve a todos os trabalhadores da função pública, professores, etc. Criação de fundos de greve pelos sindicatos controlados pelos trabalhadores. Proibição do lock-out. Contra qualquer intervenção policial repressiva ou qualquer intromissão de órgãos estatais visando limitar o exercício do direito de greve e da organização sindical nas empresas. Reintegração imediata de todos os dirigentes, delegados e activistas e trabalhadores despedidos.
3 - Revogação da legislação anti-operária
Revogação da lei que restringe o livre direito de greve. Revogação da lei dos despedimentos e dos contratos a prazo. Revogação da lei que limita os aumentos salariais a 20 por cento. Contra os projectos reaccionários de nova lei sindical.
4 - Luta pelas reivindicações mais sentidas dos trabalhadores
Aplicação do salário mínimo nacional sem restrições aos trabalhadores de todos os sectores profissionais. Aumentos gerais e revisão das tabelas salariais, segundo os interesses dos trabalhadores e as suas necessidades. Redução do leque salarial. Pelo horário de 4 horas semanais, contra o aumento dos horários de trabalho. Pelo direito ao trabalho, contra os despedimentos e todas as formas de sub-emprego. Direito à contratação colectiva para todos os trabalhadores e a sua aplicação em todo o país, não às portarias. Por uma lei democrática do trabalho rural para o Norte e Centro que defenda os trabalhadores do campo. Prazo de vigência da contratação colectiva por doze meses e sua aplicação a partir do termo da anterior. Contra qualquer discriminação em relação ao trabalho feminino e juvenil, por salário igual. Subsídio de desemprego extensivo a todos os desempregados incluindo os trabalhadores de empresas paralisadas sem limite de tempo. Actualização do abono de família e das pensões de reforma de acordo com o aumento do custo de vida. Justas indemnizações e pensões para os acidentados de trabalho e doentes profissionais. Reconhecimento e garantia do direito à segurança no emprego. Controlo da previdência pelas organizações sindicais e o seu alargamento a todos os trabalhadores. Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos os trabalhadores, controlado pelas organizações sindicais.
5 - Combate ao aumento do custo de vida
Revogação do cabaz de compras e criação de um novo cabaz alargado a mais produtos de primeira necessidade com preços ao nível de 77. Revogação do aumento dos transportes, gás, água e electricidade e proibição de novos aumentos. Proibição da especulação com rendas de casa, não permitindo rendas superiores a 1/6 do rendimento familiar. Congelamento das rendas, não aos decretos anti-inquilinos. Pela habitação social contra a especulação desenfreada na construção de casas.
O Comité Central considera que esta plataforma unitária de acção imediata será um importante factor de unificação e acirramento da luta de todos os trabalhadores. Ao mesmo tempo, esta plataforma será um valioso instrumento aglutinador das forças revolucionárias que actuam no movimento sindical, um valioso instrumento na defesa da unidade e da acção dos trabalhadores pelos seus interesses vitais.
O Comité Central chama todo o colectivo partidário a levar esta plataforma ao movimento sindical, a partir das empresas, desenvolvendo todos os esforços para a explicar de forma persuasiva e com argumentos convincentes, acessíveis às mais amplas massas trabalhadoras. O Comité Central indica que esta plataforma deve ser utilizada em cada situação concreta de forma flexível, levantando em cada momento as reivindicações mais adequadas. Se assim o fizermos ela transformar-se-á num património comum de todos os trabalhadores, os quais tornarão vitoriosa cada uma das suas reivindicações através ias suas lutas.
3. Utilizar formas de luta mais eficazes e mobilizadoras para a defesa das conquistas de Abril e de novas reivindicações dos trabalhadores
A defesa das conquistas de Abril e a satisfação das justas reivindicações incluídas na plataforma unitária de acção imediata exigem da parte do movimento sindical a adopção de adequadas formas de luta, capazes de mobilizar massivamente os trabalhadores e de os levar a novos e maiores êxitos.
A "política de abertura e de diálogo" face ao governo de direita preconizada pela actual maioria do Secretariado da CGTP, que não passa de uma política de conciliação de classes sempre defendida pela direcção do partido revisionista, tem levado sistematicamente a luta dos trabalhadores à derrota e ajudado a recuperação capitalista à custa do agravamento das condições de vida das massas trabalhadoras. Devido a esta política, muitas reivindicações exigidas pelos trabalhadores e aprovadas em plenários sindicais, morrem no papel ou desaparecem nos gabinetes de negociações com o patronato, traídas pelas Federações e Comissões Negociadoras. Estas últimas por vezes são obrigadas pela pressão dos trabalhadores a ir à luta pelos CCT encetando greves parciais de meia hora ou de algumas horas. Mas sempre que os trabalhadores exigem maior firmeza e radicalização da luta, recusam a pretexto de que não há possibilidades, aceitando as portarias impostas pelo governo, muitas vezes em condições inferiores às próprias propostas do patronato. As grandes manifestações de massas convocadas pela CGTP, se por um lado têm revelado a imensa força dos trabalhadores, têm sido utilizadas como válvula de escape e como apoio das negociatas de gabinete da direcção da CGTP ou do partido revisionista.
Na situação actual o movimento sindical precisa encontrar formas adequadas e eficazes de unidade e de organização das lutas, formas de estruturação flexíveis que possibilitem a união dos trabalhadores de baixo para cima, favoreçam o desenvolvimento de grandes campanhas e dêem aos trabalhadores confiança nas suas próprias forças.
Cabe às fracções sindicais, dirigentes e delegados sindicais do Partido a importante tarefa de propor as reivindicações vitais dos trabalhadores em todas as reuniões de operários por empresa ou sindicato e defender as formas de luta consequentemente revolucionárias. De igual modo cabe-lhes desmascarar a táctica de colaboração de classes dos revisionistas e a sua recusa sistemática a adoptar formas de luta correspondentes ao grau de mobilização dos trabalhadores.
Os comunistas devem orientar e dirigir as lutas dos trabalhadores com vista à acumulação de forças para impulsionar o processo revolucionário. Não se devem empreender acções que conduzam ao desgaste desnecessário de forças, à perda de posições conquistadas. A acumulação de forças requer que ai lutas sejam preparadas e conduzidas de forma adequada, sabendo utilizar o avanço ou o recuo conforme a situação o exija, por forma a obter triunfos mobilizadores.
As greves ou outras formas de luta devem ser utilizadas de acordo com o grau de radicalização das massas e sempre após cuidadosa preparação quer através duma ampla agitação para esclarecer todos os trabalhadores sobre as causas e os justos objectivos da luta, quer organizando-as nos seus mais pequenos detalhes. Devem-se lançar apelos simples e concisos directamente aos membros dos sindicatos, convidando-os a não evitarem as lutas necessárias contra os patrões, nem vacilarem em contrariar os conselhos dos chefes sindicais burocratas e traidores.
Onde houver condições devem ser eleitos comités de greve directamente pelos trabalhadores para dirigir as lutas, substituindo as comissões sindicais ou sindicatos que se coloquem contra ela.
Em cada região os comunistas devem lutar pela concentração e unificação orgânica das lutas. O nosso objectivo deve ser pressionar os sindicatos para concentrarem todas as acções isoladas que se desenvolvem e transformá-las numa vasta luta única, em ornadas de luta regionais ou nacionais que dêem maior força e combatividade às acções massivas dos trabalhadores.
As lutas deverão constituir meios para aumentar a influência da corrente sindical unitária e revolucionária. As direcções ou comissões sindicais dominadas por posições reformistas devem ser pressionadas pelos trabalhadores a apoiar as lutas organizadas com base em palavras de ordem justas. Sempre que os organismos sindicais se oponham às lutas, deve ser proposta a sua destituição desde que o apoio dos trabalhadores seja suficiente para tal.
4. Defender a unidade sindical contra todos os divisionistas
A táctica revolucionária do Partido no movimento sindical tem como um aspecto de maior importância a defesa da central sindical única, contra todos os divisionistas, sejam social-democratas ou revisionistas. Os comunistas que trabalham nos sindicatos devem ser os mais infatigáveis lutadores pela unidade sindical. A existência de uma só central sindical, a CGTP, é uma importante conquista dos trabalhadores que favorece a unidade e a luta da classe operária e das massas trabalhadoras, enquanto a existência de várias centrais seria um factor de divisão dos explorados de que só a burguesia beneficiária. Por isso o nosso Partido defende como sempre defendeu a central sindical única e luta por erguer os trabalhadores contra todos os divisionistas.
Ao tomar esta posição em defesa da central sindical única, o nosso Partido não alimenta quaisquer ilusões acerca da política seguida pela maioria dos actuais dirigentes da CGTP, os quais são apenas os transmissores fiéis da política de capitulação e traição do partido revisionista. O seu objectivo não é defender a unidade sindical mas conseguir que a sua central controle a esmagadora maioria do movimento sindical. Por outro lado, os cunhalistas não visam mobilizar e organizar os trabalhadores para as lutas, educando os no caminho que têm a percorrer para destruir a sociedade capitalista. A sua política, orientada no quadro do sistema burguês, faz o jogo da burguesia e tem como fim utilizá-los como tropa de choque do partido revisionista no seu objectivo de sabotagem e traição às lutas massas trabalhadoras. Com plena consciência destes factos, o nosso Partido não deixa por isso de lutar no seio da CGTP e de a defender como central sindical dos trabalhadores, pois é nela que estão organizadas as mais amplas massas de explorados e oprimidos. Ao lutar consequentemente pela defesa da unidade sindical, o Partido combate de forma intransigente todos os traidores da luta dos trabalhadores. A luta pela unidade sindical e contra a maioria traidora do actual Secretariado da CGTP ao serviço do partido revisionista são inseparáveis e indispensáveis ao avanço da luta dos trabalhadores.
5. Afirmar a corrente sindical unitária e revolucionária contra o capital e o revisionismo
A luta para libertar a CGTP e os sindicatos do reformismo cunhalista que amarra os trabalhadores à conciliação de classes e a luta para fazer triunfar no movimento sindical a linha sindical unitária e revolucionária são duas importantes tarefas da acção dos comunistas. A derrota dos cunhalistas e a vitória da corrente revolucionária são indispensáveis para forjar o movimento sindical revolucionário combativo que ajude a levantar as imensas energias existentes na classe operária e conduza à reactivação da crise revolucionária.
Para atingir esse objectivo impõe-se reforçar o poder de atracção da corrente sindical unitária e revolucionária entre as massas trabalhadoras, promovendo encontros de dirigentes e delegados sindicais de onde saiam propostas, tomadas de posição e apelos à luta para o movimento sindical. Além disso, impõe-se transformar numa aliança duradoura as alianças ocasionais dos que defendem uma central sindical ao serviço da luta de classe dos trabalhadores. A situação do movimento sindical exige que as forças revolucionárias activas no campo sindical se aproximem e articulem a sua actividade com base na plataforma unitária de acção imediata. Lutar pela unidade imediata de todas as forças políticas e sindicais revolucionárias é uma tarefa dos comunistas. Esta deve ser uma das suas preocupações quotidianas na actividade sindical.
Neste sentido, o PCP(R) considera necessário que os comunistas redobrem esforços para que todos os activistas da corrente sindical unitária e revolucionária compreendam a inteira justeza dos sete objectivos tácticos do nosso Partido para enfrentar vitoriosamente a actual situação do movimento sindical. Esta é a via para alargar a influência da corrente sindical unitária e revolucionária junto às grandes massas trabalhadoras e para avançar na conquista duma CGTP unida, combativa, democrática e revolucionária que se oponha de facto ao patronato e aos seus lacaios reformistas e cunhalistas.
6. Lutar pela formação de listas, unitárias nas eleições sindicais para esmagar a direita e isolar os caciques revisionistas
A justa actuação da corrente sindical unitária e revolucionária exige a adopção de uma táctica bastante flexível que corresponda aos reais interesses dos trabalhadores e ao seu forte desejo de unidade e às condições concretas de cada sindicato. Em cada caso, é preciso considerar as forças de que dispõe a corrente sindical revolucionária e a tendência dos trabalhadores para se agruparem unitariamente nos sindicatos e na CGTP porque vêem aí o melhor instrumento para lutar pelos direitos já alcançados, pelas suas reivindicações mais sentidas e contra as investidas do patronato e da direita. Seria um grave erro não considerar essa realidade e não adoptar esta táctica flexível.
A táctica de luta pela formação de listas unitárias nas eleições sindicais para esmagar a direita e isolar os caciques cunhalistas compõe-se dos seguintes elementos principais:
- formação de listas unitárias com base num processo democrático de baixo para cima e sempre em estreito contacto com as massas para a escolha de dirigentes reconhecidos pelos trabalhadores e para a elaboração do programa unitário de acção sindical;
- amplo debate, aberto democraticamente a todos os trabalhadores do sindicato, dos nomes a constituírem a lista unitária definitiva e dos pontos que devem constituir o programa de acção sindical;
- no caso dos grandes sindicatos operários onde ainda é grande o domínio dos caciques cunha­listas e onde a direita não tem condições de êxito, é justo adoptar a táctica da elaboração de programas de acção sindical unitária, combativa e mobilizadora e da formação de listas unitárias e revolucionárias. Com base no programa e na lista, deve-se ir às massas, discutir com elas e persuadi-las da justeza dessa posição. E não fazê-lo às vésperas das eleições mas com grande antecedência, a fim de ser possível criar um movimento de opinião que nos seja o mais favorável. Se porventura as nossas posições não forem vitoriosas é necessário continuar com a mesma lista e o mesmo programa para a realização de um efectivo trabalho entre as massas sindicalizadas, compreendendo a participação organizada e activa nos plenários sindicais, nas assembleias sindicais, etc.;
- para ganhar mais facilmente as massas para as posições revolucionárias do nosso Partido através da sua própria experiência, a nossa táctica sindical leva em conta de que em casos especiais a corrente sindical unitária e revolucionária possa negociar uma lista sindical com os cunha­listas, especialmente em sindicatos onde seja preciso derrotar as ameaças de cisão ou impedir a vitória da direita. Nestes casos, porém, é absolutamente necessário que sejam escolhidos dirigentes democraticamente reconhecidos pelos trabalhadores, sempre com base num programa de acção sindical que contemple as reivindicações mais sentidas pelas massas e a democracia sindical. Para além disso é necessário consultar democraticamente as massas sobre as posições e compromissos a tomar, especialmente sobre a escolha dos nomes a compor a lista unitária. É necessário também que a corrente sindical unitária e revolucionária não abdique da sua independência e autonomia na actividade da direcção eleita e na sua actuação nos plenários e assembleias sindicais, mantendo obrigatoriamente uma posição de unidade e de luta e defendendo propostas revolucionárias para as acções de massas.
A nossa táctica sindical neste terreno é flexível e não de cedência, é de luta e não de acomodamento porque o seu objectivo é lutar para transformar os sindicatos reformistas numa verdadeira organização sindical de classe, é lutar pela unidade do movimento sindical com base na luta de classes.
7. Lutar para que as direcções sindicais revolucionárias dêem o exemplo duma prática sindical verdadeiramente unitária e revolucionária
Para que a corrente sindical unitária e revolucionária se fortaleça e ganhe cada vez maior influência entre as massas trabalhadoras, o PCP(R) considera necessário que as direcções sindicais onde militam revolucionários sejam um exemplo na sua actividade quotidiana. Só com uma justa prática revolucionária é possível tornar claro perante as grandes massas trabalhadoras a diferença radical que existe entre esta prática e a dos caciques sindicais cunhalistas e social-democratas. É através desta demarcação que será possível aos trabalhadores comprovarem pela sua própria existência a necessidade de colocar nos seus órgãos de classe, os sindicalistas mais combativos e dedicados na defesa dos seus interesses.
Para que as direcções sindicais revolucionárias assumam o seu verdadeiro papel de educação dos trabalhadores na prática da luta revolucionária, é indispensável a sua íntima ligação às massas e que mostrem, não com palavras mas com actos, que lutam abnegadamente e todos os dias pela defesa dos seus interesses.
Todo o trabalho das direcções sindicais revolucionárias e dos sindicatos revolucionários deve ser alicerçado nas empresas, realizando o máximo de assembleias e actuando sempre de acordo com as decisões livre e democraticamente tomadas em tais plenários. A sua actividade deve estar centrada onde se desenvolve a luta de classes. É aí que ganharão a confiança e o prestígio de todos os trabalhadores.
Além disso, o PCP(R) considera que, para assegurar uma justa e permanente ligação com as massas trabalhadoras, as direcções sindicais revolucionárias precisam de:
- promover a eleição de delegados e comissões sindicais e uni-los à direcção como os seus por­ta-vozes junto dos trabalhadores.
- prestar contas periodicamente pela acção desenvolvida em amplas assembleias de trabalhadores.
- participar em todas as iniciativas da CGTP e Uniões Sindicais, lutando por fazer parte das suas comissões organizadoras e procurando im­por aí uma orientação revolucionária na defesa dos interesses dos trabalhadores.
O PCP(R) considera que seguindo estas formas e meios de acção de massas, as direcções sindicais revolucionárias terão asseguradas todas as condições para aumentar o seu prestígio entre as grandes massas trabalhadoras e para dar passos seguros no sentido de fortalecer as suas posições no seio do movimento sindical.
8. Reforçar o trabalho sindical do Partido nas fábricas e empresas
A conquista de êxitos nas nossas tarefas no campo sindical exige que todo o colectivo partidário se empenhe, na actividade sindical nas empresas, herdades e locais de trabalho, e reivindicativa quotidiana e, a partir de baixo, lute para ganhar influência nas estruturas sindicais. O avanço do trabalho sindical dos comunistas é inseparável do fortalecimento da organização do Partido nas empresas, da criação de novas células de empresa e do funcionamento activo, com grande apoio dos órgãos dirigentes, das células existentes.
Na sua actividade diária nas empresas, os comunistas devem ter presente o seguinte chamamento de Dimitrov no VII Congresso da Internacional Comunista: "Devemos declarar da maneira mais categórica que o operário comunista, o operário revolucionário que não adere ao sindicato de massas da sua profissão, que não luta para transformar o sindicato reformista numa verdadeira organização sindical de classe, que não luta pela unidade do movimento sindical com base na luta de classes, este operário comunista, este operário revolucionário não cumpre o seu primeiro dever proletário".
Estas palavras de Dimitrov devem constituir uma segura linha de orientação para todos os militantes do nosso Partido.
O trabalho sindical do Partido é e será sempre um trabalho duro e paciente, exige muita abnegação e grande poder de persuasão, exemplos concretos de que somos verdadeiros combatentes de vanguarda. Para ganhar mais facilmente as massas para as posi­ções revolucionárias do nosso Partido e para a sua táctica sindical, os comunistas têm o dever de ser os mais incansáveis e solícitos na preparação, desenca­deamento e direcção das acções de massas pelos seus interesses vitais. Os comunistas devem ser exem­plares servidores das massas pois só assim conquis­tarão o seu apoio combativo e a sua confiança inte­gral. Os nossos camaradas tudo devem fazer, não só através das palavras mas principalmente dos factos, para que os trabalhadores se convençam pela sua própria excelência das suas aptidões como dirigen­tes de massas, da sua capacidade de decisão e de realização, do seu espírito de abnegação na luta.
De igual modo é dever de todos os comunistas não só estarem sindicalizados mas serem os mais abnegados e combativos activistas sindicais das suas empresas. Os militantes e colectivos partidários têm a obrigação de conhecer profundamente a situação e o estado de espírito dos trabalhadores das suas empresas, bem como os problemas sindicais, os Contratos Colectivos de Trabalho e a legislação laborai para poderem esclarecer e orientar os trabalhadores acerca dos seus direitos. Nesta actividade de esclarecimento, viva e não livresca, é indispensável uma linguagem acessível às massas e que reflicta os pensamentos e sentimentos de milhões de trabalhadores. Além disso, todo o trabalho sindical dos comunistas deve ser cuidadosamente organizado. Os comunistas devem obrigatoriamente estar presentes em todas as assembleias e outras reuniões sindicais e a sua intervenção aí deve ser organizada cuidadosamente e não espontânea.
Na actividade sindical os militantes comunistas devem aplicar uma linha de massas, para ampliar e fortalecer sistematicamente os laços do Partido com os trabalhadores explorados. É necessário consultar sempre as massas nas questões do seu interesse e defender as suas reivindicações, saber aprender no contacto com elas e, sistematizando a sua prática de luta, aprender a organizar e dirigir as suas lutas com justeza e esforçar-se por ser reconhecido pelos trabalhadores como seus dirigentes.
Actuando deste modo, como os mais fiéis servidores das massas, os comunistas serão por elas reconhecidos como autênticos combatentes de vanguarda e criarão todas as condições para serem eleitos delegados sindicais e para conquistarem comissões sindicais de empresa. Aí terão que redobrar de esforços para justificar a confiança das massas e lutar por transformar os órgãos de classe nas empresas em esteios da luta de classes, unindo solidamente os trabalhadores em torno das posições revolucionárias de classe.
O Comité Central do PCP(R) chama todo o Partido a empenhar-se com firmeza neste trabalho de organização, longo e paciente, mas que é o único capaz de dar frutos e sem o qual não é possível fazer avançar a corrente sindical unitária e revolucionária, ganhar as massas para as posições políticas e ideológicas do Partido e conquistar a unidade política da classe operária.

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)






Sem comentários:

Enviar um comentário