terça-feira, 12 de junho de 2018

1973-06-10 - 10 de JUNHO ACÇÕES DE AGITAÇÃO NOS QUARTÉIS FORAM A RESPOSTA AOS DISCURSOS E PARADAS MILITARES - IRFA


I.R.F.A.
ESPECIAL

10 de JUNHO
ACÇÕES DE AGITAÇÃO NOS QUARTÉIS FORAM A RESPOSTA AOS DISCURSOS E PARADAS MILITARES

A consagração pelo fascismo, dos criminosos que mais se distinguiram pela sua ferocidade, nas guerras coloniais, encontrou da parte dos militares antifascistas e anticolonialistas a resposta adequada.
Na EPI (Mafra), B.A. do Montijo, no RI 2 (Abrantes), na EPEM (P. de Arcos), nas instalações do Min. da Marinha, no Alfeite e na EPSM (Sacavém), apareceram tarjetas e colantes com as palavras de ordem "Não queremos condecorações queremos o Fim da Guerra", "Pelo 10 de Junho gritemos: Abaixo a G. Colonial", "Regresso imediato dos soldados”, “independência para as colónias”, dezenas de separatas da INFA-5 e centenas de comunicados de Militares Anticolonialistas, denunciando o colonialismo e os criminosos fascistas, reafirmando a sua solidariedade à luta dos povos das colónias e chagando todos os camaradas ao combate, por acções cada vez mais firmes e enérgicas contra a guerra colonial e o militarismo fascista.

O comunicado que se segue foi um dos mais amplamente distribuídos e discutidos nas unidades militares referidas.
Desde o início da guerra que o governo colonial fascista (agora com M. Caetano) patrocina, neste dia, uma cerimónia em HONRA DOS CRIMES COMETIDOS NAS COLÓNIAS. Perante as forças que reprimem o nosso Povo assim como o das Colónias faz-se a entrega das condecorações àqueles que mais se salientaram pela sua brutalidade e "valentia".
O que significam essas condecorações? Umas correspondem a "actos valorosos" praticados por oficiais sentados à secretária dum gabinete com ar condicionado, enquanto o "subalterno" arrisca o pelo no mato sujeito a todas as contingências incluindo a fome, outras há expressas em cruzes de guerra, valores militares e torres espadas que correspondem ao maior ou menor número de crimes cometidos contra os povos africanos, como por exemplo torturar pessoas indefesas, matar crianças, violentar e assassinar mulheres "regar" aldeias com napalm, etc. São estes criminosos, que o governo fascista pretende fazer passar por “heróis”. São os casos do sarg. ajudante Bartolomeu Alves Velho, alferes (agora capitão) Robles, cap. Ferreira. (actual comandante da Policia de Choque) que são condecorados pelo governo fascista. É este o seu prémio.
Na Marinha, são expoentes desses assassinos "heróis" os famigerados Calvão e Rebordão de Brito. O Calvão, actual Com. da Polícia Marítima de Lisboa (já foi dirigente da M.P. e é actual filiado da L.A.G.) é chefe de segurança da Lisnave e intimo colaborador da PIDE-DGS (para o que conta com o apoio do Min. da Marinha); planeou juntamente com a PIDE a invasão da Rep. da Guiné comandando as forças portuguesas e os mercenários guineenses que efectuaram o malogrado golpe de mão sobre Conakry.
Rebordão de Brito, actualmente das Forças Especiais da Guiné, é afilhado e protegido do Spínola, recém promovido por distinção, devido à sua posição de lugar-tenente do Calvão na invasão de Conakry. Este criminoso de guerra ainda é mais hediondo que os seus amos (Calvão e Spínola) pois é Caboverdeano traindo assim os seus irmãos que lutam heroicamente pela sua emancipação, nas fileiras do PAIGC. São estes e outros que tais os "homens" que no 10 de Junho os fascistas colonialistas apresentam como exemplo dos "heróis" do ar condicionado e dos crimes de guerra. SOLDADOS E MARINHEIROS; SARGENTOS E OFICIAIS:
Desde o início da guerra, MILHARES DE JOVENS MORRERAM OU FICARÁS! MUTILADOS, sacrificados aos interesses dos fascistas colonialistas. BASTA DE MORTOS E FERIDOS. CHEGA DE CRIMES CONTRA OS POVOS DAS COLÓNIAS
SOLDADOS E MARINHEIROS, SARGENTOS E OFICIAIS:
Nós, que somos obrigados a assistir ou a desfilar neste festim de criminosos, denunciamo-lo por todos os meios ao nosso dispor. Mostremos a verdadeira face desses "heróis".

ABAIXO OS CRIMINOSOS DE GUERRA E O 10 DE JUNHO!
ABAIXO A GUERRA COLONIAL!
ABAIXO O FASCISMO!

MILITARES ANTI-COLONIALISTAS

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