quarta-feira, 6 de junho de 2018

1973-06-06 - DECLARAÇÃO SOBRE O 10 DE JUNHO! - MPAC-CLAC's


PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, POVOS E NAÇÕES OPRIMIDAS DO MUNDO: UNI-VOS

DECLARAÇÃO SOBRE O 10 DE JUNHO!

A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA É INJUSTA E CRIMINOSA E OS "HERÓIS" DO TERREIRO DO PAÇO SÃO ASSASSINOS DOS POVOS OPRIMIDOS DAS COLÓNIAS!

Camaradas!
A guerra colonial-imperialista é, para a burguesia colonialista portuguesa, um ponto fundamental da sua política. Para o imperialismo, para os réis dos monopólios, para os grandes magnatas da finança, da indústria e do comércio, para os roceiros, os burocratas do Estado burguês e os mercenários do exército colonial-fascista, da pide e das várias polícias, enfim, para toda a corja de opressores e exploradores que vivem prin­cipescamente à custa do suor e do sangue dos Povos oprimidos das colónias e do nosso próprio Povo - a guerra colonial-imperialista é uma fonte fabulosa de grandes benéficos e de imensas riquezas.

Pelo contrário, para os Povos irmãos em armas das colónias e para as grandes massas populares de Portugal - ambos oprimidos e explorados pelo mesmo inimigo; a burguesia colonialista portuguesa, lacaio a soldo do imperialismo mundial - essa guerra injusta e criminosa é o mesmo que mais morte, mais mutilação, mais fome, mais doença, mais miséria, mais abjecção e mais emigração, maiores tormentos e privações sem fim para quem vive do seu trabalho, do esforço dos seus braços e do suor da sua fronte.
Arrastando - com a colaboração dos agentes social-chauvinistas do "PCP" e demais traidores - as massas trabalhadoras do nosso país para essa guerra imperialista de rapina, de agressão o de genocídio e alistando à força de baioneta os filhos dos operários e camponeses nas fileiras do exercito colonial-fascista e forçando-os a lançar-se sobre os seus irmãos oprimidos e explorados das colónias e a massacrar esses aliados naturais do nosso Povo, a burguesia monopolista e colonialista portuguesa - apoiada pelos seus patrões imperialistas - tenta, com isso, sabotar, suster ou aniquilar a justa e gloriosa guerra popular de Libertação, Separação e Independência nacionais que lavra pelos quatro cantos do seu Império colonial, manter esses Povos heróicos na maior opressão e exploração e salvaguardar os seus interesses políticos, económicos e militares (e os dos seus patrões estrangeiros) no belo e rico continente africano.
Isto é: lançando o nosso Povo contra os Povos das colónias, irmãos contra irmãos, amigos contra amigos, a burguesia procura, cinicamente, garantir a propriedade dos preços de petróleo, das minas de ferro, de carvão, de cobre, de prata, de ouro, de alumínio e de tantos outros minerais, bem como matérias-primas agrícolas, essências às indústrias metropolitanas e das grandes potências imperialistas é assegurar o domínio de vastas redes de mercados coloniais onde, de parceria com o funcionalismo corrupto do Estado burguês, os grandes monopólios comerciais vendem produtos industriais caros, esmifrando até à raiz dos cabelos milhões e milhões de trabalhadores oprimidos das colónias; e disputasse, lado a lado com os seus patrões imperialistas, as posições militares estratégicas na África ao social-imperialismo soviético.
Nada poderia, na verdade, satisfazer melhor este plano maquiavélico e os desejos vorazes de riqueza da burguesia, colonial-imperialista do que a lembrança, oportuna, das “velhas glórias do passado" (a que as burguesias recorrem sempre que se trata de tentar enganar o Povo), as exaltações histéricas e ridículas do "conquistador lusíada”, dos grandes navegadores dos mares nunca dantes navegados (?)”, do "difusor da fé e da civilização Ocidentais", da "conversão dos pagãos do além-mar" e de outros embustes racistas de que a burguesia (com a ajuda activa da hierarquia da Igreja católica) fez alarde, nos primórdios da época dita dos "descobrimentos", para disfarçar os seus verdadeiros desígnios expansionistas, corsários e colonialistas que a camarilha salazarista e marcelista se afadigou em desenterrar dos baús dos seus avôs para rechear as sua própria bolsa.
Agitando estas "velhas glórias do passado” com grande euforia, a burguesia colonial-imperialista tem pervertido, ao longo de dezenas e dezenas de anos, os operários e camponeses, os soldados e marinheiros e a juventude do nosso país logo desde os bancos da escola, mistificando o Povo com ideais caducos e patranhas chauvinistas, racistas e patrioteiras com o objectivo de manter o Povo mergulhado nas trevas da ignorância, fazendo assim dele presa fácil dos seus políticos, demagogos charlatães e dócil carne-para-canhão das suas injustas e criminosas guerras coloniais.
Porém, o Povo compreende cada vez mais claramente que a burguesia é seu inimigo de morte que a guerra que ela move aos Povos em armas das colónias é uma guerra injusta burguesa e imperialista, pela salvaguarda - não da "pátria", como dizem os burgueses, pois a nossa Pátria é Portugal e não Angola, Guiné, Moçambique ou qualquer outro país, mas - da propriedade das minas, das roças, dos bancos, das fábricas, etc. de um punhado de magnatas (portugueses ou estrangeiros, tanto faz) que vivem no meio do maior luxo e abastança sem mexerem uma palha. O Povo de Portugal entendo cada vez mais claramente que a guerra popular de Libertação nacional dos Povos oprimidos das colónias, essa sim, é que é uma guerra justa e plena de glória, pois tem por objectivo - não oprimir outro Povo, mas - libertar as suas Pátrias do jugo do colonialismo português e do imperialismo internacional, expulsar os estrangeiros opressores e exploradores e construir, sobre as ruínas da velha escravidão, uma sociedade nova, democrática e livre de toda a opressão estrangeira.
Por isso, o Povo português se recusa, em escala crescente, a deixar-se atrelar ao carro da guerra colonial-imperialista, aos interesses coloniais da burguesia, e deserta, às dezenas de milhar por ano, das fileiras do sinistro exército colonial-fascista, regozija-se com as formidáveis vitórias alcançadas pelos seus irmãos das colónias o alegra-se com as crescentemente demolidoras derrotas das forças armadas colonialistas.
Por isso, o Povo, percebendo bem a trapaça, não pode deixar de se rir da ridícula exaltação das "velhas glórias do passado” e das grandes eloquentes tiradas patrioteiras, militaristas e racistas dos burgueses colonialistas. Por isso, o Povo aponta a dedo, desmascara e isola os traidores e charlatães que querem atrelá-lo a tal guerra criminosa - como é o caso dos traidores social-chauvinistas do “PCP”.
Por isso, o povo português se revolta e luta, se manifesta nas ruas em audaciosas manifestações de massas e começa a desencadear a GUERRA DO POVO A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA, dispondo-se a transformar as fábricas, as escolas, os quartéis, os bairros, as ruas, as aldeias e as vilas do nosso país num verdadeiro inferno para os opressores e exploradores, para a burguesia colonial-imperialista e seus lacaios.
Debatendo-se, nas colónias, com uma situação politica, militar e diplomática de derrota irreversível imposta pelos valentes Povos em armas dessas nações oprimidas e deparando-se, em Portugal, com o rápido amadurecimento das condições revolucionárias e com o despertar das mossas populares e com a revolta crescente destas, a burguesia portuguesa - instigada pelos seus patrões imperialistas - aumenta a repressão armada e ideológica sobre as massas populares. Com tais medidas ela põe completamente a nú a sua fraqueza interior. Ostentando a sua força bruta, a burguesia pensa poder atemorizar o Povo. Mas as suas polícias e o sinistro exército colonial-fascista não passam de tigres de papel, embora aparentem muita força. A prova disto é que nem todas as suas polícias nem todo o seu exército colonial-fascista conseguem evitar as derrotas sucessivas na Guiné como em Moçambique. As ridículas e "velhas glórias do passado” distante mostram-se também impotentes para enganar o Povo. Dai, que a burguesia tenha necessidade de inventar "vitórias" militares nas colónias para camuflar as derrotas, essas sim, verdadeiras e demolidoras, como o recente aniquilamento completo de centenas de soldados colonialistas que compunham uma coluna de socorro e reforço de uma caserna cercada no norte da Guiné. Ela tem necessidade das falsas "vitórias", das "paradas militares", dos "congressos dos combatentes", do "10 de Junho", etc. para levantar o moral das tropas derrotadas e dizimadas, para disfarçar o colapso do seu império colonial, para continuar a atrair os capitais estrangeiros e tentar enganar o atemorizar o Povo.
Porém, o Povo não se deixa enganar nem atemorizar pelos estrebuchos dos colonialistas no limiar da sua morte certa e inevitável. O Povo sabe que todos os "heróis" do Terreiro do Paço, que no 10 de Junho, a camarilha marcelista e a trupe colonialista e militarista vai encher de "honras" militares e tentar fazer crer que são defensores "heróicos" duma causa justa, todos eles, NÃO PASSAM DE VIS MERCENÁRIOS A SOLDO DOS EXPLORADORES, DE VIS ASSASSINAS DOS VALENTES E HERÓICOS POVOS EM ARMAS DAS COLÓNIAS!

FOGO SOBRE O 10 DE JUNHO! FOGO SOBRE OS ASSASSINOS COLONIALISTAS!
VIVA A JUSTA LUTA DE LIBERTAÇÃO DOS POVOS OPRIMIDOS DAS COLÓNIAS!

6.VI.1973                     
Movimento Popular Anti-Colonial




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