segunda-feira, 4 de junho de 2018

1973-06-04 - REVOLTEMO-NOS CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA! - Comités Operários


REVOLTEMO-NOS CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!

ÀS OPERARIAS DA AUTOMÁTICA
CAMARADAS:
Na sociedade capitalista, a mulher sofre uma dupla exploração que a amarra e oprime, impede-lha emancipação e libertação; esta escravidão tem a sua raiz na propriedade privada, na apropriação por uma minoria de parasitas do trabalho das amplas massas populares, no sistema de exploração do homem pelo homem.
A libertação da mulher começa quando ela se ergue contra a exploração desenfreada de que é vítima nas fábricas e nos campos, contra a opressão moral e espiritual que a sociedade burguesa exerce sobre ela, centra as cadeias que a amarram e a tolhem.

Na nossa sociedade, a mulher trabalhadora sabe na sua própria carne o que é essa exploração, sentida todos os dias os efeitos da descriminação e a todos os momentos a opressão que sobre ela se abate.
A mulher portuguesa tem uma longa e rica experiência de luta contra a exploração e o fascismo, desde os campos do Alentejo e Ribatejo às fábricas das escolas à rua onde se tem batido ao lado do Povo pelo PÃO, pela PAZ, pela TERRA, pela LIBERDADE, pela DEMOCRACIA é pela INDEPENDÊNCIA NACIONAL.
Dia a dia, a mulher trabalhadora desperta para a luta activa e consciente, para o combate libertador, ergue a bandeira vermelha da revolução e lança-se ao lado do Povo à conquista da metade do céu.
Esta tendência histórica é irresistível, nem a camarilha marcelista, nem força alguma pode deter as aspirações da mulher a emancipação, à REVOLUÇÃO POPULAR e ao socialismo.
Na nossa fábrica, todas nós sabemos o que é a exploração do Capital, o que são os salários de fome, o que é o policiamento e a militarização do trabalho, como o capitalismo nos suga e nos destrói diariamente a saúde e quando já não rendemos ao seu apetite insaciável, como fria e calculadamente nos despede.
Todas nós sabemos o que é a repressão fascista ao menor aceno de revolta. Todas nós sabemos o que é a insolência e a arrogância dos exploradores estrangeiros, como se passeiam nas oficinas e locais de trabalho, símbolo da opressão estrangeira, da venda do nosso país ao imperialismo, perpetrada pela camarilha marcelista.
A ocupação da nossa fábrica pelo representante do imperialismo britânico é uma provocação que todas nós devemos dar uma resposta firme e clara: IMPERIALISTAS BRITÂNICOS, FORA DE PORTUGAL!
COMO PODEMOS ATÉ HOJE TOLERAR ESTA SITUAÇÃO?
PORQUE NÃO LUTAMOS CONTA A EXPLORAÇÃO E A TIRANIA?
Esta situação foi possível porque a classe operária estava desorganizada, atrelada a interesses que não eram os seus, com destacamentos burgueses infiltrados no seu seio para lhe desviar e impedir a luta libertadora. A classe oneraria está por toda a parte a pôr-se de pé como indica a grandiosa manifestação de massas do lº. MAIO, a isolar e a desmascarar os agentes revisionistas e oportunistas, da C"D"E-P"C"P, que mais não têm que se acoitar cada vez mais aos braços da camarilha mar­celista.
CAMBADAS:
Uma direcção proletária, uma sólida organização e uma firme unidade de todas as operárias é a chave exclusiva da nossa vitória.
O COMITÉ OPERÁRIO é uma arma e um primeiro passo das operárias da nossa fábrica, numa luta dura e prolongada, mas uma arma afiada, que declara guerra, aberta ao Capital, à exploração, à repressão e à tirania, arma aguçada e temperada no calor da luta diária que ficará suspensa sobre o pescoço dos exploradores.
Temos de nos organizar e unir por todas as secções, para que a voz da revolta chegue a toda a parte. Nós devemos elaborar e discutir em toda a fábrica, um conjunto de reivindicações imediatas e prepararmo-nos para a GREVE e a ocupação até à completa satisfação das nossas reivindicações.

AUMENTO DE SALÁRIOS!
REDUÇÃO DAS HORAS DE TRABALHO!
SALÁRIO IGUAL PARA AS OPERÁRIAS
UNIDAS CONTRA OS DESPEDIMENTOS!
A FÁBRICA É NOSSA! OCUPEMOS A FABRICA! GREVE!
FORA COM OS EXPLORADORES ESTRANGEIROS!
CONTRA O OPORTUNISMO E O REVISIONISMO!
PELO PODER POPULAR!

4 de Junho de 1973
COMITÉ OPERÁRIO DA AUTOMÁTICA 




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