quarta-feira, 27 de junho de 2018

1973-06-00 - Viva a Revolução Nº 08 - I Série - CREC's


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SOBRE A MANIFESTAÇÃO DE 11 DE JUNHO, NO PORTO

Para o dia 11 de Junho estava marcado o julgamento de aproximadamente cem estudantes, detidos no meeting de 4 de Abril, convocado pelas organizações sindicais estudantes do Porto, com o objectivo de ali se tomarem decisões democráticas com vista a acções concretas de repúdio pelo Festival fascista e colonialista de Coros Universitários.
Estes 100 estudantes são uma parcela dos 300 detidos no dia do meeting e vão ser julgados por terem tomado a justa posição de não pagarem a multa correspondente à reunião "ilegal". Este é um exemplo que devemos seguir: Recusemo-nos sempre a pagar as multas aos burgueses!

Compareceram no tribunal, à rua da Firmeza, cerca de 400 a 500 estudantes no dia 11, uns como "réus", outros como “testemunhas” e outros ainda que lá compareceram dispostos a responder pela luta de massas ao terrorismo policial e à fantochada no julgamento no tribunal burguês!
O acanhado carro burocrático-“justiceiro" ameaçava estoirar por todos os lados por não comportar senão uma décima parte dos estudantes presentes. A balbúrdia dentro do empoeirado edifício era tal que advogados, "testemunhas de acusação” (pides), a cambada de pides disfarçados de repórteres, turistas, “assistentes”, etc. (que tentava evitar que o tribunal fosse ocupado pelos estudantes), e o juiz, eram sujeitos às piadas e insultos constantes dos estudantes que aproveitaram a ocasião para abandalhar, muito justamente, a "solenidade " do "acto” que ia decorrer.
Na sala de audiências o juiz e advogados, ridículos nas suas vestimentas, um bom retracto da moral decadente da burguesia que já não tem quem a sustente, suam por todos os lados e não se lembram de se ver metidos em semelhante "aperto" com os estudantes.
Por fim, o juiz, alagado em suor, resolve pronunciar-se dando o julgamento por adiado "sine die", isto é, até arranjarem uma maneira, de mais comodamente tentarem tramar os estudantes.
Desmascarada e insultada, só adiada a sessão e tomando futuras precauções para melhor a resguardar dos estudantes, poderia decorrer num tom que demagogicamente tentasse tornar digna e justa a justiça dos exploradores. (E as suas leis de protecção aos burgueses).
À saída, os risos, as piadas e insultos à “justiça” e aos tribunais burgueses continuaram enquanto 4 monos se encarregam de tentar dispersar os estudantes que comentam os acontecimentos e se afastam do tribunal lentamente.
Em frente da Escola Soares dos Reis, os chuis são gozados e insultados pe­los alunos.
Entretanto, uma carrinha com uns 18 monos, aparece na rua Firmeza. Imediatamente crescem gritos de insulto e apupos. A carrinha com uns 18 monos aparece na rua Firmeza. Imediatamente crescem gritos de insulto e apupos. A carrinha segue o seu caminho sem parar. Começa-se então a formar um ajuntamento de estudantes na esquina da rua de D. João IV
Mas ainda só um grupo de uns 60 estudantes se tinha concentrado e estando a maioria dos estudantes a meio da rua Firmeza, quando aqueles arrancam com uma manifestação em corrida por D. João IV abaixo gritando palavras de ordem anti-coloniais.
Esta manifestação dispersou no cruzamento com Fernandes Tomás e reconcentrou-se na esquina de Sá da Bandeira. Aqui arranca de novo em direcção a D. João I gritando ABAIXO A GUERRA COLONIAL e VIVA A CLASSE OPERÁRIA. Na praça D. João I são apedrejadas montras do Banco Português do Atlântico e do Banco de Angola.
Os manifestantes dispersam rapidamente e a pide e a polícia efectuam pouco depois, nesta zona, algumas prisões de estudantes como represália por não terem conseguido reprimir a manifestação.
Entretanto, junto ao tribunal e quase simultaneamente a estes acontecimentos um grupelho divisionista aproveitada a precipitação do primeiro arranque em manifestação e desloca-se por D. João IV abaixo, arrastando consigo alguns estudantes que não puderam acompanhar a primeira manifestação, Mas, depressa as palavras de ordem reformistas desse, grupo foram ultrapassadas, começando os estudantes a gritar a justa palavra de ordem revolucionária ABAIXO A GUERRA COLONIAL e vindo a dispersar em S. Lázaro.
Compreendendo o contendo que devia assumir a sua luta, compreendendo que essa luta devia visar, tal como quando enfrentavam a provocação dos coros fascistas, a burguesia fascista e colonialista, compreendendo que os tribunais não são outra coisa senão mais um auxiliar que a burguesia possui, para além da pide e da polícia que já vinha a usar, para reprimir lutas estudantis, os estudantes deram uma resposta à burguesia e aos seus tribunais, manifestando-se na rua contra a Guerra Colonial, contra a ditadura fascista da burguesia, ao lado do Povo!
No entanto alguns erros houve que importa analisar. Em primeiro lugar, o carácter precipitado do arranque e do decorrer da manifestação. Na situação do local, a manifestação foi desnecessariamente feita em Corrida. A polícia e a pide não se encontravam no local e estavam desprevenidas. Assim, a manifestação e o carácter demasiado rápido da manifestação, provocaram, nesta situação objectiva, alguns aspectos menos positivos desta justa luta. Isolaram desnecessariamente os estudantes que primeiro arrancaram dos restantes que ainda não se encontravam concentrados. Um arranque menos precipitado teria alertado os restantes estudantes, ajudando-os a concentrar-se e contribuindo para a sua participação activa nesta luta. Ao se isolarem dos restantes estudantes, os estudantes revolucionários que iniciaram a manifestação deixaram campo livre à actuação dos oportunistas. Estes últimos, sempre ávidos dos erros dos revolucionários para conduzirem as massas para o seu campo, tiveram assim oportunidade de conduzir outro sector dos estudantes para outro local, dividindo-os e tentando que se gritassem perante o Povo as suas ideias reformistas. Apesar de tudo, os estudantes presentes não consentiram que se atraiçoasse o justo sentido da sua luta, ultrapassando os oportunistas com palavras de ordem revolucionárias.
Por outro lado, os estudantes que arrancaram à frente, não só se isolaram dos outros estudantes dispostos à luta como viram bastante diminuído o apoio que lhes poderia ter sido prestado pela população que não conseguiu aperceber-se claramente da luta, por ver apenas um grupo de estudantes em corrida e aos gritos dispersos, por vezes pouco entendidos. Isto diminuiu a compreensão do carácter revolucionário desta luta por parte do Povo. Teria sido preferível unir todos os estudantes dispostos a lutar, o que naquele momento e, naquela situação era plenamente viável, e ter conseguido a manifestação num ritmo mais calmo e firme, mas em que por isso as palavras de ordem fossem gritadas mais compassadamente e perfeitamente audíveis e sentidas pela população que presenciou a manifestação, mesmo que se tornasse necessário renunciar a formas de luta mais abertamente violentas como o apedrejamento dos bancos. O apedrejamento dos bancos, símbolos do capital monopolista, é um acto inteiramente justo, mas, na situação de momento, importava acima de tudo descobrir as formas de luta mais adequadas a conseguir o apoio da população, e a permitir o carácter mais massivo e organizado da manifestação.
No fundamental impõe-se tirar lição mais importante desta luta, a lição que ultrapassa o campo dos erros de circunstancia. Impoem-se aprender com a luta, faze-la evoluir num sentido que conduza a vitórias futuras na consolidação dos frutos de cada luta. É necessário avançar na organização destas lutas, é necessário avançar na organização clandestina duma vanguarda revolucionária capaz de dirigir e organizar as lutas estudantis contra a Guerra Colonial e o imperialismo, contra o poder fascista da burguesia|
As lutas desorganizadas devem ser transformadas em lutas organizadas. Os estudantes revolucionários devem organizar-se clandestinamente para preparar minuciosamente todos os aspectos da luta popular estudantil.
ORGANIZEMO-NOS!
ABAIXO O FASCISMO!
ABAIXO A GUERRA COLONIAL!
ABAIXO O IMPERIALISMO!
EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR!



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