segunda-feira, 11 de junho de 2018

1973-06-00 - Tradução do panfleto distribuído pelo Comité de Desertores Portugueses de Malmõ/Lund em diversas cidades da Suécia, em Junho de 1973 - CDP


Tradução do panfleto distribuído pelo Comité de Desertores Portugueses de Malmõ/Lund em diversas cidades da Suécia, em Junho de 1973

CDP (Malmõ-Lund)
Fack 5029 - Lund 5 Tel.046/130246
APOIEMOS A LUTA DE LIBERTAÇÃO EM ANGOLA, GUINÉ E MOÇAMBIQUE
Guiné-Bissau, Angola e Moçambique são países com enormes recursos naturais. Esses países exportam grandes quantidades de diamantes, petróleo, minério de ferro, algodão, café, amendoim, etc. Os povos destes países trabalham duramente, mas vivem na miséria, são subalimentados, não tem qualquer assistência médica,  são submetidos a trabalhos forçados, não tem quaisquer direitos e são tratados como representantes de uma raça inferior. A sua própria cultura é ridicularizada e a percentagem de analfabetismo atinge os 90%.

Tudo isto porque estas nações são colónias portuguesas.
Os capitalistas portugueses reduzem esses povos à escravidão para melhor os poderem explorar e obter lucros fabulosos de parceria com os grandes monopólios internacionais.
A única saída para esses povos é a luta armada pela independência dos seus países, pela libertação económica e cultural, pela paz e pela liberdade, contra a exploração dos colonialistas portugueses e dos monopólios estrangeiros.

A GUERRA COLONIAL É INJUSTA CRIMINOSA E CRUEL E É CONDUZIDA PELO PODER DE ESTADO PORTUGUÊS PARA PODER CONTINUAR A EXPLORAÇÃO DOS POVOS NAS COLÓNIAS.
Os colonialistas portugueses sempre tentaram manter a cultura das populações das colónias nas trevas, e com isso destruir os seus valores tradicionais, para mais facilmente as poder, subjugar.
É contra esses crimes que os movimentos de libertação lutam, ao mesmo tempo que trabalhara para desenvolver culturalmente a população, das zonas libertadas.
Nessas zonas podemos testemunhar a formação de uma nova sociedade livre de exploradores, onde o povo é senhor do seu próprio destino.
A criação de hospitais que dão assistência à população e às vítimas do terror criminoso do exército colonial e a construção de escolas tem um grande significado, pois que o melhoramento do estado geral da saúde e o desenvolvimento da cultura dos povos africanos é de uma grande importância para a luta que decorre.
Portugal tem mais de 170 000 homens em África. Eles bombardeiam as zonas libertadas, tendo como principal objectivo as escolas e hospitais que ali existem.
As aldeias são frequentemente bombardeadas com napalm e são utilizados gases venenosos para destruir a vegetação.
Tudo isto tem cmo objectivo destruir todo o trabalho que foi empreendido sob a direcção dos movimentos de libertação.
Em 1969 os fascistas assassinaram Eduardo Mondlane. Em 1973 assassinam Amílcar Cabral. Trata-se de autênticos actos desesperadas a fim de tentarem acabar com a vitoriosa luta dos povos africanos. Os colonialistas portugueses não compreendem que a morte de um dirigente não significa a morte de um povo mas sim mais um crime que eles hão-de pagar.
A LUTA DE LIBERTAÇÃO NA GUINÉ, ANGOLA E MOÇAMBIQUE É UMA LUTA POPULAR PELA INDEPENDÊNCIA NACIONAL E É UM ELO DA LUTA DOS TRABALHADORES E POVOS OPRIMIDOS DE TODO O MUNDO CONTRA O IMPERIALISMO.

APOIEMOS A LUTA REVOLUCIONÁRIA EM PORTUGAL
O CAPITALISMO PORTUGUÊS, QUE CONDUZ UMA GUERRA CRUEL CONTRA A LIBERTAÇÃO DOS POVOS DAS COLÓNIAS, OPRIME BRUTALMENTE TAMBÉM EM PORTUGAL O POVO TRABALHADOR.
Há quase 50 anos que os capitalistas portugueses governam o país através de uma violenta ditadura fascista. Nem mesmo formalmente as liberdades democráticas burguesas são reconhecidas: nem direito de greve, nem direito a organizar sindicatos livres ou partidos. Os jornais e os livros são censurados, os telefones escutados, as cartas violadas. Formalmente há eleições, mas na prática são transformadas numa vigarice.
Os trabalhadores portugueses são os que vivem em piores condições em toda a Europa, sub-alimentados, com salários miseráveis, exploradas pelos capitalistas portugueses e pelos monopólios estrangeiros. São atacados, presos e torturados pela polícia sempre que ousam protestar, fazer greve, lutar ou organizar-se.
Só com a ajuda da ditadura fascista é que o capitalismo português consegue manter os trabalhadores oprimidos e enviá-los para lutarem contra os povos das colónias.
Quando os velhos colonialistas como a Inglaterra, a França, a Bélgica e a Holanda se viram pressionados a darem a independência às suas colónias, puderam faze-lo e manter ao mesmo tempo os seus interesses económicos e continuar a exploração colonialista. O capitalismo português é no entanto demasiado fraco para poder aplicar esta forma de neocolonialismo. Para o capitalismo português o controle directo é indispensável.
Os capitalistas portugueses só podem sobreviver unindo o seu capital ao dos grandes monopólios estrangeiros. Em troca oferecem os trabalhadores e as riquezas de Portugal e das colónias para uma exploração em comum.
Para poderem continuar a exploração os capitalistas portugueses tem que conduzir uma guerra contra os povos das colónias. Aos monopólios internacionais oferecem condições excepcionalmente vantajosas em troca da participação nos lucros e de auxílio político, diplomático e militar.
Portugal não possui uma indústria de guerra que lhe forneça material em quantidade suficiente. As armas, os aviões, os autocarros e os barcos são fornecidos principalmente pelos países da NATO e por outros países como a Suécia, por exemplo. Especialistas e treino militar são fornecidos pelos E.U., Franca e Israel. A África do Sul e a Rodésia são os principais aliados de Portugal e chegam mesmo a fornecer tropas.
Apesar das Nações Unidas condenarem o colonialismo português os aliados de Portugal e os seus colaboradores sabotam de todos os modos as resoluções das Nações Unidas. Veja-se o caso da Suécia que se absteve numa resolução que condenava Portugal pelo uso de venenos químicos contra as culturas das zonas controladas pelos movimentos de libertação.

EM PORTUGAL, A LUTA CONTRA O IMPERIALISMO SIGNIFICA SOLIDARIEDADE COM OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO E LUTA CONTRA A GUERRA COLONIAL, PELA DERROTA DE PORTUGAL. ESTA É PRIMEIRO QUE TUDO A LUTA DOS TRABALHADORES E DOS CAMPONESES POBRES PELA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR EM PORTUGAL.

COMBATE O IMPERIALISMO SUECO!
O IMPERIALISMO SUECO EM PORTUGAL - UM ELO DO IMPERIALISMO INTERNACIONAL;
No ano de 1972 a indústria sueca exportou para as colónias portuguesas mercadorias no valor de mais de 61 milhões de coroas ao mesmo tempo que esse valor, para as exportações para Portugal ultrapassou os 322 milhões de coroas. A Suécia exportou mais para Angola do que para quase todos os outros países africanos. Na lista dos países imperialistas que importam de Portugal a Suécia vem em 4.º lugar logo a seguir à Grã-Bretanha, USA e Alemanha Ocid.
Os capitalistas suecos tiram partido do aparelho de repressão fascista para poderem extrair enormes lucros, pagando salários de miséria a coberto da proibição das greves.
Se a isto acrescentarmos que a exportação de lucros adentro da EFTA é livre podemos ver como aqui os capitalistas se sentem nas suas sete quintas.
As fábricas suecas de têxteis em Portugal pagam 0,75 Kr. por hora a jovens operárias de 14-16 anos e menos de 1 Kr. aos adultos. Nestas fábricas, a matéria prima utilizada é o algodão de Angola e Moçambique, cultivado em duro regime de trabalho forçado.

OS CAPITALISTAS SUECOS APOIAM O FASCISMO E A GUERRA COLONIAL
Os investimentos suecos excedem hoje os 440 milhões de coroas, isto é, mais de 10% do total dos investimentos estrangeiros em Portugal. O capital sueco encontra-se investido não só na indústria têxtil mas também nas fábricas de papel (Billerud), fábricas de fósforos (STAB), etc. Mais de 20% do capital da Lisnave - a maior estaleiro de reparação do mundo e o que paga os mais baixos salários na Europa - é investido pela Kockums e pela Eriksberg. Trabalhadores africanos são importados de Cabo Verde para ali trabalharem com salários de fome.
Dezenas de operários tem sido despedidos, presos ou condenados por terem protestado contra os miseráveis salários e feito greves que são sempre brutalmente reprimidas pela polícia fascista. Não é pois de surpreender que os capitalistas suecos nutram grande admiração pelos fascistas portugueses que tão bem sabem manter a opressão e exploração dos povos de Portugal e das colónias.

ESTALEIROS SUECOS CONSTROEM BARCOS PARA OS COLONIALISTAS.
Como se isto tudo não bastasse um estaleiro sueco (Eriksberg) procede neste momento à construção do navio Marão-Lisboa, o primeiro de uma série de 3 super-tanques de 130.000 toneladas cada, encomendados pelos colonialistas para continuarem a pilhagem das riquezas naturais das colónias.

O GOVERNO SUECO COLABORA COM A DITADURA FASCISTA PORTUGUESA. 
A atitude do governo sueco para com a luta de libertação dos povos oprimidos sempre foi descaradamente oportunista, procurando ocultar a sua verdadeira conivência com o fascismo português.
O limitado auxílio que o governo sueco dá aos movimentos de libertação (constituído na maior parte por produtos excedentários) nem sequer tem comparação com os chorudos lucros que o capital sueco retira da exploração dos povos das colónias. O permanente receio de que o dinheiro pudesse ser utilizado na compra de armas e a sua recente substituição por mercadorias (o que se pode considerar como um auxílio às empresas suecas em crise) mostra claramente uma recusa do governo sueco em reconhecer aos povos das colónias o direito à independência e à sua justa luta de libertação, contra o colonialismo português e pela independência nacional.
Jorge Rebelo, ministro da Informação da FRELIMO disse numa entrevista à revista Kommentar: "Não podemos esquecer os factos: nós estamos em guerra e por isso toda a ajuda que é dada à FRELIMO é para apoiar a nossa luta de libertação. Ou se está de acordo com a nossa luta e admite-se que a nossa causa é justa e que temos o direito a conduzir a nossa guerra de libertação... e então aceita-se que a ajuda que recebemos seja usada na guerra, ou então pensa-se que nos não temos o direito de conduzir a nossa guerra de libertação e que estamos do lado errado... e nesse caso não nos concedem qualquer ajuda".
NA SUÉCIA, PARA APOIAR A LUTA DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA, APOIAR A LUTA REVOLUCIONÁRIA EM PORTUGAL E COMBATER O IMPERIALISMO, É PRECISO ACIMA DE TUDO LUTAR CONTRA A BURGUESIA SUECA E PELA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA.








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