quarta-feira, 13 de junho de 2018

1973-06-00 - Informação dos Núcleos Sindicais Nº 07 - Núcleos Sindicais


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EDITORIAL

A actual vaga repressiva que o governo burguês desencadeou sobre o movimento estudantil, demonstra que aquele é cada vez mais incapaz de resolver a crise que o ensino atravessa e a revolta da juventude estudantil contra  a sua política anti-popular e anti-democrática. Efectivamente como o próprio Marcelo Caetano teve de reconhecer - atrás da habitual verborreia de "agitação” e "subversão” comandada do exterior que só engaja os papalvos - a crise estudantil já não é unicamente pedagógica e nunca o foi mas, fundamentalmente política. A crise universitária reflecte no seu interior a crise geral da sociedade portuguesa.
Neste estado de coisas, falhadas as tentativas para "acalmar” os estudantes, falidas as manobras demagógicas (Queima, Coros, Taco-a-Taco) para esconder à população a verdade do que se passa nas universidades, o governo burguês recorre à violência brutal para esmagar em sangue o movimento estudantil.

Onde ataca o inimigo? Como devemos responder-lhe?
Os principais golpes desferidos, pelas forças, da repressão localizam-se nas reuniões de massas estudantis. Em Lisboa, numa reunião na cantina universitária foram feridos 4 estudantes. No Porto, a partir do Meeting contra os Coros fascistas (presos. 280 estudantes) a polícia praticamente tornou impossível a realização de amplas reuniões de estudantes. Porquê, este, terrorismo policial na Fac. onde se as realizam as nossas reuniões? A resposta pode ser facilmente encontrada no Meeting contra os coros fascistas: aí se encontravam 800 estudantes; no dia seguinte e a despeito da repressão brutal eram 1500 os que participaram na concentração junto à igreja de S. Francisco. Na verdade as reuniões amplas de estudantes são importantes meios de consciencialização e mobilização para a luta. Quando elas se efectuam a burguesia treme assustada pela decisão que as massas estudantis aí mostram!
Mas a repressão policial também entrou em simples reuniões onde se debatiam problemas pedagógicos.
Letras, a discussão sobre a modificação do mapa de exames, foi mais um motivo para fazer prisões e atemorizar os estudantes. Este exemplo demonstra o medo e a fraqueza de que dão provas os reaccionários. Sabem que um simples problema pedagógico é susceptível de fazer avançar a luta estudantil. Sabem que a liberdade de reunião e de informação, para tratar uma simples questão pedagógica é um poderoso factor que joga contra ele, que permite aos estudantes organizarem-se e decidirem das formas de repelir os seus ataques. Sabem que a discussão ampla desmascara o verdadeiro significado da sua política escolar e das manobras de divisão que procuram fomentar entre os estudantes.
O governo fascista procura liquidar o movimento estudantil. Para isso procura atingir-nos naquilo que é a nossa melhor arma para nos organizarmos e resistirmos aos seus ataques: a liberdade de reunião e informação!
Por isso devemos resistir. Por isso devemos lutar obstinadamente pela conquista desses direitos.
A nossa resposta à violência policial é a luta de massas! Os reaccionários por mais bestas policiais que mandem, por mais requintadas e brutais armas repressivas que utilizem são impotentes frente à decisão, à unidade e à coragem das massas!
A conquista da liberdade de reunião e de informação é um objectivo sentido pela maioria dos estudantes! A luta contra a repressão fascista encontra eco ao coração da juventude estudantil, no ódio que estes votam às bestas policiais.
Organizemos, pois, um forte movimento sindical de estudantes, capaz de fazer recuar os atentados aos nossos direitos mais fundamentais!

As próximas investidas do inimigo
Depois da ofensiva terrorista, a burguesia, através dos seus mandatários oficiais, governo fascista e autoridades académicas, prepara-se para levar mais longe o plano de total aniquilamento do movimento estudantil. Levantaram processos disciplinares aos estudantes presos durante o Meeting contra os Coros. Para muitos significa ir para a guerra. Para todos, a perda do ano e, provavelmente, a expulsão da escola onde estudavam. Os objectivos são claros: atemorizar os estudantes e tentar dar o golpe de morte sobre o movimento estudantil. Por outro lado, permitem-lhe resolver por algum tempo as carências de carne para canhão na guerra em África. É significativo que uma guerra que tem sido apresentada como da "vontade da nação”, como símbolo da “unidade" dos portugueses, seja utilizada para castigar estudantes! Na pessoa de alguns colegas eles pretendem atingir os estudantes por inteiro. Preparam-se para ter para o ano a “paz”, que não conseguiram com festivais de coros. Com a universidade militarizada, vigiada, policiada, com os estudantes desorganizados e atemorizados, a burguesia julga poder abafar aquilo que apelida de crise universitária.
Mas a violência dos reaccionários gera inevitavelmente o seu contrário, a revolta cada vez mais profunda das massas estudantis. Nunca os enormes contingentes policiais conseguiram calcar de vez o ódio à repressão. Não pensem os reaccionários que vão reduzir a universidade à paz do sepulcro! Por muito que oprimam, apenas por alguns momentos conseguirão os seus intentos. E já podem saborear o amargo da primeira derrota. A coragem dos estudantes de Letras em Lisboa já expulsou essa corja de bandidos que são os vigilantes-gorilas!

Os próximos julgamentos no dia 11
Prova de que os estudantes não estão dispostos a serem lidados como bestas na arena dos interesses dos reaccionários, é a recusa de cerca de 100 estudantes em pagarem as multas pela sua prisão no Meeting contra os coros fascistas. Desta vez, os tribunais dos burgueses vão ter de se desmascarar aos olhos dos estudantes. A sua apregoada neutralidade vai-se ver no cumprimento fiel da justiça unilateral de que são os lacaios, a condenação exigida pelo governo dos reaccionários.
Os 100 estudantes são na verdade os estudantes portugueses. O veredicto, a acusação dos reaccionários não são unicamente para eles. Quem vai ser julgado é a juventude estudantil portuguesa. Como tal vamos todos ao tribunal!
Não só porque somos nós os réus (de um crime que não cometemos), mas porque devemos comparecer em massa no dia 11 ao julgamento. Vamos mostrar aos reaccionários que a sua violência não nos assusta!

CONTRA OS PROCESSOS DISCIPLINARES!
CONTRA A REPRESSÃO FASCISTA!

VAMOS TODOS AO TRIBUNAL NO DIA 11!

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