terça-feira, 29 de maio de 2018

1978-05-29 - CONTRA O FASCISMO, REFORCEMOS A NOSSA UNIDADE - UJCR


UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONARIA

CONTRA O FASCISMO, REFORCEMOS A NOSSA UNIDADE

Assistimos presentemente a um avanço das forças de direita e fascistas que, no dia-a-dia vão pondo em perigo a democracia. Em relação à educação, o MEC e o Governo, além de não tomarem quaisquer medidas no sentido de combater o fascismo, parece antes estar empenhado no retorno ao passado como, por exemplo, na promoção de fascistas saneados e sua reintegração, reestruturações, numerus clausus, ano propedêutico, etc. Só o reforço da unidade e luta estudantis poderão responder eficazmente a esta situação. Lado a lado, com a juventude em geral, o movimento operário e popular, abriremos caminho para a viragem da situação política e para a formação de um governo que defenda de facto o 25 de Abril.
1. A decisão do Presidente da República permitindo o regresso do Tomás, não é um episódio momentâneo da vida política nacional. Eanes desautoriza, assim, a própria democracia e o 25 de Abril, demonstrando o seu alinhamento com a extrema-direita. Esta medida surge no seguimento de uma série de avanços da direita que procuram um novo agravamento da crise política que reverta a seu favor. Ao abrigo do FMI, os grandes capitalistas e agrários nacionais (muitos deles no Brasil!) e também os estrangeiros exigem um governo que, à margem da Assembleia da República e da Constituição, tome medidas drásticas quanto às liberdades, a Reforma Agrária, as Nacionalizações e demais conquistas de Abril, um governo que o faça, espezinhando o Povo.
Também no Técnico, há forças que pretendem dar uma «ajuda» para a fascização da vida nacional. Há dias os fascistas, que apareceram a coberto de um partido de saudosistas - o CDS - mostraram a sua verdadeira face, dando-se ao arrojo de distribuírem propaganda nazi e utilizando a agressão como prática política. Achavam eles, que tinha chegado a altura, para criar o clima de terror na escola pensando que os estudantes ficariam paralisados. A resposta que tiveram de imediato e na posterior RGA, obrigou-os a um recuo táctico. Assim querem agora tentar convencer os estudantes que no fundo até têm liberdade para usarem da palavra, ou que a sua propaganda até nem era muito fascista, etc ...
Mas, será que pensam que nos esquecemos do que se tem passado quando estes senhores aparecem?
a) Há mais de um Ano que nos liceus do Pais, apareceram os «inofensivos» Lusíadas, Lusitanos, Patrióticos, etc... Em muitos desses Liceus, foi o começo do fim da Democracia. Nesses Liceus, a violência, quer sobre os estudantes comunistas, quer sobre os democratas em geral, ou que de algum modo manifestassem a sua discordância com os seus métodos, é a prática diária desses aprendizes de nazis. Os requintes que utilizam chegam ao ponto dos métodos de tortura da PIDE, como no caso do Baltazar que se diverte a apagar cigarros na cara dos estudantes de esquerda.
b) O Mundo ainda não esqueceu os campos de concentração nazis, as torturas mais repelentes e maquiavélicas, a militarização da sociedade, a guerra e a morte de milhões e milhões de democratas com que esse odioso regime assinou e assina a sua passagem no Mundo, que em Portugal durou quarenta e oito anos.
Mas também a JSD, que actua em perfeita complementaridade com os fascistas do CDS, procura agora, através de boatos e calúnias, aparecer com uma imagem de salvadora da situação. Dando-se ares de esquerda, não pretendem mais do que tentar ocultar a sua prática de direita e que são os principais responsáveis pelas medidas anti-estudantis dentro da escola (como os numerus clausus, regulamento de inscrições, as tentativas de contrariar o adiamento de prazos que todos os estudantes exigiam, etc...). Pretendem, assim, identificar a esquerda com as medidas anti-estudantis, espalhar a confusão e partidarizar o MA., de modo a servir de base ao seu eleitoralismo barato para as próximas eleições. A canalização dos interesses imediatos dos estudantes para os órgãos de gestão, isto é, para o suicídio, é uma peça dessa política. Mas o que tem acontecido é que as suas C.Ds. actuam, na prática, como Reitores do antes 25 de Abril e isso já todos os estudantes o puderam comprovar. É isto mesmo que a JSD tanto “batalha” para fazer esquecer.
No fundo, o que os une aos fascistas do CDS, é a tentativa de acabar com toda a acção estudantil que dê resposta aos departamentos e à política de direita no ensino.
2. A política de direita do governo, nas escolas, que permite o avanço do fascismo e ataca as conquistas estudantis, é o reflexo da actual situação política. Assim, aí está a selecção desenfreada, a imposição de ritmos de trabalho insuportáveis, a política anti-social do MEC, as reintegrações dos fascistas, o ataque ao direito ao ensino e valorização profissional dos trabalhadores-estudantes.
No seguimento desta política, surgem as reestruturações, ou melhor dizendo, a Reforma Veiga-Cardia, que para além de não ter em conta as opiniões dos estudantes, professores e funcionários, quer transformar o ensino no sentido tecnocrático e de alheamento das realidades sociais. Adequar o ensino às necessidades da recuperação capitalista da sociedade, formar técnicos acríticos, que possibilitem tal recuperação, são os objectivos do MEC e do governo, a mando dos planos imperialistas da CEE e do FMI.
Mas a direita é incapaz de responder aos anseios dos estudantes e da juventude em geral. Assim, o desemprego, o ensino acrítico e selectivo, a falta de ligação do ensino com a realidade prática, os métodos pedagógicos antiquados de ensino, são as consequências desta política, para as quais não têm alternativas.
Apesar da direita ter conseguido impor vários recuos aos estudantes, desde o decreto anti-democrático de gestão até impor algumas reintegrações de fascistas, os estudantes apercebem-se de que a sua unidade e luta é a única forma eficaz de responder a esta situação. Não são os salvadores, através dos órgãos de gestão, que irão conseguir resolver os nossos problemas e a direita sabe disso. Mas, sabem bem que, para reforçar as suas posições têm que destruir o M.A., jogando na sua partidarização.
O actual enfraquecimento do M.A., conseguido em parte pela direita, no qual a esquerda também tem responsabilidades, é uma realidade por todos constatada. Da nossa parte, que sempre tivemos empenhados, ao lado de outros colegas, na Direcção da Associação e no trabalho das estruturas associativas, reconhecemos alguns erros e acatamos muitas das críticas que nos são feitas pelos estudantes. Achamos, no entanto, que o actual estado do Movimento Associativo não é razão para se desistir na construção da alternativa que a esquerda tem a apresentar à escola. Só que essa alternativa tem uma condição prévia:
- é a da participação, na sua construção, de todos os estudantes, de maneira a que o M.A. consiga dar resposta às necessidades e às exigências do actual momento.
No entanto, um dos principais pilares desta alternativa terá que passar pela unidade da esquerda, em torno destas mesmas questões. Mas, infelizmente, continuamos a verificar que há certas forças políticas que estão mais empenhadas em dividir os estudantes do que no reforço do M.A.. Este é o caso da EU”C”. Se bem que, na teoria, não faltem proclamações contra a direita, o que temos visto é que, em vez de se empenharem no trabalho associativo, parecem estar mais interessados em dar a vitória à JSD, nas eleições, para culparem de seguida as forças revolucionárias por essa vitória e então aparecerem eles como a “grande” alternativa. Concretamente, noutros processos eleitorais, agora a decorrerem, a EU”C” tem boicotado todos os processos unitários (Medicina, Letras, etc.).
Também lá fora podemos observar os dirigentes do falso PC fortemente empenhados em não desagradar a Eanes, mas sempre prontos a oporem-se à UDP, como por exemplo, quanto ao regresso do fascista Tomás, limitando a declarar-se “chocados” com a notícia e não estando dispostos a mexer uma palha para impedir o seu regresso, como o crescente avanço da direita.
Convirá “lembrar” então, como o fascismo foi avançando até se instalar no poder, na Alemanha, na Itália, no Chile, na Argentina, etc... Quando para qualquer cidadão, mais atento, já era perceptível o avanço do nazismo, tanto a social-democracia como os "socialistas” e os restantes reformistas desses países gritavam aos sete-ventos:
- o nazismo é uma teoria demasiado bárbara para tomar o poder no mundo civilizado... - ou - ...os nazis agem dentro da legalidade a qual tem de ser respeitada... - ou ainda - ...o avanço do fascismo não passava de um fantasma lançado pelos comunistas para tomarem o poder.
Assim falavam esses senhores, que, no fundo, estavam mais preocupados em combater o movimento operário e popular do que atacar o mais criminosa ideologia que o mundo conheceu. Mas, quando o fascismo chegou ao poder, também não foram poupados. A liberdade que lhe consentiram foi um trampolim para acabar com a própria liberdade. A violência e o terror foram, então, impostos como lei.

NÃO AO REGRESSO DE TOMÁS! O FASCISMO NÃO PASSARÁ!

UJCR - Núcleo João Batista Drumond - IST
29 de Maio de 1978




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